Livros para conhecer melhor o Oriente Médio
PublishNews, Beatriz Sardinha, 02/03/2026
O PublishNews compilou títulos que retratam não apenas os conflitos políticos da área, mas com detalhes sobre a cultura e a história da região

Neste final de semana, forças armadas de EUA e Israel iniciaram uma ofensiva contra o Irã, que já respondeu aos primeiros ataques — a mobilização regional viu uma escalada de violência que ainda não se sabe onde vai parar. Desde o início do ano, o Irã testemunhava protestos da população contra o regime dos aiatolás.

O PublishNews compilou oito títulos sobre temas que dialogam com algumas das principais discussões do grupo de territórios presentes na Ásia, África e Europa, denominado Oriente Médio — composto por Irã, Omã, Arábia Saudita, Palestina, Israel, Bahrein, Chipre, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Iêmen, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Jordânia, Kuwait, Qatar, Síria, Sudão, Turquia, Líbia, Líbano e Egito. A lista é voltada também para leitores que desejam conhecer obras que retratem não apenas os conflitos políticos da área, mas que deem detalhes sobre a cultura e a história da região.

Desde o início de seu segundo mandato em 2025, o atual presidente dos EUA, Donald Trump, comandou ataques a Venezuela, Síria, Somália, Nigéria e Irã. O país americano estava pressionando o Irã para desativar seu programa nuclear. Esta foi a segunda vez em menos de um ano que os EUA atacaram o país. Em junho de 2025, os EUA bombardearam três instalações nucleares no país, deixando 634 mortos, além de feridos.

Confira a lista:

  • Persépolis (Companhia das Letras), de Marjane Satrapi
Talvez o livro mais 'pop' da lista, Persepólis é uma obra em quadrinhos que narra a trajetória da autora e ilustradora Marjane Satrapi que, aos dez anos, viu seu mundo mudar após a Revolução do Irã. Com toques de drama e de um humor irresistível da personagem principal, o relato de Satrapi e de sua família mostram muito das mudanças políticas e culturais dentro do cotidiano do povo persa. A obra também foi adaptada para os cinemas em 2007, quando representou a França na disputa do Oscar de Melhor Filme Animado. Em 2024, a obra foi uma das selecionadas na lista do The New York Times como um dos melhores livros do século XXI.
  • A questão da Palestina (Editora Unesp), Edward W. Said
O livro lembra que entre 1978 e 1992, quando o mundo considerava a questão palestina “a última grande causa do século 20”, inúmeros fatos começaram a moldar essa discussão. "No Oriente Médio, a invasão do Líbano por Israel, em 1982, o início da longa intifada, em 1987, a crise e a Guerra do Golfo, de 1990 a 1991, e a conferência de paz de 1991, além da revolução iraniana. No Leste Europeu, a dissolução da União Soviética, na África, a libertação de Nelson Mandela e a independência da Namíbia e, na Ásia, o fim da guerra do Afeganistão", afirma a sinopse. O livro da Editora Unesp serve como estudo para compreender as similaridades e diferenças dos conflitos da região.
  • Palestina (Veneta), Joe Sacco
O quadrinho-reportagem de Joe Sacco é um clássico da história do gênero. A obra foi publicada originalmente em nove gibis, entre 1993 e 1995, e ganhou uma edição completa em 1996. Além de vencedora do American Book Award, Palestina é resultado de pesquisas e entrevistas com mais de 100 palestinos e judeus, realizadas no início da década de 1990, durante visitas à região da Faixa de Gaza e Cisjordânia. A edição brasileira da editora Veneta reúne todos os volumes, o prefácio original do crítico literário Edward Said e textos do jornalista José Arbex Jr., além de fotos, desenhos e comentários de Joe Sacco a respeito da produção.
  • Memória para o esquecimento (Tabla), de Mahmud Darwich

Mahmud Darwich é um dos mais importantes autores do mundo árabe. Em Memória para o esquecimento, ele descreve um longo dia de agosto de 1982, durante a invasão israelense ao Líbano e o cerco a capital Beirute. O escritor discute na obra questões profundamente existenciais como: a relação entre sujeitos e o que é ser exilado, qual o papel do escritor em tempos de guerra, as possibilidades de amor em tempos extremos, além de "lançar um olhar crítico e clínico sobre os aspectos que envolvem a resistência palestina e a noção de nação árabe.

