Finalista do Jabuti, Manoella Valadares lança obra de poesia em São Paulo
PublishNews, Monica Ramalho, 03/06/2026
'Armação de guerra' foi inspirado nos pontos de contato entre a artista visual Paula Rego e as poetas Sylvia Plath e Adília Lopes — criadoras que, segundo ela, transformaram a violência íntima em linguagem estética

Manoella Valadares e livro © Edson Rosas
Manoella Valadares e livro © Edson Rosas

Uma visita à retrospectiva do pintor Lucian Freud (1922-2011) na National Gallery, em Londres, ajudou a dar nome ao lançamento da poeta recifense Manoella Valadares. Armação de guerra (Telaranha Edições) será lançado na quarta-feira, 10 de junho, às 19h, na Livraria da Tarde (Rua Cônego Eugênio Leite, 956, em Pinheiros — São Paulo / SP), em um bate-papo da autora com a conterrânea Claudia Cavalcanti e a paulista Mariana Basílio, poeta e tradutora da poeta Sylvia Plath (1932-1963). Senta que lá vem história.

O título nasceu diante de um autorretrato do pintor britânico. "Ele estava sem óculos, com a sua cara nua, um pouco triste. Tinha uma fragilidade no olhar, era uma obra do início da carreira dele, o traço ainda imaturo e, por isso mesmo, belo. Então pensei que ele poderia usar uma 'armação de guerra' — um óculos —, que lhe oferecesse alguma proteção. Abri o bloco de notas, e ali, diante dele, escrevi o poema. Essa é a gênesis do título", conta ela ao PublishNews. "Mas misteriosamente ele abarca todo livro. Meus editores Bárbara Tanaka e Guilherme Conde, donos de uma perspicácia assombrosa, pinçaram o título ali na segunda linha. E de pronto aceitei com o coração em festa e em chamas."

Descrito por Manoella como um "livro dos desastres", Armação de guerra apresenta uma galeria de personagens e imagens que evocam o campo, as ruas e a imaginação. Cowboys, crocodilos, mulheres, crianças e animais povoam os poemas marcados por referências ao cinema, à literatura e às artes visuais.

A obra foi um bocado inspirada nos pontos de contato entre a artista visual Paula Rego e Plath, criadoras que, segundo a autora, transformaram a violência íntima em linguagem estética. "Eu também chamei Adília Lopes para conversar, mas ela não tinha tempo, então mandou um crocodilo, que aparece nos poemas", brinca. Adília Lopes (1960-2024) foi uma reclusa conhecida. Aliás, vale a pena ouvir o episódio do podcast Livros no Centro sobre a poeta portuguesa, grandiosa em toda a sua simplicidade.

O livro sucede Ninguém morreu naquele outono (2024), finalista do Prêmio Jabuti na categoria Escritor Estreante – Poesia. Embora o reconhecimento tenha ampliado a visibilidade de sua obra, Manoella afirma que ele não alterou nem um milímetro a sua relação com a escrita.

"Terminei de escrever o Armação de guerra antes da indicação. Mas escrevi dois livros depois do Jabuti e posso afirmar que isso não teve qualquer influência na maneira que escrevo. Eu não escrevo para ganhar prêmio. Seria um fiasco. Escrevo quando algo me provoca, me contamina. Uma inquietude que de pronto vira obsessão", falou e disse Manoela Valadares.

[03/06/2026 10:13:08]