
Terminou às 22h53 desta terça (11) a cerimônia do Prêmio Jabuti Acadêmico. O evento organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) ocorreu no Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153 — São Paulo / SP). Agora em sua 3ª edição, o prêmio passa a ganhar corpo e identidade, além de tentar começar a pensar soluções para dinamizar a cerimônia, ainda marcada pela longa duração. Cada um dos vencedores das 27 categorias receberá um prêmio no valor de R$ 5 mil. Em 2026, o Jabuti recebeu 2.085 inscrições e este é o primeiro ano da professora Nina Beatriz Stocco Ranieri como curadora. Ao todo, 25 casas editoriais foram premiadas.
Como foi a cerimônia
Desde a entrada dos convidados no teatro, um dos destaques positivos foi a a atração musical Chora - Mulheres na Roda, que musicou a primeira parte da cerimônia. As apresentações de Carolina Chaves (flauta), Geiza Carvalho (percussão), Laila Aurore (cavaquinho) e Samara Líbano (violão 7 cordas) ajudaram a distrair o público da longa duração da premiação, com quase três dezenas de categorias. O cansaço acumulado se refletiu nas categorias derradeiras da noite, quando foi necessária uma correção para que representantes do vencedor da categoria Ilustração — Amigos da Ciência 2: história do nosso planeta (Ruas) — pudessem receber o prêmio. Carlos Ruas e Gui Bon estavam no andar de cima e quase não conseguiram descer a tempo para receber a estatueta no palco.
E para quem acha que o Prêmio Jabuti Acadêmico é só de protocolos e palmas vazias, se engana. Fica claro a todo momento que a plateia — lotada de autores e intelectuais de um grande leque temático — expressam seu humor nerd em reações coletivas a partir de elementos cômicos, como a comoção no anúncio do finalista Guia da cachaça (Senac) da categoria Ciência de Alimentos e Nutrição, ou do título Guia de conduta para mulheres bravas (Orlando), da categoria de Divulgação Científica.
No discurso inaugural da noite, a presidente da CBL, Sevani Matos, exaltou o momento de consolidação do Jabuti Acadêmico e destacou o número alto de inscrições, 2.085, como um sinal de força da pesquisa e da produção editorial acadêmica nacional: "Mais do que um resultado expressivo, ele reflete a diversidade de temas, perspectivas e contribuições que enriquecem o ambiente intelectual brasileiro. Nesta noite, alcançamos homenagens a trajetórias e obras, que deixaram marcas permanentes para o país", disse a líder da entidade do livro.

A curadora Nina Beatriz Stocco Ranieri ressaltou a competência da atuação de seu antecessor Marcelo Knobel. Ela classificou como grandes avanços do regulamento da edição a inserção de uma política de uso da inteligência artificial "em consonância com práticas já adotadas por instituições científicas internacionais de grande relevância". Além disso, comemorou a inserção das categorias de infografia e ilustração científica, além da atualização dos critérios da categoria livro acadêmico clássico, que a partir de agora passa a exigir intervalo mínimo de 15 anos entre a publicação da primeira edição e sua inscrição no prêmio. O livro História das mulheres no Brasil, da historiadora, escritora e professora brasileira Mary Del Priore foi eleito o Livro Acadêmico Clássico 2026. Em uma fala rápida no final cerimônia, a historiadora agradeceu a homenagem e espontaneamente expressou que não havia preparado nada e que brincou: "imagino que todos aqui estejam exaustos".
Neste ano, a entrega do prêmio para José Goldemberg de personalidade acadêmica do ano se deu na metade da cerimônia. Ao longo de mais de sete décadas de atuação, o pesquisador reúne importantes contribuições para as áreas de física, energia, meio ambiente e educação. Em seu discurso, o autor referenciado em mais 22.500 citações em artigos científicos reforçou a força da educação e das políticas públicas."Meu interesse e vocação para me tornar uma cientista se manifestou cedo pela curiosidade permanente de descobrir a causa das coisas, rejeitando explicações religiosas e metafísicas", contou o pesquisador.

Editoras vencedoras da noite, por troféu
Entre as editoras premiadas na terceira edição do Jabuti Acadêmico, o que se viu foi um equilíbrio entre casas editoriais, com as estatuetas do Jabuti distribuídas pelas editoras especializadas e apenas as editoras Perspectiva e Appris com dois jabutis cada. De volta ao mercado editorial há pouco mais de um ano, a Cosac fez jus à sua fama de rigor editorial e levou uma estatueta na área de Historiografia e Arqueologia.
