COSAC busca consolidar sua nova marca, atenta ao debate contemporâneo
PublishNews, Guilherme Sobota, 26/02/2026
Desde 2024, a casa já colocou no mercado aproximadamente 30 livros, entre reedições do catálogo e novos títulos, de diferentes áreas, como artes plásticas, cinema, teatro, literatura, ensaio, teoria e história

Entre reedições e novos títulos, a COSAC já colocou 30 títulos no mercado desde o final de 2024 | © Guilherme Sobota / PublishNews
Entre reedições e novos títulos, a COSAC já colocou 30 títulos no mercado desde o final de 2024 | © Guilherme Sobota / PublishNews
Após um ano de funcionamento, a nova COSAC vem se mostrando fiel ao legado de sua antecessora, que deixou uma marca forte no mercado editorial brasileiro e um afã nos leitores atentos à qualidade editorial e ao aspecto gráfico dos livros. A nova editora está agora no caminho de consolidar sua nova marca, atenta às grandes questões do debate contemporâneo.

Desde o lançamento da editora, nos fins de 2024, a COSAC já colocou no mercado aproximadamente 30 livros, entre reedições do catálogo e novos títulos, de diferentes áreas, como artes plásticas, cinema, teatro, literatura, ensaio, teoria e história.

"Eu estava com 59 anos e sentia que ainda tinha força de trabalho a oferecer", explica Charles Cosac sobre a motivação para a nova casa, em entrevista ao PublishNews. "Não queria me aposentar. Naquele momento, dividia-me entre o Rio de Janeiro e São Paulo e, em meados de 2023, retornei definitivamente à capital paulista. Como minha única atividade profissional efetiva sempre foi no universo dos livros — ainda que eu não me considere propriamente um editor —, pareceu natural retomar esse caminho".

Charles conta que, à exceção de algumas reimpressões, os livros são inteiramente novos. "A série Crioula, por exemplo, envolve um amplo trabalho de pesquisa, autorizações e contatos com instituições e arquivos distantes, entre muitos outros processos. Esses projetos começaram do zero", diz. A série tem o objetivo de dar visibilidade a trabalhos inovadores sobre a História do Brasil, lançando luz sobre aspectos da sociedade muitas vezes esquecidos ou intencionalmente ignorados. Entre os livros já lançados, estão Sinhás pretas, damas mercadoras, da professora titular de história aposentada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Sheila de Castro Faria, também coordenadora da coleção; e Segunda visitação da Inquisição à Bahia (1618-1620), de Angelo Adriano Faria de Assis e Ronaldo Vainfas, também da UFF.

Embora os volumes sejam caprichados, em formato 26x19 cm e papel de alta gramatura, no modelo anterior da editora seria muito provável que eles fossem encadernados em capa dura, e não no formato brochura, o atual. Esse é um exemplo da mudança de escala pelo qual a editora passou — hoje, além do fundador, outras 10 pessoas trabalham na Cosac. No auge de sua operação, na primeira metade dos anos 2010, a Cosac Naify chegou a ter 120 funcionários. Quando a editora foi encerrada, em 2016, o déficit financeiro entre investimento e retorno ultrapassava os R$ 100 milhões.

Para Charles, porém, essa percepção — de mudança de escala — não faz sentido. "Começamos, de fato, no final de 2024 e, ao longo de 2025, iniciamos a formação de um núcleo editorial", comenta agora ao PN. "Em meados do ano passado, sentimos a necessidade de abrir um escritório, que hoje existe e está em pleno funcionamento [na Vila Buarque, em São Paulo (SP)]. Mas, respondendo diretamente à sua pergunta, mesmo que eu ainda tivesse um sócio milionário como meu cunhado Naify, não teríamos tido tempo hábil para editar e publicar mais do que isso. Esse é o limite — e não pretendo ultrapassá-lo. Considero 2025 um ano muito frutífero e me dou por satisfeito", atesta.

Charles Cosac em foto de Ding Musa | © COSAC
Charles Cosac em foto de Ding Musa | © COSAC

Negócio

Com cerca de 60 projetos em andamento, a COSAC atende diretamente as redes da Livraria da Vila e da Livraria da Travessa, e trabalha com as seguintes distribuidoras: Inovação, Ramalivros, Catavento, Martins Fontes, Boa Viagem e A Página. No e-commerce, vende para a Amazon e diretamente para os leitores em seu próprio site.

