
Há artistas que escrevem enquanto vivem — e outros que, sem anunciar, vão escrevendo (assim, no gerúndio mesmo) por dentro. O cantor e compositor Chico Chico parece se encaixar neste segundo grupo. Conhecido pela sua atuação na música, herança de sua mãe, a legendária Cássia Eller (1962-2001), ele estreia agora na literatura com Pequenos sigilos (Ação Editora, 96 pp, R$ 64,90), livro que reúne textos acumulados ao longo de uma vida, ainda que jovem.
O pontapé inicial a essa jornada será dado na próxima terça-feira, 15 de abril, na Livraria da Travessa Ipanema, seguido por mini turnê que vai contemplar mais quatro cidades: Salvador no dia 18, São Paulo no dia 22, Brasília no dia 24 e Goiânia no dia 29 de abril.
A origem do livro é quase casual: um poema compartilhado nas redes sociais chamou a atenção do editor Pascoal Soto, que intuiu e estava certo: havia ali um tesouro maior de textos guardados. O que veio à tona não se organiza como um volume único, mas como um campo de experimentação: há contos curtos, registros de sonho, fragmentos e devaneios que orbitam temas como afeto, morte, família e silêncio — e retornam, com insistência, ao amor.

Se na música Chico Chico trabalha a escuta, aqui ela olha fixo para a linguagem. Pequenos sigilos revela uma escrita que circula entre o lírico e o narrativo, mantendo a cadência de quem compõe também com o silêncio. Para Pascoal Soto, o livro pode ser lido como um acesso a esse território íntimo do autor.
“Imagine-se em um quarto escuro, carregando nas mãos uma máquina fotográfica daquelas antigas, com um único flash. O quarto é habitado, está cheio, pois que se podem ouvir os burburinhos, os rangeres de móveis, os sussurros, os risos desenfreados, os murmúrios, uma canção ao longe, a respiração e a voz de alguém que fala enquanto sonha. Uma foto e mais nada: é só o que você tem, e é tudo – pelo menos por ora. Pequenos sigilos é a cena que aparece nesse quarto-alma que existe dentro de Chico Chico e que ele nos permitiu fotografar. Por meio de poemas, pequenos contos — ora realistas, ora oníricos —, pensatas ou prosa poética da melhor espécie, Chico Chico nos revela alguns dos seus sigilos que, combinados, fazem dele o que é: um dos mais talentosos artistas surgidos na cena cultural brasileira e um ser humano da melhor espécie", diz o prestigiado editor ao PublishNews.
No prefácio, o poeta Geraldinho Carneiro lê essa multiplicidade como um traço de força. “Às vezes seus poemas parecem canções”, observa o imortal da Academia Brasileira de Letras, letrista conhecido por parcerias com Francis Hime, Wagner Tiso e Egberto Gismonti, entre outros nomões. Ainda na apresentação, Geraldinho destaca versos como “O valor está na queda / e a poesia é um salto”, apontando para uma escrita que nasce entre forma e impulso, como nas melhores canções brasileiras.
Lançamentos
Rio de Janeiro (RJ)
Quando: quarta-feira, 15 de abril, às 19h
Onde: Livraria da Travessa Ipanema
Salvador (BA)
Quando: sábado, 18 de abril, às 19h
Onde: Livraria Leitura Shopping Paralela
São Paulo (SP)
Quando: quarta-feira, 22 de abril, às 19h
Onde: Livraria Martins Fontes Consolação
Brasília (DF)
Quando: sexta-feira, 24 de abril, às 19h
Onde: Livraria Leitura ParkShopping Brasília
Goiânia (GO)
Quando: quinta-feira, 29 de maio, às 19h
Onde: Livraria da Vila Goiânia






