Jadna Alana vence o 10º Prêmio Kindle de Literatura
PublishNews, Redação, 24/02/2026
Livro 'Barquinho de papel' será publicado pelo Grupo Editorial Record, terá uma edição especial para assinantes da TAG e adaptada em audiolivro pela Audible

Jadna Alana, vencedora da 10ª edição do Prêmio Kindle de Literatura | © Amazon
Jadna Alana, vencedora da 10ª edição do Prêmio Kindle de Literatura | © Amazon
A escritora Jadna Alana venceu o 10º Prêmio Kindle de Literatura com o livro Barquinho de papel. A vencedora foi revelada em uma cerimônia realizada em São Paulo (SP) na noite desta segunda-feira (23). Agora, o livro será publicado pelo Grupo Editorial Record, terá uma edição especial para assinantes da TAG e será adaptado para audiolivro pela Audible. A vencedora também leva para casa R$ 50 mil e vai integrar o júri da próxima edição.

Jadna Alana é paraibana, formada em Letras pela UEPB, mestre em Linguagem pela UFOP e atua como profissional de texto na ALCE, sua marca editorial. Com a obra Se tu me quisesse foi finalista do Prêmio Kindle de Literatura (2022) e do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica (2023). Ganhou o Prêmio Marilia Arnaud com o conto O menino de Imburana e o edital Carolina Maria de Jesus com Barquinho de papel. É precursora nos estudos sobre o Regionalismo Fantástico no Brasil, campo que pesquisa academicamente.

Na história de Barquinho de papel, a personagem Jurema vive na orla de Cruz-credo, um vilarejo baiano esquecido. Seu maior divertimento é provocar padre Cícero, guardião da capela azul que vela o povoado. "A menina nutre essa amizade por diversão, o padre, pela esperança de catequizá-la, já que não foi batizada, o que muitos dizem ser a explicação para sua alma danada e inquieta. Apesar de gostar da vida simples e das figuras que compõem o vilarejo, ela sonha com o além-mar: quer velejar o mundo em um barquinho feito de palavras esquecidas", diz a sinopse do livro. "Filha da terra e da falta, cresce entre palavras e restos do mundo, encontrando no lixo da comunidade pedaços de histórias, cartas inacabadas, folhas marcadas de memórias. Com esses retalhos de vida, começa a construir um barquinho, pequeno, de papel, mas forte o suficiente para carregar o que deseja deixar e o que insiste em ficar. Enquanto dobra as folhas e cola seu destino, Jurema escuta os relatos de quem a cerca e os transforma em vela, leme e casco. Cada história ouvida vira parte do barco e cada memória esquecida encontra agora um destino".

O júri desta edição do Prêmio Kindle de Literatura foi composto pelo editor-chefe do PublishNews, Guilherme Sobota, pela escritora e curadora Lubi Prates, e pela jornalista e criadora do projeto Vá Ler Um Livro, Tatiany Leite.

A obra vencedora desta edição conquistou os jurados por sua originalidade e força narrativa. “Num tempo em que imaginação – criatividade mesmo – e estilo – a forma de colocar uma palavra atrás da outra – parecem estar em baixa na literatura contemporânea, Jadna Alana consegue juntar as duas forças num livro cativante, sem deixar de lado a matéria brasileira. Uma obra como essa só poderia nascer no Brasil, num diálogo profundo com o melhor da produção fantástica latino-americana e com a tradição local. Mas o elemento mais fremente de Barquinho de papel é o seu estilo. A engenhosa construção sintática das suas frases e o domínio sobre as suas metáforas fazem o livro brotar como uma flor de mandacaru, breve e poderoso, cheio de surpresas”, afirma Guilherme Sobota, jornalista e doutorando em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP.

A autenticidade regional da narrativa também foi destacada pela comissão julgadora. "Barquinho de papel é um livro que nos envolve desde a primeira página. Relata experiências de um Brasil que interessa para poucos e traz aspectos regionais sem soar caricato. Jadna produz sua literatura enquanto também teoriza sobre o Regionalismo Fantástico e, talvez, por isso, faz escolhas que parecem muito conscientes quando vai contar sua história”, completa Lubi Prates, escritora e autora do livro Um corpo negro (nosotros), finalista do 61º Prêmio Jabuti.

Cerimônia

Em um discurso emocionado na noite de segunda, a escritora celebrou a conquista, na sua segunda final do concurso. "A literatura fantástica brasileira, entranhada na América Latina, é uma ferramenta de leitura do mundo, uma estratégia de sobrevivência, um modo de dizer o indivisível", disse. "Este é um livro com sotaque nordestino", comemorou.

Para Ricardo Perez, diretor do negócio de livros da Amazon Brasil, uma das grandes belezas do Prêmio Kindle de Literatura é a consistência. "Ele já se tornou um prêmio longevo, é um dos mais conhecidos do Brasil, tudo isso é motivo de muito orgulho", disse o executivo. "A Amazon tem um compromisso de longo prazo com o Brasil, e o prêmio corrobora isso".

Quem também falou na cerimônia foi Juliana Santos, estrategista de branding e redes sociais da TAG. "Contribuir na jornada do escritor independente é uma felicidade para a TAG. Nossa missão é facilitar o caminho do livro até o leitor", disse.

Para Cassiano Elek Machado, diretor editorial Grupo Editorial Record, a literatura brasileira passa por um momento de mudança interessante. "Sempre me intrigou uma pouca repercussão da literatura brasileira contemporânea. Já há alguns anos, passamos por um momento de mudança na lista de mais vendidos, por exemplo. Há uma valorização da literatura brasileira em vários palcos, nas mais variadas frentes. Um prêmio como esse move as engrenagens, dando impulso a novas vozes. Os prêmios maiores costumam celebrar pessoas mais conhecidas, então é elogiável a iniciativa de celebrar novas vozes. Precisamos continuar oxigenando a literatura brasileira."

Cassiano Elek Machado, Juliana Santos, Jadna Alana e Ricardo Perez | © Amazon
Cassiano Elek Machado, Juliana Santos, Jadna Alana e Ricardo Perez | © Amazon
O Prêmio Kindle de Literatura celebra e promove obras literárias inéditas brasileiras, nos gêneros de Ficção e Romance, publicadas exclusivamente via Kindle Direct Publishing (KDP) – a ferramenta gratuita de autopublicação da Amazon.

[24/02/2026 09:34:09]