
O carnaval passou e é hora de voltar com essa coluna! Mas nem por isso não vai ter praia e mate neste primeiro texto de 2026!
Era um domingo de fevereiro — com menos sol do que a gente gostaria — na Praia do Flamengo. Mesmo assim tinham guarda-sóis abertos, gente caminhando pelo calçadão, mate sendo vendido! O mais legal é que no meio disso tudo tinha gente lendo na praia e trocando livros entre si, autores batendo-papo e uma roda de samba!
Assim foi nosso primeiro leituraço na praia.
Ao longo da tarde, mais de 500 livros mudaram de mãos. A ideia era que cada um levasse um livro que já leu pra trocar por um outro que ainda não tivesse lido. Nossa ideia era colocar as histórias pra circularem e encontrarem novos leitores. Fiquei pensando que, no fundo, o que estava acontecendo ali era um pequeno experimento cultural.
Porque ainda hoje existe uma associação muito forte entre livros e certos lugares específicos. A biblioteca. O quarto silencioso. A poltrona confortável. Como se a leitura precisasse de um ambiente apropriado para acontecer, quase como um ritual que exige as condições certas.
Curiosamente, outras formas de entretenimento já romperam essa barreira há muito tempo. A música está na academia, no metrô e na corrida de rua. Séries e vídeos acompanham as pessoas no transporte público. Games aparecem em qualquer lugar onde alguém tenha alguns minutos livres. O entretenimento se espalhou pelo cotidiano.
O livro, apesar de todas as suas possibilidades e toda sua portabilidade, ainda ocupa menos desses espaços do que poderia.
Foi exatamente por isso que levar livros para a praia fez tanto sentido. Quando você coloca um livro ao lado de guarda-sóis e cadeiras de praia, você envia uma mensagem simples: a leitura também pode fazer parte da vida cotidiana, sem cerimônia. Não é preciso esperar o momento ideal, o silêncio perfeito ou o ambiente certo. O livro pode estar ali, junto com tudo o que já faz parte da nossa rotina.

Outra coisa legal do leituraço foi a troca de livros. Todo mundo tem em casa algum livro que já leu e que ficou parado na estante. Ao mesmo tempo, todo mundo tem curiosidade por novas histórias. A troca conecta essas duas coisas.
Trocar livros é uma forma muito interessante de economia circular cultural. Um livro usado não é um livro velho. É um livro pronto para continuar sua jornada. Cada nova leitura acrescenta mais uma camada de história ao próprio objeto. E muitas vezes o livro que chega até você não é o best-seller do momento, mas uma descoberta inesperada.
Talvez aí exista também uma oportunidade importante para o próprio mercado editorial.
Se a gente quer que o livro esteja em todos os lugares, ele precisa sair da lógica de vitrine estática e virar experiência em qualquer lugar.
Livros precisam aparecer em mais contextos: em eventos culturais, em parques, em praias, em bares, em clubes de leitura, em festivais, em encontros entre pessoas. Quando o livro ocupa novos espaços, ele deixa de ser apenas um produto disponível para compra e passa a ser parte da vida social.
Livro não é só algo que se vende. Livro é algo que circula.
Isso não significa abandonar livrarias, bibliotecas ou plataformas digitais. Significa ampliar o território da leitura. Porque toda vez que um livro aparece em um lugar onde ele normalmente não estaria, algo interessante acontece: alguém descobre que ler pode ser mais simples, mais próximo e mais natural do que imaginava.
No fim das contas, promover leitura talvez seja também uma questão de geografia cultural. Onde os livros estão?
E, talvez mais importante ainda: que outros lugares eles poderiam ocupar?
Palme é um profissional do mercado de publishing, liderando e sendo pioneiro em importantes inovações do setor, especialmente com conteúdos e negócios digitais.
Possui mais de 20 anos de carreira, sendo 13 deles no mercado de livros e na liderança de projetos que envolvem marketing, tecnologia e principalmente conteúdos em todos os seus formatos. Nos últimos anos liderou projetos que somam mais de 12 mil horas de conteúdo em áudio, entre audiolivros, podcasts e audioseries. Liderou também toda produção da versão brasileira dos audiolivros da saga de Harry Potter.
Atualmente, é head da Estante Virtual, marketplace de livros do Magalu, e também segue como colunista, professor, mentor e coordenador da Comissão de Inovação e Tecnologia da Câmara Brasileira do Livro (CBL).
** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews
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