
Ambientado no cotidiano do metrô de São Paulo, o livro acompanha o encontro entre uma mulher na casa dos 30 anos e um homem mais jovem, desconhecidos que se cruzam entre estações. A troca de olhares evolui para curiosidade, identificação e desejo, em 69 poemas curtos que constroem uma narrativa amorosa marcada por ritmo e referências musicais. O verso “Tão bom te amar”, de Fullgás, foi a inspiração para o título do livro, o terceiro de poesia da autora.
“Assim como os dois primeiros, 'Bom amar' dialoga com os atravessamentos da maternidade. Os anteriores resultam da minha escrita diária, por meio da qual reflito sobre as delícias e as dificuldades de ser mãe. Este é fruto de um processo criativo diferente, a partir da minha vivência na Flip de 2024. Depois de acompanhar as mesas e conversar com autoras e participantes da feira, tive vontade de contar uma história pela poesia. E os 69 poemas foram escritos sob a perspectiva de narrar o encontro de uma mãe, de mais de trinta anos, que se permite viver um caso com um homem ainda filho", explica Fabiana ao PublishNews.
Dividido em três atos — o despertar, a entrega e a conexão — o livro acompanha a evolução do afeto, do primeiro olhar ao entrelaçamento entre corpo e emoção. A narrativa poética também incorpora referências literárias, como Grande sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, carregado pela personagem em um dos encontros.
No prefácio, a escritora Angela Marsiaj contextualiza a canção que embala o livro: “Fabiana era um bebê em 1984, quando Fullgás foi lançada. O hit tomou conta do Brasil, expressou o zeitgeist da época, expandindo a celebração do amor entre duas pessoas para muito além do universo pessoal: o momento era o da redemocratização, da busca pelas liberdades políticas e individuais”.
E completa: “Antonio Cicero, poeta e filósofo, tinha escrito a letra com 'tudo em você é fugaz'. Marina, pop, não se conformou e propôs trocar por ‘fullgás’, como no tanque cheio de gasolina, construindo um neologismo anglo-brasileiro que faz ecoar os dois sentidos: o intenso e o que pode acabar a qualquer instante”.
Fabiana Grieco é autora dos livros de poesia Aquela que vejo pelo espelho (Urutau, 2024) e Uma mãe melhor do que eu (Caravana Grupo Editorial, 2023), traduzido para o espanhol. Publicou ainda títulos da Série Universitária pela Editora Senac São Paulo e cinco livros voltados à infância, entre eles Colar de contas (Jaguatirica, 2019), selecionado pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo para o acervo da rede municipal em 2022.






