15 bons livros para ler em 2026
PublishNews, Guilherme Sobota, 06/02/2026
Indicações e recomendações de leitura para o ano a partir dos vencedores de prêmios, listas de melhores do ano e da redação do PublishNews

Alguns dos destaques entre os lançamentos de 2025 selecionados pela redação do PublishNews
Alguns dos destaques entre os lançamentos de 2025 selecionados pela redação do PublishNews
Como tradição de início de ano, o PublishNews compilou algumas das principais recomendações de leituras de veículos nacionais e internacionais, bem como vencedores e finalistas dos maiores prêmios da literatura brasileira em 2025 para elaborar a seguinte lista para o leitor que quer escolher novos livros para ler em 2026.

São volumes que tiveram boa repercussão dentro e fora do Brasil e representam uma parcela da bibliodiversidade que vem ganhando espaço no mercado editorial brasileiro. Entre os indicados, autores nacionais e estrangeiros, diferentes gêneros literários e lançamentos recentes, com um misto de sinopses das editoras e comentários diretos aqui da redação do PublishNews. Que tal compartilhar a sua lista conosco nas nossas redes sociais? Não esqueça também de assinar a newsletter do PN, todos os dias com novos conteúdos sobre aquilo que mais amamos no mundo: os livros!

  • Nossa vingança é o amor: antologia poética (1971-2024) (Editora 34), de Cristina Peri Rossi, com tradução de Cide Piquet e Ayélen Medail

O nome de Cristina Peri Rossi era pouco conhecido no Brasil para além dos meios especializados até a publicação desta exemplar antologia: são 150 poemas selecionados entre os seus 18 livros de poesia, numa produção que engloba desde as angústias do período de repressão política no Uruguai (seu país natal) até elementos bastante contemporâneos, como, por exemplo e surpreendemente, os videogames. A verdade é que Peri Rossi – contemplada em 2021 com o Prêmio Cervantes, o mais importante da língua espanhola no mundo – não deve nada para os escritores do continente associados ao boom latino-americano, seus contemporâneos. Sua linguagem é ao mesmo tempo clara e com forte elemento lírico, ousada e concisa, com um poder impressionante de seguir apenas as suas próprias regras. A edição bilíngue permite ao leitor conhecer os poemas na linguagem original, e as soluções encontradas pelos tradutores são em sua maior parte muito acertadas. Um livraço.

  • Cabra que lambe sal (Reformatório), de Letícia Bassit

Um dos principais debates da literatura brasileira contemporânea é a relação entre forma e conteúdo. Este livro é um exemplo de obra artística em que ambos estão tensionados ao limite, numa troca intensa e, muitas vezes, violenta. Como escreve Jarid Arraes no texto de orelha: "Estamos diante de um livro que vence pela coragem. É impossível abandoná-lo, não somente por sua forma-escrita, não apenas pelo prazer bizarro da leitura que nos arregala os olhos, mas em especial pelas imagens sinceras das vísceras femininas, antes de tudo pela jornada da mulher – talvez todas – que nos crava com interrogações. Afinal, uma mulher pode encontrar sua própria satisfação? Antes do fim de tudo, uma mulher pode gozar a vingança?"

  • Morrendo de rir (Arquipélago), de Elvira Vigna

Elvira Vigna é uma das grandes autoras da literatura brasileira contemporânea: e como sói acontecer com alguns dos grandes, boa parte do reconhecimento de sua obra ocorreu após a sua morte repentina, em 2017. Esta reunião de crônicas dispersas é uma excelente porta de entrada para a prosa da autora, ferina como ninguém, consciente de sua posição no mundo e crítica implacável das hipocrisias sociais presentes em diversas esferas da vida. “Falo de feminismo e de machismo de preferência para mulheres, e isso por dois motivos. Porque homem é um bicho que não tem ouvidos sintonizados para o comprimento de onda da voz feminina, tendendo a delegar, no que nos diz respeito, o sentido da audição a outros órgãos do corpo, o que prejudica o nosso raciocínio. E também porque eu acho que quando a mulher muda o mundo muda.” — Elvira Vigna.

