
"A temporada Laranjeiras é feita de vizinhança: autores que moram no bairro, uma organizadora que o atravessa todos os dias e uma designer que cria com o olhar de quem conhece cada janela. São plaquetes que celebram a vida literária e musical desse lugar tão especial do Rio", adianta a livreira Martha Ribas, sócia da Janela Livraria e da MapaLab. A noite de autógrafos dos novos títulos será nesta sexta (12), às 19h, com bate-papo, na unidade do bairro homenageado.
As histórias vividas no bucólico bairro povoado por músicos, jornalistas, atores e escritores inspiraram Rachel Valença, Paulo Roberto Pires, Pedro Paulo Malta, Cecile Mendonça, Roberto Muggiati e Maria Cecilia Brandi a amarrar tramas e personagens nos livrinhos gostosos e rápidos de serem lidos Aqui nasceu Lima Barreto, Criança de botequim, Laranjeiras dá música, Língua sem chão, Mistério da Glicério e Prolactina, respectivamente. O preço médio de cada livro é de R$ 30.
As plaquetes remontam ao século XVI, tão logo a imprensa foi inventada. Começaram a ser impressas em pequenas tiragens, como uma forma barata e eficiente de fazer as ideias circularem. Em 2023, a MapaLab ressuscitou o formato que já vem sendo copiado por outras editoras. Os leitores gostaram — e os escritores também! A casa editorial vêm recebendo textos inéditos e promessas de felicidade.

Pesquisadora, jornalista e escritora, Rachel Valença é moradora do bairro e autora de um novo título, Aqui nasceu Lima Barreto. “Fui deixando fluírem as memórias literárias e afetivas de Laranjeiras, começando lá atrás com a poeta Ana Amélia, mulher extraordinária, e chegando até nossos dias com esse fantástico Gregório Duvivier, capaz de levar poesia às gerações mais jovens. O livro fala de gente daqui, como foram Lima Barreto, Machado de Assis e tantos outros", disse Rachel. A sua plaquete recompõe as camadas históricas e literárias de Laranjeiras e Cosme Velho, revisitando cronistas, moradores ilustres e episódios que costuram a geografia da memória.
As seis plaquetes que vêm aí se juntam a um acervo já considerável, com 18 títulos da primeira temporada, assinadas por autores como Bianca Ramoneda e Sérgio Rodrigues; 21 da segunda temporada, que traz nomes como Ruy Castro e Eliana Alves Cruz; 12 da temporada especial Rádio Novelo Apresenta, de não ficção, escrita pela equipe da fábrica de podcasts (Flora Thomson DeVeaux e Paula Scarpin estão lá); 15 da terceira temporada, com obras escritas por Alexandra Maia e Jessé Andarilho.
A multiplicação das plaquetes pode ser lida nas dez plaquetes jovens, com boas promessas à nossa literatura; nas quatro de artes visuais, em parceria com a Pinakotheke, além de plaquetes avulsas, que não integram nenhum coleção específica. E também nasceram em quatro as plaquetes sobre times cariocas de futebol, chamada Domingo eu vou para o Maracanã — Pedro Bial escreve sobre o Fluminense e Hélio De la Peña sobre o Botafogo.
Botafogo, aliás, é o time do cantor, jornalista e pesquisador Pedro Paulo Malta, que escreveu sobre a música que agita a General Glicério desde o século XIX em Laranjeiras dá música. “A minha plaquete é um breve roteiro musical histórico de Laranjeiras. Curiosamente é um bairro muito pouco lembrado quando se conta essas histórias, mas foi aqui onde nasceu Heitor Villa-Lobos na Rua Ipiranga, onde nasceu e viveu Custódio Mesquita”.
“É o bairro onde Vinicius de Moraes compôs os afro-sambas com o Baden Powell, e onde Moacir Santos se inspirou no lago do Parque Guinle para fazer a Coisa nº 5 (Nanã). Foi também onde Cartola curtiu as suas primeiras aventuras carnavalescas e viu o Fluminense ser construído e onde Pixinguinha e Os Oito Batutas passaram. Nassara, o imenso caricaturista, viveu aqui na Belisário Távora e, pouca gente sabe, mas o Milton Nascimento veio ao mundo na Maternidade Escola do bairro", rebobina Pepê, como é conhecido nas ruas e cantorias da cidade.
As seis plaquetes da temporada Laranjeiras abraçam histórias, afetos e pesquisas que revelam a energia luminosa do bairro. Em Criança de botequim, Paulo Roberto Pires retorna às mesas dos bares onde cresceu para reconstruir, em tom de crônica e memória, a linhagem boêmia que moldou escritores e cariocas. Em Língua sem chão, Cecile Mendonça transforma os gestos da dança, o luto e as travessias urbanas em versos que investigam corpo, vínculo e delicadezas quase imperceptíveis.
O enredo de Mistério na Glicério, de Roberto Muggiati, injeta sabor de folhetim policial na praça mais emblemática da região, com um crime envolvendo músicos, paixões e bastidores que dialogam com a sua longa trajetória no jornalismo cultural. Prolactina, de Maria Cecília Brandi, apresenta a jovem Lorena às encruzilhadas dos vinte e poucos anos, filtrando dilemas contemporâneos por uma escrita originalmente gestada em espanhol e afinada por sua sólida atuação literária e de pesquisa.






