Feira de Frankfurt publica relatório sobre uso de IA em audiolivros
PublishNews, Redação, 09/09/2026
Baseado em entrevistas com 85 especialistas do setor mundial, relatório traça avanço da tecnologia de IA nos bastidores da indústria de audiolivros

© Magnific
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A Feira do Livro de Frankfurt lançou, há alguns dias, um relatório intitulado Quem está narrando o futuro? Adoção, uso e perspectivas da IA na produção de áudio (tradução livre de Who is narrating the future? AI adoption, use and outlook in audio production), pesquisado e escrito pelo portal Dosdoce.com. O estudo global examina como o uso de inteligência artificial está remodelando a produção de audiolivros, novelas em áudio e podcasts. O resultado final dele é baseado em pesquisas e relatórios anteriores que a Dosdoce.com e a Feira do Livro de Frankfurt lançaram nos últimos três anos para analisar como a tecnologia está sendo utilizada no setor.

A partir da cobertura dos acontecimentos do mercado e o desenvolvimento das ferramentas de IA, o texto publicado pelo Publishing Perspectives ressalta que não é uma novidade que a maioria dos entrevistados tenha mudado de uma postura cautelosa ou totalmente contrária ao uso de IA, nos últimos um ou dois anos, para uma postura de exploração e experimentação com a tecnologia em uma ou mais fases da produção de audiolivros.

Dos participantes da pesquisa, 17% responderam que integraram a IA em mais de seis fases de seu fluxo de trabalho de produção. Isso fornece evidências de que a adoção está mudando de experimentação para integrante da infraestrutura operacional. No entanto, o relatório observa que, embora a adoção de IA na indústria editorial de áudio esteja crescendo, ela não está sendo adotada no mesmo ritmo de indústrias criativas semelhantes, como música, televisão, cinema e jogos.

"Em menos de um ano, observamos a postura da indústria em relação à IA mudar de 'progressiva cautelosa' para 'testando ativamente e redefinindo os processos de produção'. Mais de dois terços dos profissionais que entrevistamos estão agora avaliando ferramentas de IA e construindo fluxos de trabalho reais em torno delas — não apenas conversando sobre isso em conferências", declarou em nota Javier Celaya, fundador da Dosdoce.com.

"Mas a adoção não é uniforme: 85% usam IA em algum ponto de sua cadeia de produção de áudio, contudo apenas 17% a incorporaram em mais de seis fases. O número principal das manchetes e a realidade operacional são duas histórias diferentes", diz Javier.

Detalhes da pesquisa

O relatório foi construído a partir de entrevistas com 85 especialistas do setor mundial — sendo estes 50% de estúdios de produção de áudio, 36% de editoras e 14% de plataformas de streaming ou distribuidoras na Europa, América Latina, América do Norte, África e Oriente Médio — para obter uma imagem clara das tendências de uso, no qual a indústria está focando a adoção e os benefícios e desafios da tecnologia.

A partir dos resultados, as editoras parecem estar usando mais a tecnologia na otimização de fluxos de trabalho, expansão na a produção de títulos de catálogo (backlist), para diversificar idiomas e sotaques, para construir infraestrutura e tornar a produção de audiolivros mais barata em mercados em desenvolvimento.

O texto destaca que os entrevistados assumiram a posição de adotar a tecnologia para que a IA seja usada em conjunto com humanos, e não para substituí-los — tanto no processo de produção quanto na narração.

"O surgimento de empresas africanas de voz por IA é um desenvolvimento encorajador, e esperamos ver um progresso contínuo na qualidade, diversidade e prontidão comercial das vozes africanas para narrações de longa duração", disse Ama Dadson, fundadora e CEO da AkooBooks Audio (de Gana) e Embaixadora de Áudio da Feira do Livro de Frankfurt, a quem a Publishing Perspectives entrevistou recentemente sobre o crescente mercado africano de audiolivros.

Embora os provedores de tecnologia prometam uma economia de custos de 85% a 95%, o que os entrevistados relataram foi consideravelmente menor do que isso (20% e 50% no segundo e terceiro ano de adoção de IA, respectivamente). O relatório observa que essa diferença pode ser decorrente do uso de IA em apenas uma ou duas etapas do processo de produção, e não em todo o fluxo de trabalho de produção. Embora a redução de custos e a velocidade do processo de produção sejam dois motivos importantes para usar a IA na produção de audiolivros, 86% dos entrevistados citaram a qualidade da voz e a transparência de direitos autorais, e 79% citaram a privacidade de dados ao escolher fornecedores com os quais trabalhar, demonstrando cautela no uso dessa tecnologia.

Independentemente de haver hesitação em torno do uso de IA ou não, cerca de 86% dos entrevistados disseram esperar um crescimento disruptivo ou moderado do setor atribuível à IA nos próximos três anos, prevendo um crescimento contínuo na expansão de catálogos de audiolivros para obras de catálogo (backlist), acadêmicas, de nicho e em outros idiomas além do inglês, que antes eram economicamente inviáveis.

Veja alguns insights do relatório

  • 85% dos profissionais usam ferramentas de IA em algum ponto de sua cadeia de produção de áudio
  • 17% integraram a tecnologia de forma profunda, em mais de seis fases do fluxo de trabalho de produção
  • 15% optaram por se manter estritamente humanos, devido a fatores de filosofia de marca (human-first), falta de interesse pessoal ou restrições técnicas de idiomas
  • De acordo com o relatório, 50% das barreiras para a expansão do uso de IA vêm de limitações definidas por agentes literários, editoras e autores

É possível acessar o relatório da Feira do Livro de Frankfurt pelo link.

[09/09/2026 10:44:33]