
PARATY (RJ) — Pela primeira vez na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a ministra da Cultura Margareth Menezes abriu a programação da Casa da Favela falando sobre o poder transformador da educação e da "força do amor", mote da edição de 2026 do espaço, que fica na Rua Dr. Pereira, 220, em Paraty (RJ). A quarta edição da casa se posiciona como a "casa do amor", como um espaço de fomento de vozes diversas e o poder da arte e do ensino. A artista está à frente do Ministério da Cultura desde 2023.
A Casa é popular na festa literária pelas atrações musicais, festas noturnas e sua feijoada. Margareth Menezes esteve em um bate-papo sobre a força das políticas públicas e das vivências dos territórios periféricos para pensar no acesso ao conhecimento, à leitura, às artes e às manifestações culturais.
A ministra falou sobre o contexto de reconstrução vivido pelo Ministério nos últimos ano e disse que a agenda cheia atrasou sua participação na Flip nos anos anteriores. Também participaram da mesa Aline Cântia, diretora-presidente do Instituto Cultural Abrapalavra e vencedora do Prêmio Jabuti de Fomento à Leitura, e Raull Santiago, diretor-presidente do Instituto Papo Reto e especialista em jornalismo comunitário.
O potencial das favelas e do ensino das artes nas escolas

No bate-papo com Raull e Aline, a ministra ressaltou que "não existe democracia sem justiça social" e levantou a urgência de reconhecer a potencialidade artística vinda das favelas. Ela mencionou "o grito de sobrevivência" vindo das favelas em busca de apoio e reconhecimento. Na visão dela, as políticas públicas são capazes de potencializar o desenvolvimento humano, independente da profissão ou carreira: "Se você vai ser médico, engenheiro, escritor, técnico ou mecânico, você usa seu aprendizado para esse contexto. Aquilo que você imagina e que realiza dentro daquela possibilidade, das suas ideias. Por isso que é importante o ensino das artes nas escolas, acompanhando o desenvolvimento também dos graus da educação", disse.
Nesse sentido, ela e Aline defenderam o poder dos resultados de políticas públicas bem-elaboradas de leitura. O exemplo do painel foi a da instalação de bibliotecas em unidades do Minha Casa Minha Vida, iniciativa que pode ir além de apenas levar os livros para as crianças, mas que necessita da participação ativa de familiares como mediadores de leitura. Aline argumenta que o incentivo de medidas capazes de formar leitores dão um passo além da alfabetização e de "ensinar letras" para jovens, mas torna possível ensinar "o que aquelas palavras significam para elas e como é que ela pode levar isso para a vida".







