Selecionada pelo Rumos Itaú Cultural, Jessica Stori lança primeira novela
PublishNews, Redação, 08/06/2026
Resultado de um processo criativo que envolveu caminhadas, registros fotográficos, vídeos e pesquisas de campo, livro é o núcleo de um projeto artístico mais amplo

Jessica Stori © Dédallo Neves
Jessica Stori © Dédallo Neves

O projeto multidisciplinar Foi um jeito de derreter (Telaranha Edições) marca a estreia da escritora e historiadora Jessica Stori na prosa ficcional. A novela combina literatura e imagem para abordar as relações de cuidado em situações de vulnerabilidade física, emocional e social, acompanhando a convivência entre duas mulheres unidas por uma história comum, pela doença e pelos fantasmas do passado.

O lançamento será realizado no sábado, 11 de julho, às 10h30, na Telaranha Livraria (Rua Ébano Pereira, 269, no Centro — Curitiba / PR), com a presença da autora.

Resultado de um processo criativo que envolveu caminhadas, registros fotográficos, vídeos e pesquisas de campo nos bairros de Uberaba, em Curitiba, e Pinhais, na Região Metropolitana, o livro é o núcleo de um projeto artístico mais amplo, desenvolvido com apoio do Rumos Itaú Cultural. Ao reunir diferentes linguagens, Jessica constrói uma narrativa que transita entre a prosa poética, a memória, o documento e a imagem para refletir sobre os limites entre obrigação, afeto, trauma e cuidado.

Na trama, a narradora recebe a notícia do adoecimento de Marta, com quem não mantinha contato havia dois anos. Ao chegar em sua casa, encontra um cenário de abandono e passa a assumir uma rotina de cuidados que faz emergir lembranças, conflitos e assombrações ligados à história compartilhada pelas duas personagens.

Segundo Jessica, a novela também busca apresentar um Paraná distante dos estereótipos normalmente associados à região. A autora concentrou sua investigação em territórios periféricos da Grande Curitiba, observando experiências, paisagens e populações frequentemente ausentes das representações mais conhecidas do Sul do país. “Quero levar o bairro onde eu cresci para a literatura”, avisa, no release.

A escritora explica que um dos pontos centrais do livro foi abordar as relações de cuidado para além da estrutura familiar tradicional. “Quis encontrar na escrita e em outras linguagens, os dias de atenção e de obrigação, de memória e de trauma, de delírio e de realidade, de saúde e de doença, cavando nos meandros destes nomes maneiras de escrever o que acontece entre eles em situações como essa”, relata, no material de divulgação.

Capa 'Foi um jeito de derreter'
Capa 'Foi um jeito de derreter'

O projeto foi iniciado em 2019, quando Jessica viveu uma experiência semelhante à enfrentada pela narradora da novela: interromper a própria rotina para cuidar de um familiar com quem mantinha uma relação marcada por distanciamentos e histórias não resolvidas. A experiência deu origem a diários e anotações que serviram de base à sua criação.

O desenvolvimento do projeto ganhou novo impulso após a seleção no Rumos 2023/2024 do Itaú Cultural. Entre 9.389 inscrições recebidas pelo edital, apenas 100 trabalhos foram contemplados em todo o país, sendo penas dez em literatura. Durante o processo, a autora conciliou a escrita com pesquisas em arquivos pessoais, produção de vídeos-ensaio e experimentações visuais envolvendo colagem, desenho e fotografia. Parte desse material integra a publicação, ampliando a narrativa para além do texto literário.

Embora estreie na ficção em prosa, Jessica Stori já havia publicado o livro de poemas Carne e colapso (Urutau, 2020). Integrante do Coletivo Membrana Literária, também participou das publicações coletivas Corja!, BRA_IL e da antologia Chão Brasil. Doutora em História pela Universidade Federal do Paraná, desenvolve pesquisas sobre literatura, arte e produção intelectual de mulheres, além de atuar como colagista e ministrar oficinas de escrita e colagem.

[08/06/2026 09:44:59]