Morre, aos 51 anos, a crítica literária e pesquisadora Ieda Lebensztayn
PublishNews, Redação, 04/08/2026
De acordo com apuração do PN, Ieda foi vítima de um câncer de útero que se alastrou rapidamente e, na Flip 2026, desmarcou entrevistas sobre Orides Fontela pela doença

Ieda Lebensztayn em frame de vídeo
Ieda Lebensztayn em frame de vídeo
Morreu, aos 51 anos, a crítica literária, pesquisadora e ensaísta Ieda Lebensztayn, uma das principais estudiosas da obra de Graciliano Ramos (1852-1953) e responsável pelo estabelecimento de texto de edições de Vidas secas, Angústia, São Bernardo e Memórias do cárcere, publicadas pela Penguin-Companhia. Ao longo da carreira, dedicou-se também a autores como Machado de Assis (1839-1908), José Paulo Paes (1926-1998) e, mais recentemente, Orides Fontela, (1940-1998) cuja obra ajudou a recolocar em circulação crítica e editorial por meio das reedições publicadas pela Hedra.

De acordo com apuração do PublishNews, Ieda foi vítima de um câncer de útero que se alastrou rapidamente. Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada e doutora em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), Ieda realizou pós-doutorado no Instituto de Estudos Brasileiros e na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.

Publicou Graciliano Ramos e a novidade: o astrônomo do inferno e os meninos impossíveis (Hedra, 2010) e organizou, com Thiago Mio Salla, Cangaços (2014), Conversas (2014) e O antimodernista: Graciliano Ramos e 1922 (2022), todos dedicados ao escritor alagoano. Também organizou, com Hélio de Seixas Guimarães, os dois volumes de Escritor por escritor: Machado de Assis segundo seus pares (Imesp, 2019); com Hélio Guimarães e Luciana Schoeps, Primeiras edições de Machado de Assis na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (2022); e, com Fernando Paixão, os dois volumes de José Paulo Paes: Crítica reunida sobre literatura brasileira & inéditos em livros (2023).

O seu trabalho mais recente esteve ligado à recuperação da obra de Orides Fontela. Além de organizar as novas edições dos cinco livros da poeta pela Hedra, Ieda assinou, ao lado de Augusto Massi e Mário Alex Rosa, a organização de Conversas: escritos e entrevistas de Orides Fontela, lançado na semana da Flip 2026, que homenageou a autora. Chegou a desmarcar entrevistas para falar sobre o livro por problemas de saúde, mas não divulgou qual seria a doença.

Em nota, a Penguin-Companhia destacou que Ieda foi uma "pesquisadora incansável" da obra de Graciliano Ramos e lembrou de sua contribuição para a organização das edições do escritor publicadas pela editora.

A Hedra também lamentou a morte da pesquisadora e ressaltou sua importância para o projeto editorial dedicado a Orides Fontela. "O cuidado com que a poesia de Orides volta agora aos leitores, no ano em que a poeta é homenageada pela Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, deve muito ao rigor, ao companheirismo e à generosidade de Ieda", afirmou a editora, que dedicou à pesquisadora o poema Bem-te-vi, um de seus preferidos.

A Todavia destacou a "grande sensibilidade intelectual" de Ieda e afirmou que ela "renovou nossa compreensão de autores como Graciliano Ramos, Machado de Assis e José Paulo Paes", além de lembrar seu trabalho recente com a obra de Orides Fontela.

O escritor Ricardo Ramos Filho, neto de Graciliano Ramos, também prestou homenagem à pesquisadora. Em publicação nas redes sociais, escreveu: "Ieda era uma pessoa doce, afável, incapaz de uma indelicadeza. Aluna brilhante, estudiosa detalhista da obra do autor de Vidas secas, deixou um trabalho muito importante sobre ele. Investigou também outros escritores, teve na literatura em geral sua maior inspiração, dedicou a ela sua vida."

A causa da morte ainda não havia sido divulgada até o fechamento desta matéria. Uma das fontes falou em um câncer de útero que se alastrou rapidamente.




[04/08/2026 11:49:24]