
Em texto apoiado em sete anos de trabalho, Viana explicita, já na abertura, o propósito da obra: “O objetivo não é apenas proporcionar experiências diversas, inusitadas e atemporais aos leitores, mas também oferecer novos e instigantes argumentos para serem desenvolvidos por roteiristas e diretores”.
Aos 63 anos, o autor é doutor em Composição pela UFBA, com especializações na Itália e Suécia, e mantém produção interdisciplinar que atravessa música, literatura, audiovisual, performance e artes visuais. Ao longo da carreira, recebeu 56 prêmios no Brasil e no exterior, como o Franz Schubert (Reino Unido), o Harald Genzmer (Alemanha) e o Dimitri Shostakovich (Ucrânia). O seu filme-ópera Pitágoras de Samos foi premiado em festivais internacionais.
Os contos transitam entre suspense, realismo fantástico, ficção científica e drama psicológico, com influências que passam por Guimarães Rosa, Ariano Suassuna, Franz Kafka, Edgar Allan Poe e Gene Roddenberry. Entre as histórias, duas — As aventuras de Severino Cascadura e O homem que pensava demais — incorporam micro-narrativas internas, criando “contos dentro do conto”.
No texto de apresentação do livro, o cineasta Cláudio Costa Val destaca: “Ele tem a verve do Severino Cascadura: é um contador de histórias. Seus causos possuem a magia da fábula. Há cores, camadas, sonhos e sons”. E brinca: “Leia-o como se fossem vários filmes. Só não o faça comendo pipoca. Pode ser que você se engasgue, com tantos sobressaltos”.
O volume permite leitura não linear: cada conto é antecedido por uma sinopse. Entre os destaques, estão As duas janelas (thriller psicológico), Liberdade eterna (sobre o arrependimento de um vampiro) e Boneca de pano (desfecho trágico ancorado em abusos do passado).
Para o autor, a obra condensa a sua trajetória artística: “Este livro é uma síntese reflexiva sobre tudo o que li, vi e ouvi, em todas as artes simultaneamente. É o resultado de um processo de amadurecimento criativo que vem desde a adolescência”.