  • O último dia da infância (Malê), de Marcelo Moutinho

Nos últimos anos, Marcelo Moutinho despontou como uma das lideranças de uma geração de cronistas brasileiros que precisam viver entre a volatilidade de formatos na era digital e a agilidade da crônica enquanto gênero literário – são nomes, além dele próprio, como Luís Henrique Pellanda, Tati Bernardi, Socorro Acioli, Antonio Prata, Joaquim Ferreira dos Santos e Henrique Rodrigues, entre outros, devidamente citados no novo livro O último dia da infância (Malê). O volume é uma reunião de crônicas guiadas por um fio: a estrutura familiar do autor – que, como narra na primeira crônica do livro, sofreu uma alteração brusca com um acidente levou a vida de sua mãe. Do outro lado da morte, surge a vida, representada pela filha que agora lhe empresta a visão de enxergar aspectos novos em funções antigas. Em meio a essa reflexão profunda sobre o passar do tempo, o autor entremeia temas clássicos da crônica brasileira – dos bares e ruas aos pássaros e ao futebol – para construir um retrato ao mesmo tempo certeiro e particular de uma época, ultra-contemporânea, no coração do Rio de Janeiro.

  • Prisão perpétua e outros escritos (Boitempo), de Tiago Ferro

Além de vencedor de vários prêmios com sua prosa de ficção, Tiago Ferro é uma referência para a crítica literária brasileira atual. Nesta reunião de ensaios e resenhas, o autor incorpora as ferramentas da tradição crítica nacional, passando por Antonio Candido, Roberto Schwarz e Paulo Arantes, para analisar como a literatura se entranha na vida social, e vice-versa, com um olhar atento e sofisticado ao contemporâneo.

  • Corsária (Fósforo e Ubu), de Marilene Felinto

Um novo livro de Marilene Felinto é sempre um acontecimento na literatura brasileira. Líder de recomendações em 2025, Corsária parte de questões como "Qual o valor de um nome? E a real importância de uma linhagem? Quanto custa a memória?" para contar a história de uma mulher que deixa para trás um amor e uma vida confortável em Houston para retornar ao interior do Nordeste brasileiro a fim de encontrar a reparação moral e financeira a que sua família tem direito. Como afirma Luciana da Cruz Brito no posfácio ao romance: “tudo que está na ordem do dia está aqui: a luta de classes, a exploração do trabalho, a desigualdade, o racismo e as opressões que ele causa, seus silenciamentos. Aqui está também o livre exercício do amor e do desejo guiados unicamente pelas vontades, sem padrão ou rótulos, a agência das mulheres, a imigração, tecnologias e seus usos no mundo contemporâneo, além de ancestralidade e reparação”.

  • O livro de Aisha, Sylvia Aguilar Zéleny (Dublinense)

Neste romance, Patrícia, uma irmã aventureira que vai morar na Europa decidida a desbravar o mundo, um dia volta para casa, no México, transformada em Aisha, uma mulher casada, convertida ao islamismo, temente ao marido rígido e disposta a apagar completamente o seu passado. Este é o ponto de partida deste livro, uma investigação profundamente pessoal sobre a ausência, a transformação da memória e a perplexidade diante de lacunas que parecem incompletáveis. “O livro de Aisha não se constrói sobre certezas, e por isso ele reverbera no íntimo de quem lê, como o eco de um nome que não se consegue lembrar, mas é impossível esquecer.” — Julia Dantas.

  • Os anos de vidro (Nós), de Mateus Baldi

O livro vencedor do Prêmio APCA reúne onze contos atravessados pela fissura — temporal, afetiva, identitária — em que personagens marcados pela inquietação e pela incompletude tateiam os limites do desejo, do gênero e da linguagem em uma paisagem urbana hostil e em ruínas. Entre um homem surdo confrontado pela violência em um posto de gasolina, uma criança impactada por um linchamento em plena manhã escolar e um narrador que experimenta um vestido preto enquanto evoca memórias de um antigo professor, as histórias revelam afetos desviantes, tensões de classe e pequenas epifanias no cotidiano. Em prosa de apuro poético e alta voltagem emocional, Mateus Baldi desenha corpos e cidades como superfícies rachadas por onde ainda pode vazar alguma verdade.

  • Krakatoa (Todavia), de Veronica Stigger

Neste livro poderoso, Veronica Stigger mistura fabulação, invenção, observação pessoal e mito, criando personagens cósmicos e elementares para falar sobre a questão fundamental da existência: a morte. Na orquestração de uma escritora em pleno domínio de suas habilidades, o livro faz uma reflexão fortíssima sobra uma tragédia real, ao mesmo tempo em que inventa um mundo muito próprio. Ficção de alta voltagem.

