
Com dramaturgia e direção de Vitor Lemos em parceria com o diretor brasileiro André Paes Leme, o espetáculo tem no elenco os portugueses Geraldo Monteiro, Nisa Eliziário e Samuel MacDowell. A criação parte da transformação de Gregor Samsa em inseto para refletir sobre os acontecimentos que desorganizam expectativas e impõem revisões de percurso.
Publicado originalmente em 1915, A metamorfose narra o despertar de Gregor, caixeiro viajante submetido a uma rotina exaustiva para sustentar a família, que acorda transformado em um inseto. O episódio desencadeia isolamento, estranhamento e uma experiência radical de inadequação. Na leitura da companhia, essa mutação deixa de ser apenas alegoria social e se converte em exercício de percepção sobre a própria condição do vivo.
O espetáculo traz desenho de luz assinado por Renato Machado e direção de movimento de Mônica Emilio. Os versos são de Zé Luiz Rinaldi, a partir do livro Poemas para o Ator, e as fotos e o design gráfico levam a assinatura de Flavio Pereira.
A encenação investiga o ator como centro do acontecimento cênico. Fundada há cinco anos, O Canto do Bode integra sua pesquisa ao Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (CET/FLUL), dedicando-se a práticas e estudos sobre atuação, além da organização de encontros e projetos artísticos.
O nome do grupo remete à origem da tragédia nos rituais dionisíacos, quando homens e mulheres cantavam travestidos de bode em honra a Dioniso. Da união de duas palavras — tragos (bode) e oide (ode) — nasceu a palavra tragédia. A companhia recupera esse sentido como premissa para uma arte da atuação que amplia noções de identidade e realidade.






