
PEQUIM, China — A abertura da Feira Internacional do Livro de Pequim (BIBF) se deu nesta quarta-feira (17) em meio a expectativas quanto a seus novos espaços dedicados ao licenciamento de propriedades intelectuais, a expansão do ComicHub e o seu novo Pavilhão Integrado de Edição Digital. Durante a manhã, o Diretor Internacional da feira, Sean Xie, respondeu a perguntas da imprensa, e as principais curiosidades dos jornalistas diziam respeito à postura de adoção de inteligência artificial pelo país. A China optou — até o momento — por adotar uma postura otimista e prática com a implementação de IA dentro dos processos editoriais. Essa postura é descrita como um dos principais focos da curadoria da feira, sendo uma prioridade desde o ano anterior. As aplicações de IA no mercado chinês abrangem toda a cadeia editorial, incluindo colaboração editorial, impressão, educação e desenvolvimento tecnológico.

Sean Xie diz que, em 2026, a Feira de Pequim se define como internacional a partir de sua função como uma ponte entre o Leste e o Oeste, servindo como uma feira cultural e não apenas focada em no formato dos livros. Historicamente, comenta o diretor, leitores chineses demonstram grande abertura para a literatura internacional traduzida, incluindo obras em inglês, francês, da América Latina e do Sudeste Asiático.
Ele detalha que o processo de curadoria da Feira envolveu consultas a parceiros, incluindo a Associação de Editores da China, além de editoras e consultores da indústria. "Com ou sem a IA, o foco é que sejamos produtores de conteúdo de qualidade. O foco é menos na forma como o produto é produzido, e sim no resultado de qualidade", afirma Xie.
Na quinta-feira (18), o Fórum Internacional de Publicação de Pequim (BIPF) promete colocar em prática a abordagem prática e globalizada relatada pelo diretor. Veja quem estará no centro do debate editorial em Pequim:
- Novas estratégias para a leitura global | Liu Zhenyun, autor e embaixador de Leitura da BIBF
- A literatura chinesa em tradução e a leitura intercultural | Mark Leenhouts, Sinólogo neerlandês e tradutor literário
- Filosofia chinesa, ciências sociais e diálogo global | Wang Ning, professor da Universidade Shanghai Jiao Tong
- A tradução do pensamento chinês para públicos internacionais | Gabriel García Noblejas Sánchez-Cendal – Professor da Universidade Complutense de Madri
- Inteligência artificial, educação e a economia do conhecimento | Farrokh Kharas – Representante da Cengage Group para a região Ásia-Pacífico (APAC)
- A transformação da publicação editorial por meio da inteligência artificial | He Qifeng, Presidente do China South Publishing & Media Group
- A inteligência artificial e o futuro da publicação global | Claudia Kaiser, vice-presidente da Feira do Livro de Frankfurt
- A tradução do pensamento chinês para públicos internacionais | Gabriel García Noblejas Sánchez-Cendal, professor da Universidade Complutense de Madri
19ª edição do Prêmio Especial do Livro da China
Na segunda-feira (15), foi realizada também a cerimônia de 2026 do Prêmio Especial do Livro na China. O evento destacou a atuação de 15 vencedores de 12 países, creditados por suas "contribuições excepcionais ao intercâmbio cultural global", afirma a organização.
A premiação foi criada em 2005 pela Administração Nacional de Imprensa e Publicações da China e reconhece escritores, tradutores e editores estrangeiros e chineses residentes no exterior que realizaram esforços extraordinários para promover a China contemporânea, traduzir e difundir publicações chinesas e fomentar um diálogo intercultural profundo. Confira a lista de destaques:
Escritores
- Edward L. Shaughnessy (Estados Unidos) | Professor Lorraine J. and Herrele G. Creel Distinguished Service de Estudos da China Antiga na Universidade de Chicago e diretor do Centro Creel de Paleografia Chinesa. Reconhecido especialista em história do período pré-Qin e em escritas antigas, é autor de obras de destaque como Sources of Western Zhou History e The Origins and Early Development of the Zhouyi.
- William Neil Brown (Estados Unidos) | Professor da Universidade de Xiamen que dedicou décadas a promover a compreensão internacional sobre a China. É autor de livros amplamente lidos, entre eles No "Outsider" Here: Letters from Old Pan e China 80,000 Miles: Old Pan’s Journey Across China.
