
O lançamento do livro ocorre nesta quinta-feira (29), na Livraria Travessa Botafogo (Rua Voluntários da Pátria, 97, Botafogo – Rio de Janeiro / RJ), a partir das 19h.
"O livro mostra um Ênio Silveira menos épico e mais humano. Alguém que teve medo, que adoeceu, que perdeu muito, mas continuou", diz o autor ao PublishNews. "A ditadura não tentou apenas calar o Ênio. Tentou quebrá-lo economicamente e emocionalmente. Ao contar a vida de Ênio Silveira, o livro acaba contando a história do Brasil pela lente dos livros. Editar não é apenas escolher bons títulos e dar bom tratamento ao texto. Editar é também construir um sentido para o lugar em que se vive e se atua como cidadão. Ênio Silveira pôs a luta democrática como primeira necessidade, muito à frente do lucro. Não que negligenciasse os negócios, mas ele sabia que ser editor é mais do que ser um empresário, é ser um ator político e ter uma responsabilidade social", afirma o jornalista e pesquisador, doutor em História Política e Bens Culturais pelo CPDOC/FGV e com mais de 25 anos de atuação no mercado editorial.
Durante os anos de chumbo, Ênio Silveira foi preso oito vezes, acusado de “subversão cultural” e “propaganda comunista”. Seus livros foram recolhidos, confiscados e queimados; sua livraria e editora, alvo de incêndio criminoso e atentado a bomba. Ainda assim, ele não recuou. Reabriria as portas todas as vezes, com o mesmo gesto teimoso e sereno de quem acreditava que “a arma mais perigosa é o livro”.
A editora Civilização Brasileira — sob sua direção — publicou alguns dos maiores nomes da literatura e do pensamento do século XX, como Carlos Heitor Cony, Fernando Sabino, Nelson Werneck Sodré, Marx, Engels, Lenin e Lukács.
Filho de Meroveu Silveira e América Nogueira, neto do escritor Valdomiro Silveira, Ênio cresceu cercado de letras e convicções. Trabalhou com Monteiro Lobato, estudou na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo e estagiou com Alfred A. Knopf, em Nova York, de onde trouxe a moderna noção de “publisher” — um editor que pensa, negocia e age como intelectual.
Nos anos 1960, criou coleções como Cadernos do Povo Brasileiro e dirigiu a lendária Revista Civilização Brasileira, que reuniu as vozes mais lúcidas da esquerda democrática e foi alvo direto da repressão.
Entre 1964 e 1982, Ênio enfrentou censura, vigilância, prisões e asfixia financeira — e continuou publicando. Depois disso, já sem ser o proprietário, seguiu como diretor editorial até 1996, trabalhando como editor no próprio dia em que faleceu. Para Ênio, editar era resistir — até o fim.
Resultado de pesquisa diligente, o livro de Sérgio França reconstrói, com vigor narrativo e precisão documental, segundo a editora, todas as fases da vida do editor — da infância paulistana à consagração no Rio, do auge à ruína econômica, e dos últimos anos silenciosos à eternidade simbólica.
Amparado em documentos inéditos, cartas pessoais, depoimentos e registros de imprensa, o autor revela um Ênio mais humano e mais vasto que o mito: marxista e bibliófilo, empresário e poeta, editor e militante, um homem que acreditava que “sem paixão, ninguém muda o mundo”.






