
Mais de um século de literatura de cordel cabe nas 192 páginas de Cordel de todos os tempos, antologia organizada pelo escritor e pesquisador Marco Haurélio que a Palavras Educação lança essa semana, em Rio das Ostras (RJ). O livro reúne autores de diferentes épocas e vertentes do gênero, de pioneiros como Silvino Pirauá de Lima e Leandro Gomes de Barros a nomes contemporâneos como Nilza Dias, Maria Celma e Auritha Tabajara, primeira cordelista indígena do país.
Haverá dois eventos no sábado, 29 de agosto: o primeiro, às 9h, será no Clube de leitura Literatura e Comunidade, no Campus de Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense (UFF); e às 17h, na Livraria Tarrafa (Av. Amazonas, 316, Remanso — Rio das Ostras/RJ), com Marco Haurélio e mediação de André Magri. As inscrições devem ser feitas pelo telefone (22) 99819-4880.
“A ideia era trazer cerca de 20 autores, de diferentes épocas, e apresentar um amplo painel da literatura de cordel, englobando várias faces desse grande movimento poético”, explica o organizador ao PublishNews.
Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a literatura de cordel aparece na antologia em diferentes gêneros e temas, entre narrativas fantásticas, histórias novelescas, biográficas, históricas, fábulas e textos didáticos. O volume também recupera a presença feminina na história do cordel e procura mostrar as transformações da tradição até a produção contemporânea.
Entre os textos selecionados estão História da princesa da Pedra Fina, de autoria desconhecida; A vitória do príncipe Roldão no Reino do Pensamento, de Severino Gonçalves de Oliveira; e O grande debate de Lampião com São Pedro, de José Pacheco da Rocha. A coletânea inclui ainda uma versão em versos de O Corcunda de Notre-Dame, de Victor Hugo, produzida na década de 1930 por Maria das Neves Batista Pimentel, uma das pioneiras do cordel de autoria feminina no Brasil.
“Desde Silvino Pirauá de Lima e Leandro Gomes de Barros, poetas nascidos em meados do século XIX, a Auritha Tabajara, cordelista indígena e contadora de histórias, busquei focar na diversidade temática”, afirma Marco ao PN.
O percurso chega à produção atual com nomes como Nilza Dias, Maria Celma, Josenir Lacerda e Nezite Alencar. Há ainda uma homenagem a Ariano Suassuna (1927-2014) assinada por Bule-Bule e Klévisson Viana e O corcunda e o ranheta, folheto cômico escrito por Marco Haurélio e João Gomes de Sá.
A proposta de atravessar diferentes períodos da história do cordel aparece também no projeto gráfico. O livro é ilustrado com xilogravuras de Lucélia Borges, Nireuda Longobardi, Jefferson Campos, Luciana Costa, Catarina Dantas, Maércio Siqueira e Regina Drozina.
“Do formato do livro às cores das páginas, tudo foi pensado para honrar a tradição do cordel. Rimando com os textos, as ilustrações foram feitas em xilogravura, técnica tradicionalmente empregada nos folhetos. Sete mestres gravuristas da contemporaneidade, mas de diferentes gerações, confirmando que todo tempo é tempo de cordel”, afirma o editor Cândido Grangeiro, em nota de divulgação.






