Henrique Rodrigues lança 'Giz' em São Paulo e realiza atividade com rede pública em Jundiaí
PublishNews, Redação, 24/02/2026
Após sete anos sem publicar versos, autor, que é colunista do PublishNews, retorna ao gênero pela Tinta Negra

Henrique Rodrigues © Monica Ramalho
Henrique Rodrigues © Monica Ramalho

O escritor carioca e colunista do PublishNews Henrique Rodrigues lança nesta terça (24), a partir das 19h, o livro de poesia Giz (Tinta Negra) na Livraria Na Nuvem (Rua Treze de Maio, 744 – São Paulo / SP), em São Paulo (SP). A programação inclui debate e leitura de poemas com a gestora cultural Márcia Lopes e o arte-educador Cleyton Mendes. No dia seguinte (26), o autor apresenta a obra e ministra oficina para alunos e professores da rede pública de Jundiaí.

Giz marca o retorno de Henrique Rodrigues à poesia após sete anos. Nos novos poemas, o autor articula lirismo, crítica social e afeto ao transformar personagens do cotidiano escolar em protagonistas literários. A tia da merenda surge como figura central que alimenta não apenas o corpo, mas o pensamento e a dignidade da comunidade escolar.

Também aparecem o aluno que observa o recreio do canto do pátio, o jovem da Cidade de Deus atingido pela violência precoce, a menina que formula uma pergunta definitiva sobre existir, o estudante da EJA que retorna à sala de aula entre trabalho e esperança e o professor que resiste diante da precariedade.

Egresso da rede pública do Rio e autor de 27 livros, Henrique Rodrigues atua há mais de duas décadas em projetos de incentivo à literatura. Atualmente, é patrono das bibliotecas das escolas onde estudou. Em Giz, essa trajetória se converte em matéria poética e gesto de reconhecimento ao espaço que lhe abriu caminhos.

Com linguagem acessível e vocação para a mediação de leitura, o livro dialoga com jovens leitores, educadores e agentes culturais, sem abrir mão da densidade literária. A escola, aqui, aparece como território simbólico onde cada personagem carrega uma história que merece inscrição no quadro maior da literatura.

Que tal ler um poema do livro antes de seguir navegando pelo PN?

Rondó para a tia da merenda
Na hora da refeição
Quando bate aquela fome,
Todo dia a gente come
A merenda tão sagrada,
Com carinho preparada
Por quem chamamos de tia,
Que cozinha todo dia,
Uma quantidade imensa
De comida, que compensa
Nossa fome de comida,
Que é também fome de vida.
Porque todo esse alimento
Alimenta o pensamento,
Já que com a barriga cheia
Nossa mente ninguém freia.
Então, tia da cozinha,
Sua luta é também minha,
Sua luta é também nossa,
E espero que você possa
Receber minha gratidão
Pelo arroz, pelo feijão,
Pela carne e o macarrão,
Feitos com seu coração
Na hora da refeição.

[24/02/2026 11:14:02]