
A relação direta entre uma boa gestão de pessoas e o lucro de uma empresa é cada vez mais clara nos dias de hoje. Para Bárbara Vidal, gerente de RH da Companhia das Letras, a área deve ser ponte entre diferentes departamentos das empresas, e pode ser facilitadora de processos de conexão, com foco na promoção da colaboração.
Bárbara começou sua trajetória na comunicação, mas foi na área de pessoas que realmente se encontrou. Ela é uma das coautoras do livro Experiência do colaborador – Na teoria e muita prática (Rokkets Editora) e de RH e tecnologia, da REDE Líderes. "Gosto de unir sensibilidade e dados para apoiar processos de transformação cultural e gestão da mudança — sempre com foco em gerar prosperidade para as pessoas e para o negócio", estampa em seu perfil profissional no Linkedin.
A profissional é presença confirmada na cerimônia da segunda edição do ranking “Melhores Empresas Para Trabalhar – Mercado Editorial”, uma parceria do Great Place to Work e do PublishNews, que será realizada no dia 16 de dezembro, na Biblioteca Parque Villa-Lobos, em São Paulo (SP). As inscrições para participar do evento estão abertas até esta sexta-feira (12). Clique aqui para saber mais.
Bárbara Vidal respondeu a três perguntas do PN.
Publishnews – Qual o papel estratégico da área de gestão de pessoas hoje dentro de uma grande editora no Brasil? Especialmente em comparação a outras áreas, como aprimoramento tecnológico interno e inovação, por exemplo?
Bárbara Vidal – O lugar estratégico do RH é pensar como as pessoas podem ser potencializadas em suas funções para desenvolver o melhor trabalho possível, sempre buscando uma relação ganha-ganha. Essa área deve ser ponte e criadora de pontes também. É sempre importante, ao montar uma estrutura de RH, que é uma área de gestão de pessoas, pensar na empresa de forma 360 graus. O que quero dizer com isso? Pensar sempre em como cada área se conecta (ou precisa se conectar), para gerar mais valor. Vejo a área de Pessoas como facilitadora desses processos de conexão, com foco na promoção da colaboração entre todas as áreas, mas principalmente as de negócio, como Comercial, Editorial e Marketing, e no suporte aos gestores e demais colaboradores. Na área de gestão de pessoas vejo tecnologia e inovação caminhando juntas, praticamente inseparáveis, sempre com o objetivo de gerar uma experiência melhor às pessoas, tornando o dia a dia de trabalho mais fluido para que elas possam focar a maior parte do tempo delas no que fazem de melhor. Penso que a inovação pode ser implementada nas pequenas atividades do dia a dia, aproveitando as ferramentas disponíveis no mercado, assim como as que têm surgido a cada ano. O uso da tecnologia para aplicação de pesquisas e análise de dados é fundamental para a área de gestão de pessoas. É por meio dessas ferramentas que criamos planos de ação assertivos e possíveis de mensurarmos o sucesso deles, além de reduzir vieses (conscientes e inconscientes) e reforçar os aspectos democráticos no processo de escuta.
PN — Como uma política bem definida de gestão de pessoas pode contribuir de maneira significativa nos resultados das empresas?
BV — Uma política bem definida de gestão de pessoas é fundamental para o bem-estar das pessoas e a prosperidade das empresas, isso porque pesquisas da McKinsey mostram que empresas com uma forte cultura de gestão de pessoas têm um desempenho 30% melhor em termos de lucro. E aqui ainda reforço a importância de uma área de RH nas editoras trabalhar intencionalmente aspectos de diversidade e inclusão: num ambiente de trabalho em que cada um pode ser quem genuinamente é, o bem-estar aumenta e cada um potencializa o que tem de melhor para aquele coletivo. Esses pontos nos ajudam a reforçar o propósito deste próprio mercado, como garantir a pluralidade de pensamento que a literatura promove na nossa sociedade.
PN —Como a gestão de pessoas impacta na percepção das pessoas/clientes/leitores sobre uma empresa?
BV — Nossos primeiros leitores são sempre os nossos colaboradores e colaboradores que se sentem valorizados e reconhecidos, trabalham melhor e entregam um resultado melhor. Não à toa existe uma relação direta e causal entre a satisfação e lealdade do cliente e a do colaborador. Pesquisas da Gallup indicam que empresas com alta satisfação dos funcionários têm clientes mais satisfeitos e leais. E isso se torna ainda mais relevante no mercado editorial, no qual parte do sucesso depende da conexão emocional com o público. Assim, investir em uma gestão de pessoas eficaz não apenas melhora o ambiente de trabalho, mas também fortalece a reputação das editoras e a lealdade dos leitores. Nosso mercado é de nicho e com profissionais extremamente especializados e com alto nível de criticidade. Então, trazer a pauta de gestão de pessoas é um desafio por si só, pois é necessária muita profundidade, transparência e co-construção. Não existe fórmula para gestão de pessoas, em cada editora vai ser de um jeito, sempre reforçando a identidade de cada uma. E essa identidade é construída de forma coletiva.






