
Além de vencedor da categoria de prosa do Prêmio Oceanos, Ressuscitar mamutes foi lembrado na lista de finalistas de Romance Literário do Prêmio Jabuti e de Melhor Romance, do Prêmio São Paulo de Literatura. Vencedoras do Oceanos em 2025, Silvana Tavano e Ana Maria Vasconcelos marcaram o feito de ser a primeira dupla de um país (categorias Prosa e Poesia) a ser premiada em uma mesma edição do Oceanos.
No anúncio de Ressuscitar mamutes como vencedor, o curador Manuel da Costa Pinto definiu o segundo romance de Silvana Tavano como “uma narrativa que aborda de modo imaginativo e comovente as possibilidades de lidar com o tempo, de fazer uma redenção e uma modificação do passado (e, portanto, do futuro) pela imaginação". Agora, Silvana Tavano respondeu a três perguntas do PublishNews.
PublishNews — O livro Ressuscitar mamutes esteve presente entre semifinalistas e finalistas de alguns dos principais prêmios literários em língua portuguesa no ano passado. A presença de autoras mulheres nas premiações deste ano têm variado (com uma paridade no Prêmio São Paulo e uma disparidade no Jabuti, por exemplo). Como você enxerga a participação de autoras nos prêmios literários nos últimos anos?
Silvana Tavano — Em 2022, cinco escritoras foram finalistas do prêmio Jabuti na categoria Romance Literário. Não foi assim neste ano, e quero crer que os jurados escolheram os títulos a partir de critérios literários. Em compensação, há sete títulos assinados por escritoras entre os finalistas do Prêmio São Paulo. Creio que a presença de autoras nas listas dos principais prêmios literários é um reflexo do que a gente vê nas livrarias, a imensa quantidade de livros escritos por mulheres, autoras consagradas e muitas, tantas jovens e talentosas escritoras. Certamente as mulheres vêm publicando mais, e a participação feminina cada vez maior nos clubes de leitura sugere que elas também estão lendo mais ficção.
PN — Qual a sua relação com a morte e com a ideia de um fim? De alguma forma suas percepções sobre essas ideias se encontram em ‘Ressuscitar mamutes’?
ST — “A coisa mais difícil do mundo é viver só uma vez”: a primeira frase de O imperador da felicidade, do vietnamita Ocean Vuong, diz exatamente o que eu penso. É o que está por trás das vidas que a narradora dos Mamutes inventa. Só a literatura nos dá a chance de superar a mortalidade, de viver outras vidas e de viajar no tempo.
PN — Você tem ampla experiência na publicação de livros infantis. Como a sua vivência de autora inspira seu olhar na escrita de seus romances, teoricamente voltados para um público adulto?
ST — Depois de escrever dois romances para o público adulto, me dei conta de que continuava perseguindo um tema sempre presente nos meus livros para crianças e jovens -- o tempo, os ciclos, finais e (re)começos. Muda o registro, certamente muda a forma, mas é sempre a mesma autora olhando para o que a provoca.






