
Idealizado pelo curador da Casa, Paulo de Freitas Costa, e desenvolvido pelo núcleo educativo da instituição, o projeto coloca lado a lado textos literários e imagens dos ambientes das casas das autoras, criando conexões entre escrita, memória e território. Participam as saudosas Zélia Gattai (1916-2008), Rita Lee (1947-2023) e Gilda de Mello e Souza (1919-2005), mais Giovana Madalosso, Lilia Guerra, Prudence Kalambay, Helena Silvestre, Luísa Marilac, Paula Fábrio e Adriele Oliveira, escritoras na ativa.
“São Paulo guarda muitas memórias, muitas histórias. Essa exposição toma emprestado o olhar e a perspectiva dessas escritoras que descreveram realidades e histórias tão particulares quanto universais, nos trazendo relatos sensíveis, trágicos, íntimos ou até engraçados”, afirma Cristiane Alves, coordenadora do educativo e uma das curadoras, no material que seguiu à imprensa. “A mostra busca, assim, ampliar o olhar para uma pluralidade de vivências em uma cidade marcada por intensos contrastes”.

Além Cristiane, a mostra teve curadoria de Felipe Azevêdo, Luiz Henrique Otto, Rafael Cavalcanti Peppe, Ana Clara de Almeida Valadares, Beatriz Porfírio, Daniel Falkowski, Heloísa Jesus e Melissa Oliveira. Eles organizaram os relatos em cinco eixos narrativos, que percorrem temas como convivência familiar, memória dos objetos, percepções sensoriais e a cidade imaginada. Distribuída pelos ambientes da Ema Klabin, a exposição incorpora ainda gravações em áudio com vozes femininas narrando os textos e um espaço de leitura com livros das autoras participantes.
Entre os destaques está um trecho de Outra autobiografia (Globo Livros, 2023), em que Rita Lee descreve a transformação do próprio quarto durante o tratamento contra o câncer. Já Zélia Gattai recupera, em Anarquistas, graças a Deus (Companhia das Letras, publicado originalmente em 1979), as histórias e lendas urbanas que ouvia na vizinhança em São Paulo. A mostra também dedica espaço a territórios frequentemente invisibilizados da cidade, presentes nas narrativas de Helena Silvestre e Adriele Oliveira.
Além do percurso expositivo, o público poderá registrar suas próprias memórias sobre habitar São Paulo por meio de textos, desenhos e gravações. A visitação está aberta de quarta a domingo, das 11h às 17h, com permanência até 18h. O ingresso custa R$ 20, com meia-entrada (R$ 10) para estudantes, maiores de 65 anos, PCD e jovens de baixa renda. Crianças de até 7 anos, professores e estudantes da rede pública têm entrada gratuita.







