Papo de Mercado destaca mulheres como 'motor do setor'; veja balanço de vendas da Bienal
PublishNews, Beatriz Sardinha, 06/09/2026
Painel ressaltou impacto das mulheres nas pesquisas de venda e leitura de livros

Talita Fachhini, Mariana Bueno, Ellen Costa e Lulie Macedo | © PublishNews / Beatriz Sardinha
Talita Fachhini, Mariana Bueno, Ellen Costa e Lulie Macedo | © PublishNews / Beatriz Sardinha
Um dos temas de destaque do Papo de Mercado no primeiro final de semana da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo foi o protagonismo feminino nas pesquisas de compra e de leitura de livros, mais especificamente o destaque que mulheres pretas e pardas da classe C entre os números. Perto do intervalo da hora do almoço, Mariana Bueno (Nielsen), Ellen Costa (Aleph) e Lulie Macedo (Todavia) falaram dos resultados das principais pesquisas do mercado, realizadas pela Nielsen e pela Pró-Livro, além de suas vivências de mercado com a mediadora e curadora do espaço, Talita Facchini.

Neste ano, Bienal de São Paulo abriu as portas para o público com uma área física 28% maior do que na última edição. A expectativa do evento é atrair 700 mil visitantes até o domingo, dia 13 de setembro. Ao todo, são 11 espaços culturais — incluindo a Arena Cultural e o Papo de Mercado — e mais de 350 autores nacionais e internacionais convidados. O país convidado de honra de 2026 é a Espanha.

Mulheres como o motor do mercado editorial

"Fica evidente que a mulher é o motor para esse setor girar". A frase de Mariana Bueno, economista da Nielsen BookData é uma síntese do conteúdo do painel "PublisHer: Quem move o mercado? O poder econômico das mulheres no ecossistema do livro" em que as painelistas Ellen Costa (Aleph), Lulie Macedo (Todavia) e Mariana Bueno (Nielsen) falaram ao público um pouco dos dados recentes do mercado e do lugar central que as mulheres — mais especificamente as mulheres negras e pardas da Classe C — desempenham nas vendas.

Ellen e Lulie comentam que utilizam as pesquisas como Panorama do Consumo, criada em 2023, como uma ferramenta para observar como podem cuidar dos catálogos da Aleph e da Todavia, respectivamente. Historicamente, o mercado do livro brasileiro possui poucos dados. Mais recentemente, o setor editorial brasileiro tem se destacado como 'vanguarda' na América Latina na frente de uma maior profissionalização de dados de mercado, com pesquisas capazes de levantar novos questionamentos de como funciona o perfil de leitura do brasileiro.

A economista Mariana Bueno reforça que esses dados se tornam ainda mais preciosos em um cenário de disputa do mercado do livro com outros setores, como o streaming e relata bom momento do livro em países periféricos: "Os mercados mais maduros se mantém ou apresentam um crescimento muito tímido. Quem cresceu mesmo [com taxas acima de 8%] são mercados mais periféricos, como Latam (América Latina) e Índia, por exemplo".

Um dos contrastes apresentados na conversa veio de uma participação da plateia, que apontava uma comparação entre o perfil de mulheres que consomem o impresso (majoritariamente mulheres não brancas de classes mais baixas), com a maioria das mulheres que consome e-books (brancas pertencentes à Classe A). Diante da pergunta, a gerente de Marketing e Vendas da Editora Aleph destacou a importância de eventos como a Bienal, que se mostram capazes de trazer público para estarem mais próximos do livro, e o poder simbólico em torno do livro e da visão da livraria como um local luxuoso, ainda hostil para boa parte da população. Na visão de Lulie, que teve atuação profissional pela publicidade, a diretora de marketing da Todavia enxerga que há muito ainda a ser melhorado no mercado em alguns dos pilares clássicos do marketing: a praça e o preço. Na visão das painelistas, há muita possibilidade de expansão de demanda no mercado brasileiro, tanto no impresso quanto no digital.

"A informação sobre e-books ainda não chega em muitos lugares. Muitas pessoas de classes mais baixas não sabem que há a possibilidade de você acessar um livro pelo celular.Você tem iniciativas maravilhosas, como o MEC Livros, que podem ainda ser muito mais difundidas", disse Ellen, que fez uma provocação para editoras e demais empresas pensarem campanhas de digital com um olhar para a ampliação do acesso.

Balanço parcial de algumas editoras da Bienal do Livro de São Paulo

Até o momento, as editoras Intrínseca e Rocco enviaram ao PublishNews seu balanço de vendas do primeiro final de semana da Bienal do Livro no Distrito Anhembi. As casas editoriais tiveram alta de faturamento nos dias iniciais de Bienal do Livro em comparação à edição de 2024.

Intrínseca

A Intrínseca registrou um aumento de 88% no faturamento em relação à Bienal do Livro de São Paulo 2024. A participação da autora Lynn Painter tem se mostrado decisiva para o resultado: sete livros da escritora estão na lista de mais vendidos da Intrínseca. Outro destaque é a série Não mexa, livros de terror japonês inspirados em lendas urbanas.

  • Patinando no amor, de Lynn Painter
  • O massacre da família Hope, Riley Sager
  • Melhor do que nos filmes, de Lynn Painter
  • Apostando no amor, de Lynn Painter
  • Não é como nos filmes, de Lynn Painter
  • Confusões do amor, de Lynn Painter
  • Nada é por acaso, de Lynn Painter
  • Mil vezes amor, de Lynn Painter
  • Série Não se mexa, de Mikito Chinen
  • Alchemised #1, de SenLinYu

Rocco

O primeiro final de semana foi histórico para a editora Rocco, que teve o melhor resultado de sua história em aberturas de Bienal: crescimento de 114% do que os dois primeiros dias de 2024, ou seja, a editora obteve mais que o dobro de vendas, em comparação com os dois primeiros dias da última edição em São Paulo.

  • Coração de cristal partido, de Ariani Castelo
  • Ignis Lacrimosa, de Helena Lopes
  • Bons Tempos - Yesteryear, de Caro Claire Burke
  • Kiwi e os garotos perdidos, de Ana Jeckel
  • O abismo de Celina, de Ariani Castelo
  • A hora da estrela, de Clarice Lispector
  • Powerless, de Lauren Roberts
  • Jogos vorazes (nova edição, com capa preta), de Suzanne Collins
  • Fearless, de Lauren Roberts
  • Amanhecer na colheita, de Suzanne Collins
[06/09/2026 18:17:55]