- Dagmar Schäfer (Alemanha) | Diretora do Instituto Max Planck para a História da Ciência. Historiadora renomada da ciência e da tecnologia chinesas, é reconhecida internacionalmente por seu premiado livro The Crafting of the 10,000 Things: Knowledge and Technology in 17th-Century China.
- Mohamed Mousa Mohamed Bin Huwaidin (Emirados Árabes Unidos) | Reitor da Faculdade de Humanidades e Ciências Sociais da Universidade dos Emirados Árabes Unidos. Um dos principais estudiosos de temas chineses na região do Golfo, concentra suas pesquisas nas relações entre a China e o Oriente Médio. É autor de The Eagle and the Dragon: China-Gulf Relations from Strangers to Partners.
- Egshig Shagdarsuren (Mongólia) | Professora associada do Departamento de Estudos Asiáticos da Universidade Nacional da Mongólia. Há muitos anos atua na tradução bilateral e no ensino da língua chinesa. É autora de The Tea Road e tradutora da edição mongol de My Uncle Zhou Enlai.
Tradutores
- Burkhard Risse (Alemanha) | Tradutor veterano dedicado à tradução de obras políticas, culturais e filosóficas. Atua como um dos principais tradutores para o alemão de obras como Selected Readings from the Works of Xi Jinping e dos volumes I a V de Xi Jinping: The Governance of China.
- Tiziana Lippiello (Itália) | Reitora da Universidade Ca' Foscari de Veneza e vice-presidente da Sociedade Internacional para o Ensino da Língua Chinesa. Sinóloga de destaque, esteve entre os primeiros tradutores a verter para o italiano clássicos fundamentais da tradição chinesa, incluindo The Analects e The Doctrine of the Mean.
- Gabriel García-Noblejas Sánchez-Cendal (Espanha) | Tradutor renomado que levou a literatura e a filosofia clássicas chinesas ao público hispanofalante por meio de traduções de obras atemporais como The Book of Songs (Shijing), Tao Te Ching e The Art of War.
- Mark Leenhouts (Países Baixos) | Importante tradutor literário reconhecido por sua contribuição à introdução da ficção chinesa aos leitores neerlandeses. Destacou-se como co-tradutor da histórica edição em holandês de Dream of the Red Chamber.
- Alexey Monastyrskiy (Rússia) | Tradutor premiado conhecido por verter para o russo importantes obras contemporâneas e históricas, incluindo títulos amplamente reconhecidos como The Revolutionaries e How the CPC Changed China.
Editores
- Azimbay Yuldashevich Babaniyazov (Uzbequistão) | Editor-chefe da Casa Editorial e Gráfica do Uzbequistão. Teve papel fundamental na promoção da cooperação editorial regional, supervisionando com sucesso a tradução e publicação em uzbeque de Xi Jinping: The Governance of China e Up and Out of Poverty.
- Andrei Potlog (Romênia) | Diretor da editora Ideea Europeana. Tem promovido a difusão da literatura e da filosofia chinesas na Romênia, publicando mais de 50 títulos relacionados à China, incluindo Key Concepts in Chinese Thought and Culture e Collection of Chinese Tang Poems.
- Martin Savery (Reino Unido) | Editor-chefe e consultor editorial sênior da ACA Publishing Ltd. Há quase 40 anos impulsiona os intercâmbios editoriais sino-britânicos, tendo editado obras importantes como A brief history of the CPC e Tu Youyou’s biography, além de contribuir para a criação do clube de leitura China Literature Readers' Club, no Reino Unido.
- Paula Pampin (Argentina) | Executiva editorial visionária que lançou o Programa de Cooperação e Intercâmbio com a China, estabelecendo um importante canal para a publicação de edições em espanhol de alta qualidade de obras culturais, acadêmicas e literárias chinesas voltadas ao mercado latino-americano.
- Christopher Robyn (Estados Unidos) | Editor executivo-chefe da Sinomedia International Group Ltd. Ao longo de sua extensa carreira, editou e publicou mais de 200 livros relacionados à China, facilitando colaborações marcantes entre editoras chinesas e grandes distribuidoras norte-americanas, como a Ingram.
*A jornalista viajou a convite da Corporação de Importação e Exportação de Publicações Nacional da China (CNPIEC).






