
Inspirada no conto A terceira margem do rio, de João Guimarães Rosa (1908-1967), a publicação propõe uma travessia simbólica que articula escuta, criação e reflexão sobre práticas artísticas ligadas ao campo da saúde mental. O projeto convida o público a “entrar na canoa” e acompanhar um percurso coletivo que busca pensar novas formas de cuidado e produção cultural fora de classificações rígidas e estigmas historicamente associados à loucura.
A pesquisa foi desenvolvida em Franco da Rocha, município marcado pela história do Hospital Psiquiátrico do Juquery e pelo acervo do Museu de Arte Osório Cesar, referência na relação entre arte e saúde mental. Inaugurado no final do século XIX, o hospital tornou-se uma das instituições psiquiátricas mais conhecidas do país e marcou profundamente a história de Franco da Rocha. Durante décadas, o complexo recebeu milhares de internos vindos de diferentes regiões do Brasil, refletindo práticas e concepções sobre saúde mental que hoje são amplamente revistas à luz da reforma psiquiátrica.

Estruturado em três partes, o livro organiza seus conteúdos como “margens de um rio”. A Primeira Margem reúne textos e imagens sobre a história dos ateliês e das práticas artísticas ligadas ao Juquery. A Segunda Margem apresenta um caderno de contos que mistura palavras, objetos e narrativas coletadas durante deslocamentos pela cidade. Já a Terceira Margem propõe novas perspectivas de ateliê vinculadas à produção de saúde, ampliando o debate sobre cuidado, criação e políticas públicas.
O lançamento integra as ações do Edital Fomento CultSP – PNAB nº 46/2024 – Realização de Pesquisa e Publicação de Estudo Cultural e conta com apoio da Prefeitura Municipal de Franco da Rocha.