  • Caminhos Divergentes: Judaicidade e Crítica do Sionismo (Boitempo), Judith Butler
Escritora e figura pop associada à teoria queer, Judith Butler contribui em Caminhos divergentes para um campo político diferente da discussão da identidade de gênero. A partir de uma "urgência pessoal", Butler retoma e corrobora uma das últimas ideias de Edward Said — a ideia de que é possível forjar um novo éthos para uma solução uniestatal se considerarmos a despossessão palestina em relação às tradições diaspóricas judaicas. "Butler usa as posições filosóficas judaicas para articular uma crítica do sionismo político e suas práticas de violência estatal ilegítima, nacionalismo e racismo patrocinado pelo Estado. Além de Said, reflete sobre o pensamento de Emmanuel Levinas, Hannah Arendt, Primo Levi, Martin Buber, Walter Benjamin e Mahmoud Darwish para articular uma nova ética política, que transcenda a judaicidade exclusiva e dê conta dos ideais de convivência democrática radical, considerando os direitos dos despossuídos e a necessidade de coabitação plural", descreve a sinopse da obra.
  • Brevíssima História do conflito Israel-Palestina (Elefante), de Ilan Pappe
O conflito Israel-Palestina não começou em 7 de outubro de 2023. Segundo o historiador israelense, as raízes do conflito remontam a muito antes disso, mergulham mais fundo no passado, e são anteriores a 1948, quando foi fundado o Estado de Israel. O escritor afirma que sua obra pretende lançar luz sobre os principais acontecimentos, personalidades e processos desde a chegada dos primeiros colonos judeus à Palestina histórica até os nossos dias, a fim de explicar por que esse conflito se tornou tão difícil de gerenciar. Brevíssima História do conflito Israel-Palestina é sua tentativa de tornar o conflito legível para o público leitor.

Durante sua passagem pelo Brasil 2025 na Flip e na Flipei, Ilan falou abertamente sobre a perseguição que estava recebendo por falar publicamente acerca dos ataques de Israel aos palestinos durante sua vinda ao Brasil.

  • O menino do bazar de tabriz (Folhas de Relva), de Hossein Movasati
O menino do Bazar de Tabriz é um livro sobre lembranças, histórias e saudades de Hossein Movasati. Lembranças de uma vida atribulada no Irã, que agora existe — e persiste — apenas nas palavras do jovem Hossein, autor, narrador e criador. O livro relata histórias de um garoto que encara os perigos da guerra, das revoluções e da religião com um olhar inocente, delicado e bastante atento; saudades — muitas e muitas saudades — da figura de uma mãe carinhosa e orgulhosa do vencedor mirim das olimpíadas da matemática, que se tornaria um grande matemático, talvez para sentir novamente o amor incondicional da mãe, mesmo que fosse apenas em ausências e sonhos. Hossein, além de nos presentear com os fragmentos e fragrâncias de suas memórias até os quinze anos, também concebe este livro para passar seu legado ao filho Omid, que não apenas o recebe, mas cria e amplia esses fatos e sensações através das suas despretensiosas, porém poéticas, ilustrações.
  • A queda do imã (Tabla), de Nawal El-Saadawi
Este poético romance "é um grito de guerra contra aqueles que usam a religião como arma para subjugar as mulheres". Em uma escrita experimental, ousada e de certa forma fragmentada, a escritora egípcia Nawal El-Saadawi (1931-2021) relata os horrores aos quais mulheres e crianças podem ser expostas em nome da fé. A trajetória de Nawal El-Saadaqwi torna sua obra ainda mais interessante, uma vez que ela contribuiu de forma direta na discussão de pautas feministas no Egito. Sua presença como ativista, médica psiquiatra e ensaísta resultaram em romances e produções literárias que lidam com a situação da mulher no país, tangendo temas como lidam as repressões política e econômica, o fanatismo religioso e a opressão das mulheres e práticas misóginas, como a excisão genital feminina.

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