
Esse colapso urbano, social e humano é o centro de Cidade rachada — Como a mineração engoliu cinco bairros em Maceió e arruinou a vida de 60 mil pessoas (Máquina de Livros, 256 pp, R$ 79), livro-reportagem da jornalista Cristina Serra, que terá noite de autógrafos na quarta-feira (3), às 19h, na Livraria Janela da Gávea, no Rio de Janeiro.
Referência em jornalismo investigativo, Cristina narra um desastre silencioso que obrigou cerca de 60 mil pessoas a deixarem as suas casas, muitas vezes mediante indenizações consideradas humilhantes. Ao longo de dois anos, ela esteve repetidas vezes em Maceió e testemunhou imóveis sendo demolidos em sequência, transformando uma região antes turística em uma verdadeira cidade fantasma.
“As escavadeiras pareciam gigantescos dinossauros de ferro devorando os bairros. Pedaços da cidade eram tragados e viravam escombros”, relata a autora no livro. “Os moradores foram expulsos do dia para a noite, provocando uma crise de saúde mental sem precedente entre essas vítimas, que resultou até em suicídios”, pontua, em release distribuído na imprensa.
O livro resulta de, aproximadamente, cem entrevistas e da análise de centenas de documentos e relatórios. Ao reconstituir a engrenagem que permitiu a operação da mina por décadas, a jornalista revela omissões, conivências e uma lógica de lucro acima da vida que atravessou sucessivos governos brasileiros desde a ditadura. Assim como Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, Maceió tornou-se exemplo extremo da mineração urbana que destrói pessoas e territórios.
“É espantoso que ao longo de 40 anos nenhuma autoridade — municipal, estadual ou federal —, tenha achado que a mineração embaixo de uma área densamente povoada fosse digna de investigação. Um olhar mais atento teria evitado essa calamidade”, afirma a autora no livro com apresentação do também jornalista André Trigueiro. “Cristina Serra eleva o jornalismo investigativo a um patamar absolutamente necessário e urgente. Um livro-reportagem feito sob medida para compreendermos a ação das mineradoras num país onde a lei não vale para todos”, enfatiza Trigueiro no texto.






