Curso da Escrevedeira estuda cinco narradores da literatura brasileira contemporânea
PublishNews, Monica Ramalho, 08/09/2026
Em cinco encontros online, Carlos Eduardo Pereira parte de obras recentes para discutir ponto de vista, ritmo e voz narrativa: 'Cada narrador tem o seu ritmo e isso conta muito, conta tudo'

Carlos Eduardo Pereira © Fábio Mendes
Carlos Eduardo Pereira © Fábio Mendes
Quem conta uma história e o que muda dependendo da voz escolhida para contá-la? O escritor Carlos Eduardo Pereira vai investigar as diferentes possibilidades de construção do ponto de vista no curso online "Quem está falando? Narradores na literatura brasileira contemporânea", promovido pela Escrevedeira entre os dias 24 de setembro e 29 de outubro.

Serão cinco encontros, sempre às quintas-feiras, das 19h às 21h, e o curso sai por 695, que podem ser divididos em até cinco vezes sem juros no cartão de crédito. Autor de Enquanto os dentes (Todavia, 2017), Agora agora (Todavia, 2022) e Bailinho (Baião, 2023), Carlos Eduardo parte da ideia de que a escolha de quem conduz a narrativa é uma das decisões fundamentais da escrita de ficção.

“Se a gente está falando de escrever ficção, considero que a primeira escolha, das muitas que se devem fazer até o texto ficar pronto, e a mais importante, é a escolha de um bom narrador. É desejável que se tenha uma história interessante para contar, é ótimo que os personagens sejam fortes, mas, se a construção de quem conduz a coisa toda for equivocada, essa coisa não tem muita chance de vingar”, afirma ao PublishNews.

Ao longo das aulas, o escritor pretende discutir como a literatura brasileira contemporânea tem ampliado as possibilidades de narração. Para ele, nas últimas décadas, o trabalho com o ponto de vista se diversificou e passou a refletir melhor a complexidade da sociedade brasileira. Entre os caminhos que identifica estão narradores vindos das periferias, narrativas fragmentadas, polifonia e autoficção.

A musicalidade da escrita também estará no radar do escritor carioca. “Acho divertido tentar entender a musicalidade contida nas falas. Cada narrador tem o seu ritmo e isso conta muito, conta tudo”, diz ele.

Entre os livros que integram a programação estão Os imortais, de Paulliny Tort; Ressalga, de Bethânia Pires Amaro; Toda caixa-preta é laranja, de Jeovanna Vieira; O dono e o mal, de Bruno Ribeiro; e Aos pés da letra, de Gregório Duvivier. Todos escritores novos, que estão construindo agora os seus caminhos nas letras.

O professor diz que a cada encontro, trechos das obras servirão de ponto de partida para o debate e também para exercícios práticos de escrita. Ele cita ainda experiências narrativas de autores como Davi Boaventura, Geovani Martins, Elvira Vigna, Santiago Nazarian, Aline Bei, Carola Saavedra, Tatiana Salem Levy e Amara Moira.

Ao comentar Mônica vai jantar (Dublinense, 2019), de Boaventura, por exemplo, destaca o fluxo de consciência que atravessa o romance sem pontuação tradicional; em Via Ápia (Companhia das Letras, 2022), de Geovani Martins, chama atenção para a construção das oralidades.

As aulas serão realizadas pelo Google Meet e ficarão gravadas e disponíveis aos participantes por 60 dias depois do término do curso. A carga horária total é de 12 horas, com emissão de certificado. Interessou? Inscrições aqui!

[08/09/2026 10:44:11]