
A escritora Cidinha da Silva lança Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras: Nós e os livros (Relicário Edições), obra em que reúne 16 ensaios sobre as tensões, armadilhas e estratégias de enfrentamento que atravessam a experiência de mulheres negras no mercado editorial. O livro marca a estreia da autora na editora Relicário Edições e integra a coleção Nos.Otras, dedicada à prosa crítica de mulheres latino-americanas.
Três lançamentos iniciais estão agendados, em Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre. A turnê começa na quinta, 16 de abril, às 19h, na Livraria Quixote (Rua Fernandes Tourinho 274 — Belo Horizonte / MG). Na estreia, Cidinha da Silva vai conversar com a jornalista, pesquisadora e escritora Etienne Martins e com a ativista Aurea Carolina.
O segundo evento será na quinta, 23 de abril, às 19h, na Livraria Simples (Rua Rocha, 259 — São Paulo / SP) e reunirá a autora com a jornalista Adriana Ferreira Silva e o antropólogo e escritor Michel Alcoforado. Para fechar, Cidinha e a escritora e professora Natália Borges Polesso têm um encontro marcado na quinta, 7 de maio, às 19h, na Escola de Humanidades da PUC-RS (Avenida Ipiranga, 6681, Parthenon / prédio 9).
A estrutura do livro se organiza a partir de três eixos simbólicos — casulo, lagarta e borboleta — que funcionam como chaves de leitura para os mecanismos de controle e as possibilidades de insurgência. O “casulo” trata do cerceamento da liberdade criativa; a “lagarta” aborda a exigência constante de justificativa sobre o conteúdo das obras, em detrimento da discussão sobre forma e linguagem; já a “borboleta” concentra a ideia de ira transformada em ação política e estética.
Ao longo dos ensaios, Cidinha discute desde políticas de representatividade até práticas recorrentes do mercado que confinam escritoras negras ao papel de educadoras da branquitude. O livro também tensiona a narrativa tradicional que associa mulheres à abnegação e à maternagem, apontando como esse enquadramento opera como estratégia de contenção.
"O lugar da fala, seja escrita ou vocalizada, é arena pública, campo fundamental de construção de imaginários, anterior mesmo à disputa de narrativas. O livro não é um refúgio íntimo, como tentam impor às mulheres que escrevem, como se tudo fosse um diário juvenil. O livro é o espaço daquilo que se deseja tornar público, e isso pode incluir (ou não) a intimidade", afirma a autora, em material de divulgação.
Ao analisar os limites da representatividade como prática política, Cidinha também aponta para suas distorções. Em um dos ensaios, discute como certas dinâmicas do mercado acabam por reduzir a diversidade a escolhas pontuais, sem alterar estruturas mais profundas de exclusão.
Com trajetória consolidada, a autora publicou títulos como Um Exu em Nova York (Pallas Editora), vencedor do Prêmio Biblioteca Nacional em 2019, e O mar de Manu (Editora Autêntica), premiado pela APCA em 2022. Também foi finalista do Prêmio Jabuti e integra políticas públicas de formação de acervo, como o PNLD.






