
Escrita em 1913 e considerada uma das obras inaugurais do modernismo em Portugal, a peça teatral O marinheiro, de Fernando Pessoa (1888-1935), ganha nova temporada em São Paulo, entre os dias 30 de julho e 21 de agosto. Com direção de Elias Andreato, o espetáculo será apresentado às quintas e sextas-feiras, às 20h, no Teatro ºAndar (Rua Dr. Gabriel dos Santos, 88, em Santa Cecília — São Paulo/SP), com elenco formado por Cristina Mutarelli, Michele Matalon e Muriel Matalon. Ingressos custam entre R$ 30 e R$ 60.
Publicado antes mesmo da criação dos heterônimos de Pessoa, O marinheiro já antecipa temas que marcariam a trajetória do escritor português, como a fragmentação da identidade, o sonho, a solidão, a memória e a busca por sentido. Mais de um século após sua escrita, o texto continua mobilizando montagens por seu caráter filosófico e pela linguagem que desafia as convenções dramáticas.
A peça acompanha três mulheres que velam o corpo de uma jovem durante a madrugada. À medida que a conversa avança, o diálogo abandona a lógica cotidiana e mergulha em um território marcado por lembranças, desejos, medos e fabulações.
Na leitura cênica de Elias Andreato, a palavra ocupa o centro da encenação e dialoga com uma cenografia composta por mais de 12 mil metros de corda, além de projeções e um desenho de luz e sombra que reforçam a atmosfera onírica da obra.
"O poeta da minha juventude retorna agora, revisitado na maturidade. Em O marinheiro, Fernando Pessoa nos conduz por uma investigação profunda sobre a existência humana; o sonho vivido e o sonho inventado se confundem. É um texto que continua desafiando artistas e espectadores justamente porque nos coloca diante do mistério de existir", afirma o diretor, no release de divulgação.
Para Andreato, o espetáculo nasceu da escuta atenta da obra e do encontro com uma equipe artística comprometida em revelar sua delicadeza. “As atrizes Muriel Matalon, Cristina Mutarelli e Michele Matalon me permitiram um exercício de simplicidade diante da grandeza criativa de Pessoa. Nunca fui tão feliz em um processo. É como estar diante de um oceano imenso e, ao mesmo tempo, manter a curiosidade de uma criança que deseja mergulhar nessas águas”, destaca, no release.






