Mirella Amorim estreia no romance com 'Toca Maria Bethânia pra ela'
PublishNews, Monica Ramallho, 28/05/2026
Primeiro livro de ficção de uma das sócias da Editora Pitanga articula diferentes vozes femininas em uma narrativa inspirada na estrutura de um álbum, destacando a força estética da cantora baiana

Mirella Amorim e o seu lançamento © Fábio H. Mendes
Mirella Amorim e o seu lançamento © Fábio H. Mendes

No mês em que a cantora baiana Maria Bethânia completa 80 anos, a escritora e multiartista Mirella Amorim colocar no mundo o seu primeiro romance. Toca Maria Bethânia pra ela (Editora Pitanga) foi batizado assim por causa de um diálogo inesquecível do filme Aquarius, dirigido por Kleber Mendonça Filho em 2016. Construído como um “romance-álbum”, o livro entrelaça música, literatura e memória em uma narrativa polifônica ambientada entre Rio de Janeiro e Recife, acompanhando personagens femininas em muitas histórias sobre amor, cuidado, desejo e pertencimento.

Uma das cinco sócias da Editora Pitanga, Mirella é uma carioca bem adaptada a São Paulo, para onde se mudou há quatro anos a fim de viver um grande amor (mais Maria Bethânia, impossível!). Dois eventos de lançamento já estão marcados: na próxima quarta-feira, dia 3 de junho, às 19h, na Casa de Alzira (Rua Mariz e Barros, 328 – Recife / PE), e na quinta-feira, 18 de junho, às 18h, na Benedita Cozinha (Rua Havaí, 285, no Sumaré — São Paulo / SP). O detalhe que dá o tchan: Bethânia aniversaria no dia 18.

"Para mim, foi inevitável que a narrativa se impregnasse da obra da artista que formou meu gosto e pavimentou o caminho para a literatura. Como muitos brasileiros, fui criada em uma casa sem livros e devo à música minha formação subjetiva e estética", disse Mirella ao PublishNews.

Mirella se inspirou no ritmo, na tonalidade e nas variações de voz, propondo uma experiência de leitura que também passa pela escuta. O romance ainda acompanha uma playlist que pode funcionar como porta de entrada para o repertório intenso de Bethânia.

Dividida em Lado A e Lado B, a obra remete à lógica dos antigos elepês. Na primeira parte, Mirella conduz o leitor ao subúrbio carioca dos anos 1970, acompanhando as andanças de Maria Clara, Margarida e Amália, personagens cujas relações transitam entre tensão, desejo, cuidado e afeto. No outro lado do livro-álbum, desponta Tereza e ela amplia a narrativa ao revisitar memórias entre Rio de Janeiro e Recife.

As ilustrações são da recifense Nara Menezes, feitas com a técnica do bico de pena.

A estreia de Mirella na prosa chega na esteira de sua produção poética. Em 2024, a autora publicou Amorogâmica, Realistópica, Panlírica (Patuá). Formada em Serviço Social pela UFRJ e pós-graduada em Produção de Textos Literários pelo Instituto Vera Cruz, ela desenvolve uma trajetória que atravessa literatura, artes visuais e experimentações com som e imagem. Também é criadora da página Álibis & Alfarrábios.

[28/05/2026 10:52:44]