
Centenas de livreiros de toda a Europa e das Américas se reuniram na semana passada em Verona, na Itália, para a conferência anual RISE Bookselling, organizada pela Federação Europeia e Internacional de Livreiros (EIBF) e cofinanciada pelo programa Europa Criativa da União Europeia. A programação incluiu dois dias de palestras, painéis e networking, além de uma pequena área de expositores. A próxima edição da conferência RISE será realizada em Galway, na Irlanda, em data ainda a ser anunciada.
Assim como ocorreu na Feira do Livro de Londres e na Feira do Livro de Bolonha neste ano, um dos principais temas debatidos nos dias 19 e 20 de abril foi a queda da leitura por prazer, especialmente entre os jovens. A questão de como atrair mais pessoas para as livrarias foi central em um painel dedicado à promoção da leitura.
Os participantes destacaram que os livreiros têm limitações nesse processo: o hábito de leitura começa em casa. Segundo a livreira francesa Roxane Moreil, as crianças precisam ver os pais lendo para desenvolver interesse. Ela também apontou que clientes das classes média e trabalhadora frequentemente evitam livrarias por não dominarem os “códigos culturais” desses espaços. Para alcançar novos públicos, sua livraria passou a vender livros em feiras e festivais locais.
A cobertura, originalmente publicada no PublishersWeekly, traz a declaração da livreira espanhola Elena Martínez Blanco, que afirmou que as livrarias precisam sinalizar que são espaços acolhedores, especialmente para jovens. Em sua cidade, marcada por trabalhadores que se deslocam diariamente, muitos consumidores preferem comprar pela Amazon, o que torna ainda mais difícil atrair público.
Outro desafio central é simplesmente vender livros. Para enfrentar isso, a livraria de Blanco organiza um grande festival de literatura infantil e juvenil, que reúne autores e milhares de crianças, além de iniciativas voltadas a comunidades afetadas por crises, como a erupção vulcânica nas Ilhas Canárias.
A inteligência artificial também foi um dos temas mais debatidos, com grande participação do público. Muitos livreiros já utilizam essas ferramentas no trabalho.
O livreiro holandês Fabian Paagman destacou que o mercado está reagindo rapidamente à entrada de livros gerados por IA e defendeu a criação de sistemas de metadados e rotulagem para identificar essas obras. Ele reforçou que livreiros e bibliotecas atuam como “curadores de confiança”.
Por outro lado, o suíço Christoph Hänni afirmou que o uso de IA ainda é limitado entre livreiros e que os clientes continuam valorizando recomendações humanas. Ele alertou que o debate jurídico ainda está em estágio inicial e citou preocupações com direitos autorais e impactos ambientais. Entre oportunidades e riscos, os participantes destacaram que a IA pode ajudar em áreas como gestão de estoque e relacionamento com clientes, mas também representa ameaças estruturais ao setor.
A conferência também reuniu livreiros dos Estados Unidos e do Canadá. Alguns canadenses optaram por participar do evento europeu em vez de um encontro equivalente nos EUA, em função de tensões políticas recentes. Outros painéis abordaram temas como ataques a livrarias, engajamento político, sucessão de negócios, sustentabilidade, compras públicas, diversidade literária e autocensura.
No encerramento, o escritor georgiano Iva Pezuashvili alertou para o rápido enfraquecimento da liberdade literária em seu país, diante de leis cada vez mais autoritárias. Ele mencionou que autores e editores podem enfrentar punições severas por receber financiamento europeu ou por conteúdos considerados sensíveis, como temas LGBTQ+.