  • Ressuscitar mamutes (Autêntica Contemporânea), de Silvana Tavano

O romance-ensaio de Silvana Tavano venceu o Oceanos e foi finalista do Prêmio São Paulo e do Jabuti em 2025. A montagem única deste livro curto contrasta com a profundidade com que a autora reflete sobre a relação entre a narradora e a mãe. Como explica Natalia Timmerman: "Livro-máquina do tempo, aparelho de alta precisão que conjuga número e metáfora, forma e tema, era geológica e figura de linguagem, temos aqui um híbrido de memória, ensaio e ficção composto de planos, de restos, de nuvens, letras e fósseis, mas principalmente do afeto de uma filha por uma mãe que já morreu".

  • Só bato em cachorro grande, do meu tamanho ou maior: 81 lições do Método Sueli Carneiro (Rosa dos Tempos), de Cidinha da Silva

Em entrevista ao Podcast do PublishNews na Flip 2025, a escritora Lilia Guerra indicou este livro de Cidinha da Silva, que também foi um dos destaques da programação da Feira do Livro em São Paulo. No livro, a autora apresenta 81 lições que testemunhou em mais de três décadas de convivência com Sueli Carneiro, filósofa reconhecida internacionalmente e fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra. Cidinha da Silva sistematiza, em textos breves e afiados, o Método Sueli Carneiro, que reúne ensinamentos como “A fúria é banta” e “Não abra espaço com os cotovelos”, entre outras orientações ouvidas diretamente de sua mestra.

  • A crônica não mata: Notas do isolamento (Arquipélago), de Luis Henrique Pellanda

Uma das mais potentes elaborações literárias da pandemia até agora no Brasil. Nessas "notas do isolamento", o escritor registra a quarentena por meio de leituras, sonhos, notícias, aforismos e reflexões sobre uma Curitiba subitamente esvaziada. Depois, à medida que os meses passam e a vacinação se mostra eficaz, o cronista, assim como o resto do país, retoma seus trabalhos e passeios rotineiros. Não reencontra, contudo, o cenário que se habituou a retratar em sua literatura, mas um espaço novo, habitado por pessoas também transformadas.

  • Diáspora não é lar (Pallas), de nina rizzi

Destaque em algumas das principais listas de melhores do ano em 2025, o livro da escritora, tradutora e pesquisadora se propõe a “recuperar e ressignificar linguagens, mas também criar linguagens”, numa diáspora em que a língua falada é nova e não é. É a “linguagem do opressor, e mesmo assim preciso dela para falar”. Na construção poética da autora, a poema se manifesta sobretudo no pretuguês, que está “no centro, não nas periferias ou à margem”.

  • Infraturas: Cultura e contracultura no Brasil (Cobogó), de Fred Coelho

Ao refletir sobre aspectos da obra de Ana Cristina Cesar, Caetano Veloso, Chacal, Gilberto Gil, Hélio Oiticica e Waly Salomão, entre outros, o historiador, ensaísta, pesquisador e professor Fred Coelho destaca um conjunto de pensamentos e práticas que se instauraram contra a forma hegemônica de seu tempo. A relação com a falta, o excesso, a perda de si, o limiar dos sentidos, o esgotamento da palavra e a ruptura da razão permeiam, de uma forma ou de outra, todas essas manifestações estéticas, críticas e políticas. O livro reúne 15 ensaios que conduzem o leitor pela história e reverberações de experiências radicais de arte, da música e da literatura no país desde o modernismo, em sua abertura para diferentes corpos, vozes e textos.

  • Orbital (DBA), de Samantha Harvey, com tradução de Adriano Scandolara

Vencedor do Booker Prize em 2024, o romance também frequentou todas as listas de melhores do ano em 2025. Quatrocentos quilômetros acima da Terra, quatro homens e duas mulheres ― dos Estados Unidos, do Japão, da Inglaterra, da Itália e da Rússia ― compartilham a estação espacial internacional. Cada órbita é um capítulo breve deste tour de force de beleza contemplativa: da calculada rotina espacial de cada um dos astronautas e cosmonautas ― os exames de sangue diários, os experimentos científicos ―, das implicações emocionais com aqueles que deixaram na Terra ― a morte de um familiar, um casamento sem amor ― e dos diálogos mais ou menos reveladores entre eles, Orbital extrai indagação filosófica e instantes de arrebatamento.


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[06/02/2026 10:05:07]