Leitores avaliam melhor textos de IA quando acreditam que foram escritos por humanos, aponta estudo
PublishNews, Redação, 06/08/2026
Pesquisa foi conduzida por dupla de pesquisadoras americanas 2.587 adultos leitores norte-americanos

© Magnific
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Um estudo publicado pela Cambridge University Press na revista Judgment and decision making colocou leitores norte-americanos diante de três contos literários escritos por autores humanos, e três textos produzidos por inteligência artificial, mais especificamente o ChatGPT. Nesse experimento conduzido por Sydney Sears e Deena Skolnick Weisberg, da Universidade Villanova, um grupo reduzido de 2.587 adultos leitores deram avaliações mais altas às criações sintéticas nos quesitos qualidade e imersão. Quando os textos foram apresentados aos participantes como produções fruto de autoria humana, suas recepções melhoraram, independentemente de sua verdadeira origem. A notícia é do site francês Actuallité.

As fases do estudo

A intenção geral do estudo é a de investitgar como as pessoas percebem histórias de ficção geradas por inteligência artificial. No Estudo 1, 1.682 adultos recrutados pela plataforma Prolific leram um conto escrito por um ser humano ou gerado por IA. Metade deles foi informada de que o texto havia sido escrito por uma pessoa, enquanto a outra metade foi informada de que ele havia sido produzido pelo ChatGPT. Os participantes avaliaram o conto gerado por IA como sendo de maior qualidade e mais envolvente, mas atribuíram notas mais altas em ambos os critérios quando acreditavam que o texto havia sido escrito por um ser humano.

Já nos Estudos 2 e 3 do projeto, 905 adultos recrutados pela mesma plataforma, leram os dois tipos de contos e tentaram identificar a origem de cada um deles. Aqui, os participantes não foram bem sucedidos em distinguir a origem das publicações.

Reflexões diante dos resultados

No documento do estudo, as autoras apontam para a probabilidade das obras de inteligência artificial receberem boas avaliações parte da premissa desses leitores acreditarem que essas obras possuem uma maior facilidade de leitura e interpretação.

"Em razão de preconceitos preexistentes contra a IA, elas podem presumir que poemas ou contos de que mais gostaram necessariamente foram escritos por seres humanos. Assim, esses dois achados acabam se reforçando mutuamente: histórias escritas pelo ChatGPT parecem mais humanas porque despertam uma resposta positiva nos leitores e, justamente por provocarem essa resposta positiva, passam a ser julgadas como obras de autoria humana", descreve o estudo.

O estudo categoriza a criatividade humana em duas etapas distintas: a geração de ideias (ou brainstorming) e a seleção da direção mais promissora a ser desenvolvida a partir do pensamento crítico. A dupla afirma que mesmo com rápida evolução da IA generativa, os modelos de inteligência artificial utilizados no estudo contemplam apenas a primeira das duas etapas da criatividade humana: a de geração de conteúdo. Nesse sentido, Sears e Weisberg argumentam que essa diferença pode ajudar a compreender a recepção positiva das obras de inteligência artificial: "Como esses sistemas se concentram apenas na etapa inicial do processo criativo, eles dispõem de um volume imensamente maior de informações para combinar e transformar em novos conteúdos", explicam.

[06/08/2026 10:28:33]