Além de Charles, a casa conta atualmente com quatro sócios: Alberto Rangel, Álvaro Machado, Raul Loureiro e Dione Oliveira.

Quem lidera a operação comercial é Dione Oliveira, diretor financeiro da casa, executivo que também estava na liderança da Cosac Naify. "Fomos muito bem recepcionados pela Livraria da Travessa. Estamos com todos os livros na rede, incluíndo a loja de Portugal, e realizamos, com certa frequência, lançamentos nas lojas. Também estamos com a rede Livraria da Vila e avaliando a expansão para mais redes de livrarias", informa Oliveira ao PublishNews. "A expansão está sendo feita de maneira estratégica e focamos bastante em nosso e-commerce, pois há maior flexibilidade para realizar ações que nos permite dialogar mais rápido com o cliente final. Também estamos na Amazon, mas procuramos distribuir melhor as vendas nos players de mercado", comenta.

Sobre a relação com os varejistas, Alberto Rangel, diretor-executivo da casa, lembra que já em 2015 a Amazon exercia papel relevante no mercado, enquanto algumas das grandes redes varejistas — embora não todas — enfrentavam inadimplência significativa, a ponto de inviabilizar a continuidade da relação comercial com a Cosac Naify e outras editoras. "Atualmente, é fato que a Amazon possui presença dominante no varejo de livros; ainda assim, ela não constitui o principal canal de vendas da editora. Nossa estratégia tem sido o fortalecimento das parcerias com livrarias físicas, que consideramos essenciais e que entendemos devam ser valorizadas, inclusive por seu papel fundamental como vitrine para nossos títulos", anota.

Outra diferença no contexto, desde o fechamento da Cosac Naify em 2016 até o momento atual do mercado editorial brasileiro, é a atenção ao conteúdo digital. "A Cosac sempre foi reconhecida pela qualidade dos projetos gráficos de suas edições, muitos delas ilustradas, de modo que o formato digital tende, em diversos casos, a descaracterizar significativamente nossos livros — havendo situações, como nos livros de arte, em que esse formato sequer se mostra adequado", explica Rangel. "Ainda assim, o tema [dos livros digitais] vem sendo discutido internamente e, também com o objetivo de atender a uma parcela do público que prefere o suporte digital, a editora pretende lançar, em breve, alguns títulos nesse formato, embora o catálogo físico continue sendo o eixo central de nossa atuação editorial."

Para o executivo, o balanço deste primeiro ano de atividades é "bastante positivo", muito por conta do prestígio criado pela marca e pela relação afetiva com os leitores, que permanece intacta, na sua visão. "Embora tenhamos iniciado com livros mais desafiadores, foi um ano consistente, sobretudo pela qualidade e diversidade dos projetos que estão em desenvolvimento", garante.

Para 2026, as expectativas na casa são as melhores possíveis. "Planejamos o lançamento de uma série de títulos de literatura que deve surpreender os leitores, inclusive por reunir obras e autores não tradicionalmente associados à editora", explica. Nas redes sociais, a COSAC já anunciou o lançamento de títulos de nomes como Lena Bergstein, Esther Faingold, Négar Djavadi, Maria Bellonci, além de reedições de livros de Ismail Xavier e de livros de arte, como a Caixa Florindas e Siron Franco na coleção Justo Welang.

"Ao mesmo tempo, seguimos investindo em projetos que dialogam diretamente com a identidade da casa, como a primeira edição em português de L’Art magique, última grande obra de André Breton, além da Caixa Glauber Rocha, entre outros lançamentos", completa Rangel.

A equipe da COSAC em 2026:

  • Charles Cosac – fundador e sócio;
  • Alberto Rangel — diretor executivo e sócio;
  • Álvaro Machado — editorial e sócio;
  • Dione Oliveira — finanças e sócio;
  • Raul Loureiro — design e sócio;
  • Raquel Toledo — gerente editorial;
  • Marcele Rocha e Cecília do Val — comunicação;
  • Marina Mas — assistente de design;
  • João Gabriel Telles — assistente editorial;
  • Diego Cruz — assistente editorial.
Parte da equipe da COSAC no novo escritório na Vila Buarque, em São Paulo; em 2025, Raquel Oliveira (à direita) foi contratada como gerente editorial | © COSAC
Parte da equipe da COSAC no novo escritório na Vila Buarque, em São Paulo; em 2025, Raquel Oliveira (à direita) foi contratada como gerente editorial | © COSAC
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