
O livro é uma obra autobiográfica em que a autora narra passagens de três gerações de mulheres, figurando como neta, filha, mulher e mãe. A metáfora central vem do ofício das antigas cerzideiras, costureiras capazes de reparar tecidos de forma tão delicada que quase não deixavam marcas.
“Escrever e publicar Cerzideira foi como um chamado para me reconectar com minhas raizes e reconhecer na história das mulheres que me antecederam, aquilo que estava perdido, em mim e no mundo que enxergo de onde estou. Tudo pelo que estamos lutando hoje, já vem de tanto tempo na minha família e eu senti também essa necessidade de somar essas vozes à minha escrita”, diz Patrícia, sócia de Andréa Samico na Interseção.
O prefácio é assinado pela escritora e jornalista Bianca Ramoneda, que observa: “Se ilude quem acha possível somente assistir a autora cerzir como se de outras pessoas as histórias fossem. Na trama feminina que atravessa o tempo, elas somos nós. A cada página nos reconhecemos”.
Escrito ao longo de dois anos, com pausas para pesquisa, Cerzideira foi construído a partir de fotografias, cartas e diários, em um processo de autoconhecimento que costura memórias ancestrais e relatos contemporâneos, incluindo a experiência da autora ao atravessar um tratamento oncológico.
A inspiração para o título veio de cartões de visita encontrados com a inscrição “cerzideira invisível”. Segundo a autora, sua bisavó utilizava esses cartões para escrever versos, na falta de papel. A chef de cozinha Roberta Sudbrack, que assina a orelha do livro, comenta: “Uma pessoa que escrevia poesias em cartões de visita, que sua filha lhe trazia, pois não tinham, naquela época, dinheiro para comprar um caderno, por si só já é uma poetisa”.






