Uma editora egípcia e uma francesa firmam parceria inovadora
PublishNews, Redação, 06/02/2026
Estima-se que o Egito tenha entre três e quatro milhões de falantes de francês, além de cerca de 50 escolas francesas no país, com mais de cinco mil alunos formados todos os anos

Livraria Diwan © Divulgação
Livraria Diwan © Divulgação
Uma editora egípcia e uma francesa firmaram uma parceria para imprimir e distribuir romances em francês no Egito a preços acessíveis. A iniciativa reúne a Diwan, criada em 2021 a partir da rede de livrarias homônima, e a Folio, pertencente ao grupo Gallimard.

O acordo surge em um momento paradoxal do mercado editorial egípcio. Apesar da instabilidade política e das dificuldades econômicas agravadas desde 2011, o país apresentou crescimento nos últimos três anos, segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), publicado em 2025. A vitalidade cultural ficou evidente na Feira Internacional do Livro do Cairo de 2026, que recebeu um público recorde de 6,2 milhões de visitantes em 12 dias.

Nesse cenário, editoras locais operam com margens estreitas e buscam estratégias para manter os livros acessíveis a um público com poder de compra reduzido. A parceria entre Diwan e Folio aposta na impressão local como forma de contornar os altos custos de importação, envio e conversão cambial, agravados pela volatilidade da libra egípcia.

A coleção Diwan/Folio atende a um público específico, mas numeroso: estima-se que o Egito tenha entre três e quatro milhões de falantes de francês, além de cerca de 50 escolas francesas no país, com mais de cinco mil alunos formados todos os anos. Um comitê de leitura egípcio, em diálogo com a Folio, selecionou 30 títulos para o primeiro lote, a partir de uma lista inicial de 80 obras, reunindo clássicos e autores contemporâneos como Voltaire, Simone de Beauvoir, Annie Ernaux, Nathacha Appanah e Marie Ndiaye.

O acordo prevê a impressão de mil exemplares por título, com distribuição restrita ao Egito. Além da venda em livrarias, os livros integram ações voltadas a escolas, bibliotecas e clubes de leitura em francês organizados pela própria rede Diwan. O projeto recebeu apoio do Ministério da Cultura da França, por meio do Instituto Francês, e a expectativa é que se torne autossustentável em até três anos.

Para a Gallimard, trata-se de uma experiência inédita, que pode servir de modelo para outros mercados africanos. “Exportar não é apenas uma questão de volume, mas também de cultura”, afirmou Kamel Yahia, diretor de exportações do grupo, à editora Olivia Snaije, do Publishing Perspectives. “Nosso trabalho não faz sentido sem o livreiro e o leitor.”

[06/02/2026 10:56:58]