
Resultado de entrevistas, pesquisa em periódicos e documentos inéditos reunidos em acervos pessoais, a obra opta por uma narrativa em primeira pessoa, aproximando o leitor da experiência de ouvir o próprio Amir Haddad contar sua história. O volume também reúne depoimentos de artistas como Ney Matogrosso, Renata Sorrah, Andréa Beltrão e Clarice Niskier, além de prefácio de Fernanda Montenegro.
"De toda a geração de encenadores que revolucionou o teatro brasileiro moderno a partir dos anos 1950, Amir Haddad era a única lacuna editorial, sem uma biografia desse porte. Entretanto, é o mais radical e talvez corajoso de todos os seus pares. Traz um tipo de abordagem ao trabalho do ator que revela poesia e preceitos ideológicos imiscuídos à linguagem cênica de modo absolutamente popular e brasileiro, a um só tempo. Um verdadeiro criador!", fala Thiago ao PublishNews.
Estruturado em “atos”, o livro percorre cronologicamente a longa carreira do diretor, sem deixar de lado aspectos mais íntimos de sua trajetória. A narrativa passa pela infância em Guaxupé (MG), em uma numerosa família de origem síria, pelo impacto de assistir ainda jovem à peça Uma mulher e três palhaços, com Eva Wilma, e pelos anos de formação em São Paulo. Foi nesse período que Haddad se aproximou de José Celso Martinez Corrêa e Renato Borghi, participando da fundação do Teatro Oficina, marco da renovação do teatro brasileiro.
A biografia também revisita a atuação de Amir Haddad como professor e pesquisador das artes cênicas e destaca a criação, em 1980, do Grupo Tá na Rua, coletivo carioca que transformou o teatro de rua no país. Surgido como resposta artística ao contexto repressivo da ditadura militar, o grupo consolidou uma linguagem própria, inspirada na cultura popular brasileira e baseada na interação direta com o público. Instalado na Lapa desde os anos 1990, o Tá na Rua foi reconhecido em 2010 como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.
Para Haddad, o conceito de utopia — presente no título do livro — não se refere a um objetivo necessariamente alcançável, mas a uma direção. “A utopia não é algo que eu considere necessariamente alcançável, mas é um farol que sinaliza com clareza um caminho a ser seguido. E nós a representamos por meio da nossa arte”, afirma o diretor.