- Perspectiva | 2 troféus
- Appris | 2 troféu
- Autêntica | 1 troféu
- Bambalaio | 1 troféu
- Blucher | 1 troféu
- Conexão Editora | 1 troféu
- Cosac | 1 troféu
- CRV | 1 troféu
- Editora Cortez | 1 troféu
- Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba) | 1 troféu
- Editora da Unicamp | 1 troféu
- Fórum | 1 troféu
- Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) | 1 troféu
- Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) | 1 troféu
- Jandaíra | 1 troféu
- Letra Capital Editora | 1 troféu
- LF Editorial | 1 troféu
- Matrix | 1 troféu
- Mnēma | 1 troféu
- Numa Editora | 1 troféu
- Obras independentes | 1 troféu
- Pallas | 1 troféu
- PUC-Rio | 1 troféu
- Rio Books | 1 troféu
- Ruas | 1 troféu
Lista completa de vencedores do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026
Eixo: Ciência e Cultura
- Administração Pública e de Empresas, Ciências Contábeis e Turismo: Drummond e a Administração Pública: o encontro da poesia com a burocracia na vida e obra de Carlos Drummond de Andrade (Fórum), de Fábio Lins de Lessa Carvalho
- Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais: O jeito Yanomami de pendurar redes (Perspectiva), de Thiago Benucci
- Arquitetura, Urbanismo, Design e Planejamento Urbano e Regional: A beleza da arquitetura contemporânea (Rio Books), de Renato Leão Rego
- Artes: Augusta Candiani: a prima-dona da época de D. Pedro II (Editora da Unicamp), de Andrea Carvalho Stark
- Astronomia e Física: Erwin Schrödinger e a criação da mecânica ondulatória: raízes intelectuais, contexto histórico e desenvolvimento científico (LF Editorial), de Roberto de Andrade Martins
- Ciência da Computação: A teia da causalidade: descobrindo o que realmente move o mundo: o mundo não é feito de coincidências, é feito de fios (Obra Independente), de Williamson J. H. Brigido
- Ciência de Alimentos e Nutrição: Antocianinas: explorando cores, reações químicas, estabilidade, extração, biodisponibilidade e benefícios à saúde (Appris), de Paulo Anna Bobbio "em memória", Paulo Cesar Stringheta
- Ciências Agrárias e Ciências Ambientais: Saúde do solo em ecossistemas tropicais: a base para mitigação e adaptação às mudanças climáticas (Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq)), de Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, Carlos Roberto Pinheiro Junior, Lucas Pecci Canisares, Maurício Roberto Cherubin
- Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia: A Bioinvasão do coral-sol (Bambalaio), de Beatriz Grosso Fleury, Fernanda Araujo Casares, Joel Christopher Creed, Maria do Rosário de Almeida Braga, Simone Siag Oigman-Pszczol (Organizadores)
- Ciências da Religião e Teologia: Brasil africano: orixás, sacerdotes, seguidores (Pallas), de Reginaldo Prandi
- Comunicação e Informação: Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva (Matrix), de Juliana Dal Piva
- Direito: A democracia e o direito depois da pandemia (Perspectiva), de José Eduardo Faria
- Economia: A loteria do nascimento: filha do porteiro termina universidade, mas não alcança filho do rico (Jandaíra), de Fillipi Nascimento, Michael França
- Educação e Ensino: Por um currículo sem fundamentos (Cortez), de Alice Casimiro Lopes
- Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional: Pesquisadoras: transgredindo a hegemonia acadêmica (CRV), de Anna Carolina Souza, Gabriela Conceição de Souza, Rayná Brum Pinto (Organizadoras)
- Enfermagem, Farmácia, Saúde Coletiva e Serviço Social: Gaslighting médico: entre a vida e a morte (Appris), de Victória Fernandes Carneiro
- Engenharias: Biodiesel e renda camponesa: o algoritmo da despossessão (Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba)), de José Antônio Lobo dos Santos
- Filosofia: Gestos curatoriais: Duchamp e Malraux (PUC-Rio, Numa Editora), de Luiz Camillo Osório
- Geografia e Geociências: A produção da fábula do agronegócio no Brasil: novas e velhas faces da dependência (Letra Capital Editora), de Denise Elias
- História e Arqueologia: Sinhás pretas, damas mercadoras: as pretas-minas nas cidades do Rio de Janeiro e de São João Del Rey (1700-1850) (Cosac), de Sheila de Castro Faria
- Letras, Linguística e Estudos Literários: Presente do acaso: um ensaio biográfico sobre Silviano Santiago (Autêntica), de João Pombo Barile
- Matemática, Probabilidade e Estatística: Teoria dos jogos combinatórios em grafos (Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA)), de Nicolas A. Martins, Nicolas Nisse, Rudini M. Sampaio, Samuel N. Araújo
- Medicina: Do achado ao laudo: estratégias de diagnóstico por imagem em endometriose (Conexão Editora), de Ana Luiza Santos Marques (Organizadora)
- Psicologia e Psicanálise: Psicanálise e democracia: interlocuções entre clínica, política e cultura (Blucher), de Gisele Papeti, Helenice Oliveira Rocha (Organizadoras)
Eixo: Ciência e Cultura
- Divulgação Científica: Cosmologias e cosmopolíticas afropindorâmicas (Marcavisual), de Alan Alves-Brito
- Ilustração e Infografia: Amigos da Ciência 2: história do nosso planeta (Ruas), de Carlos Ruas, Gui Bon, Heitor de Sá Oliveira, Júlio Lacerda
- Tradução: A face leste do Hélicon (Mnēma), de Pedro Barbieri
É possível ver como foi a cerimônia na íntegra






