
Na primeira semana de dezembro de 2025, a ilustradora e editora Fran Junqueira — outra ilustre moradora da Urca — puxou para si mais um título, o de livreira, ao inaugurar na Rua Marechal Cantuária, 102, loja C, a pequena grande Livraria Ceci. Além dos títulos de sua editora Tigrito, especializada em leituras infantojuvenis desde 2018, a Ceci nasce com uma curadoria afinada com a produção literária contemporânea brasileira, reunindo autoras e autores negros, indígenas e pensadores que elaboram o Brasil de hoje.
E a Ceci vem surpreendendo neste pouco mais de um mês em atividade. “A busca foi muito grande pelos clássicos. As pessoas estão muito interessadas em ler livros densos, de autores consolidados, e a procura por literatura contemporânea brasileira também está impressionante. Vivemos um momento bom nesse sentido”, pontua Fran. Atenta a esse interesse crescente pela literatura nacional, ela planeja iniciativas que incluem a celebração dos 80 anos do antológico Sagarana, de João Guimarães Rosa (1908–1967), com a criação de um clube de leitura dedicado ao autor — este ano, o Grande sertão: veredas completa sete décadas.

Fran projeta incrementar a Ceci com atividades voltadas à formação e ao encontro. “Vai ter também um clube de leitura só de mulheres, um curso de ilustração em aquarela para adultos e um curso de escrita que uma amiga querida, a Vivian Curvello, já faz em Ipanema. Queremos abrir uma turma para o público da Urca”, enumera, animada em tirar os planos do papel. A proposta dialoga com o perfil do bairro, que abriga diversas escolas e duas universidades, a UniRio e a UFRJ, apontando a livraria como espaço de circulação de leitores, estudantes e criadores.
A Ceci foi pensada nos mínimos detalhes. O espaço mantém o azul e o branco que remetem ao mar e ao céu, com nuvens passageiras e elementos das profundezas das águas. Um coral na vitrine e uma sereia leitora convidam quem passa pela calçada a cruzar a porta de entrada. “A decoração foi toda baseada nas cores marítimas para criar esse clima e eu queria uma imagem feminina, como o nome da livraria. Escolhi a sereia”, explica Fran.
Ela vem recebendo um número expressivo de turistas na acolhedora loja. Por isso, a Ceci incorpora também peças de arte popular brasileira, como impressos e esculturas de barro, deixando as raízes culturais à mostra. Raízes que dialogam com a potência das livrarias de rua em uma cidade que clama por atividades ao ar livre e convida moradores e visitantes a circular a pé, transformando o cotidiano em descoberta, o tempo todo.
“O bairro está muito receptivo, todas as pessoas que visitam a Ceci sorriem e demonstram vontade de participar. Entram aqui agradecendo, como um grande presente para o bairro. Penso que a maioria reconhece a livraria como um lugar de formação, de encontro e de vida. Isso está sendo muito legal de ver”, comemora a livreira, ligada no movimento recente de novos pequenos comércios na Urca. A Ceci é vizinha de uma cafeteria e de uma loja de cerâmica também recém chegadas.
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