
A Associação Brasileira de Livros e Conteúdos Educacionais (Abrelivros) lança a quinta edição do seu anuário com os professores no centro da discussão sobre os rumos da educação brasileira. Com o tema “Profissão Professor”, o Anuário Abrelivros 2026 reúne dados sobre formação, carreira, remuneração e condições de trabalho dos docentes, discute o risco de falta de profissionais nos próximos anos e dedica parte da publicação de 104 páginas à relação dos educadores com os livros e materiais distribuídos pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). A publicação também apresenta os números do programa em âmbito nacional e por unidade da federação.
O retrato traçado pelo anuário parte de um contingente de 1.908.735 professores na Educação Básica pública. Sete em cada dez têm mais de dez anos de carreira e cerca de 60% estão entre 30 e 49 anos. Apesar da experiência acumulada, os docentes com Ensino Superior completo recebem, em média, 14% menos que profissionais de outras áreas com o mesmo nível de escolaridade. Quase 80% já pensaram em abandonar a profissão movidos pela falta de valorização, indisciplina e desinteresse dos alunos, falta de apoio da sociedade e baixa remuneração.
A formação e a capacidade de atrair novos profissionais também aparecem como desafios ao setor. O anuário resgata e analisa uma previsão do Semesp: podem faltar até 235 mil professores no Brasil em 2040, resultado da combinação entre envelhecimento dos docentes, baixa atratividade da carreira e evasão nas licenciaturas. A estimativa considera que o país precisará de cerca de 1,97 milhão de professores daqui a 14 anos e contar com apenas 1,74 milhão.
O tema ganha outra dimensão com o novo Plano Nacional de Educação (PNE), para o período de 2026 a 2036. Entre os objetivos destacados pelo Anuário estão garantir que todos os docentes da Educação Básica tenham formação específica em nível superior no prazo de cinco anos e elevar para 70% a parcela de professores com pós-graduação.
O livro na sala de aula
Para o mercado editorial, um dos recortes mais interessantes vem da Pesquisa PNLD, realizada em 2025 pelo Ministério da Educação (MEC), com apoio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O levantamento recebeu 83.217 questionários de professores da Educação Básica, além de 2.098 entrevistas qualitativas com docentes dos Anos Finais do Ensino Fundamental. Foram ouvidos profissionais de 25 estados e do Distrito Federal.
Entre os participantes, 97,8% afirmam conhecer o PNLD e 98,5% consideram que o programa contribui para melhorar a qualidade do ensino. Os materiais do programa são o principal recurso didático utilizado nas escolas por 77,5% dos professores ouvidos. A pesquisa também mostra espaço para aperfeiçoamentos: mais da metade dos docentes aponta a falta de representatividade local nos materiais como um problema, e há demanda por mais atividades, exercícios de diferentes níveis e formação continuada específica para o uso das obras.
A publicação aborda ainda a formação continuada e o papel que os materiais destinados aos professores podem exercer nesse processo. Segundo o Anuário Abrelivros, os manuais exigidos pelo MEC passaram a incorporar orientações voltadas ao cotidiano da sala de aula, enquanto editoras que participam do PNLD também ampliaram a oferta de plataformas, conteúdos e ações de formação.






