Globo e Mundo Cristão anunciam parceria para adaptar ficção no audiovisual
PublishNews, Beatriz Sardinha, 25/02/2026
'Círculos não são infinitos', de Vitória Souza, será o primeiro livro a entrar em desenvolvimento; acordo também contempla futuros lançamentos da editora cristã

Editor diz que acordo surgiu de um interesse mútuo em divulgar obras de ficção que estivessem de acordo com valores do cristianismo evangélico | © Divulgação
Editor diz que acordo surgiu de um interesse mútuo em divulgar obras de ficção que estivessem de acordo com valores do cristianismo evangélico | © Divulgação

A Globo e a Editora Mundo Cristão firmaram uma parceria inédita que estabelece preferência exclusiva para aquisição dos direitos de adaptação audiovisual das obras literárias publicadas pela editora. O acordo contempla títulos já lançados e futuros lançamentos, que poderão ser desenvolvidos como telefilmes. Círculos não são infinitos, de Vitória Souza, será o primeiro livro a entrar em desenvolvimento no núcleo de Filmes dos Estúdios Globo.

O editor Daniel Faria detalha que o contato entre a Globo e a Mundo Cristão se deu a partir de um interesse mútuo em divulgar obras de ficção que estivessem de acordo com valores do cristianismo evangélico. "Historicamente, a Globo sempre recorreu à literatura como fonte de boas histórias para suas adaptações audiovisuais. Atualmente existe o anseio por projetos que dialoguem com uma parcela significativa da população brasileira, que é o segmento evangélico", comenta.

A partir disso, houve uma série de conversas institucionais entre as partes, que identificaram uma convergência de visões, diz. O acordo estabelece preferência exclusiva para aquisição dos direitos de adaptação audiovisual das obras de ficção da editora.

“Histórias bem construídas podem ser reinterpretadas a cada novo formato, mantendo sua essência e, ao mesmo tempo, alcançando novos públicos, em uma nova forma de conexão”, pontua Betina Paulon, produtora executiva de Filmes dos Estúdios Globo.

Na visão de Betina, dentro de uma boa adaptação, é necessário preservar a integridade da mensagem e a essência da obra original, mesmo ao reinterpretá-la em outra linguagem. E explica que, no caso da ficção cristã, isso significa tratar com cuidado a profundidade das reflexões e o "desenvolvimento dos temas ligados à fé, sem caricaturas ou simplificações".

Impacto editorial da parceria

Para Mark Carpenter, diretor-presidente da Mundo Cristão, este acordo é uma oportunidade de ampliar o alcance das obras literárias cristãs. “Estamos confiantes de que, em diálogo com a Globo, poderemos identificar as formas mais impactantes e fiéis de expressar essas narrativas em novos formatos. Esta colaboração representa um passo promissor na ampliação do impacto positivo que o conteúdo destas obras pode gerar na nossa sociedade.”

De acordo com o editor da MC, a autora Vitória Souza faz parte de um grupo de autoras que ajudou a elevar o gênero da ficção cristã — em princípio um fenômeno independente, com obras publicadas digitalmente em plataformas como a Amazon — a sucesso mainstream, chamando a atenção de grandes editoras e figurando em listas de mais vendidos em todo o país.

Capa da série 'Corajosas' | © Divulgação
Capa da série 'Corajosas' | © Divulgação

Ele dá o exemplo de Corajosas, principal best-seller dos últimos três anos da casa. A série foi publicada pela editora em meados de 2024, vendeu 200 mil exemplares e é capaz de atrair leitores em grandes eventos presenciais, como as Bienais do Livro. Trata-se de nosso principal best-seller dos últimos três anos.

"Dos nossos 20 livros mais vendidos em 2025, 10 pertencem ao gênero da ficção cristã, incluindo aí, além de obras de autoras nacionais, releituras de clássicos como O peregrino, de John Bunyan, e O conto de Natal, de Charles Dickens", comenta Daniel Faria. O editor complementa que as adaptações são capazes de, não apenas aumentarem a procura pelos livros da editora, mas também podem trazer uma nova luz para o debate contemporâneo sobre temas importantes como saúde mental, crise familiar e representatividade social.

Primeira obra adaptada

Em Círculos não são infinitos, a protagonista Maeve atravessa uma crise matrimonial e criativa, estando à beira do divórcio com William devido à deterioração da comunicação e ao acúmulo de ressentimentos. Durante uma licença de 30 dias concedida por seu editor para superar o bloqueio criativo, ela descobre um caderno misterioso em um sebo que a permite viajar no tempo, revisitando momentos cruciais de seu passado, desde os dias de faculdade até o início de seu relacionamento com William, passando por conversas significativas com sua tia Josi.

Através dessas viagens temporais, ela chega a conclusão de que os ciclos não são infinitos, o nome do livro, e que é necessário encerrá-los para reiniciar, priorizando o autoconhecimento e a reconexão consigo mesma acima da decisão sobre manter ou não o casamento.

[25/02/2026 10:02:51]