
Mais do que reunir textos, o livro contextualiza trajetórias e momentos decisivos da poesia escrita por mulheres em diferentes períodos históricos. As 30 mulheres são: Ângela Rangel, Bárbara Heliodora, Ildefonsa Laura César, Beatriz Brandão, Delfina da Cunha, Maria Firmina dos Reis, Adélia Fonseca, Adelaide de Castro Alves Guimarães, Josephina Álvares de Azevedo, Narcisa Amália, Inês Sabino, Ana Aurora Lisboa, Amélia de Oliveira, Auta de Souza, Gilka Machado, Martha de Hollanda, Julieta Bárbara, Pagu, Edyla Mangabeira Unger, Anilda Leão, Maria Lúcia Alvim, Olga Savary, Beatriz Nascimento, Conceição Evaristo, Alzira Rufino, Eliane Potiguara, Miriam Alves, Claudia Roquette-Pinto, Marília Kubota e Micheliny Verunschk.
Já nas livrarias, a antologia está com dois lançamentos confirmados: nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, às 19h30, na Livraria Gato Sem Rabo (Rua Major Sertório, 95, Vila Buarque, São Paulo — SP) e na quinta-feira, 19 de março, às 19h, na Livraria Circulares (SHCGN CRN 714/715, Asa Norte — Brasília / DF). O livro também será tema do curso Inesquecíveis, ministrado pelas organizadoras entre os dias 24 de fevereiro e 5 de março, no Sesc CPF (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 — São Paulo / SP).
"Esse livro responde às perguntas que nós mesmas fazíamos e que, percebemos depois, muitas outras mulheres também se faziam: ‘Onde, na História da Literatura Brasileira, estão AS poetas? Por que apenas as obras de algumas delas atravessaram os séculos?", questiona Lubi Prates, em release enviado à imprensa.
Na opinião de Ana Rüsche, “foi possível perceber que o gênero e as forças conservadoras que atravessam a história brasileira foram fatores centrais para o esquecimento dessas autoras”, diz, em nota, incluindo questões de raça, classe social, orientação sexual e localização geográfica.
Para sistematizar tamanha produção poética, Rüsche e Prates seguiram dois caminhos. De um lado, recuperaram trajetórias de poetas reconhecidas em seus contextos históricos, como Beatriz Brandão (1779–1868), Narcisa Amália (1852–1924), Martha de Hollanda (1903–1950) e Gilka Machado (1893–1980), para citar apenas uma representante de cada período.
De outro, celebram autoras contemporâneas ameaçadas pelo apagamento racial e de gênero, como as poetas negras Beatriz Nascimento (1942–1995) e Miriam Alves (1952), cujas obras vêm sendo revisitadas nos últimos anos. Já poetas como Claudia Roquette-Pinto, Micheliny Verunschk e Marília Kubota, hoje mais conhecidas, entraram como exemplos de consistência e permanência, com produção variada e presença significativa em antologias.
Da Independência, às lutas pela educação e pelo voto feminino, do fortalecimento da imprensa feminista à recente expansão da diversidade no mercado editorial, Inesquecíveis percorre momentos-chave da história brasileira e, ao fazê-lo, destaca as poetas que abriram caminhos em diversas frentes políticas e sociais. E que, por isso mesmo, merecem fazer parte da memória e da construção de uma crítica mais democrática da literatura nacional.
Resultado de extensa pesquisa acadêmica, Inesquecíveis articula nomes consagrados em seus contextos históricos, como Beatriz Brandão e Narcisa Amália, a autoras contemporâneas cuja obra vem sendo revisitada à luz das discussões sobre raça e gênero. Ao citar mais de cem escritoras ao longo do volume, a obra amplia o repertório crítico e propõe uma revisão da memória literária brasileira.






