
A iniciativa vai circular livros na cidade do Rio de Janeiro até fevereiro de 2024. Em um mês de funcionamento, já foram entregues 2,3 mil livros nas quatro capitais em que o projeto está presente (além do Rio, a bicicleta literária está em São Paulo, Salvador e Recife). Até o final do projeto, a expectativa das organizadoras é de movimentar aproximadamente 15 mil livros, entre os novos volumes do acervo da Bici e aqueles trocados entre o público participante.
A estrutura do projeto prevê dois eixos para alcançar o público. Durante a semana, a biblioteca itinerante visita escolas públicas, instituições e organizações sociais, que possuem algum tipo de atendimento ou serviço à população, como centros de convivência e espaços culturais. No final de semana, chega a espaços públicos com grande circulação de pessoas, como praças, feiras e avenidas fechadas para carros. Em ambas as situações, qualquer pessoa pode levar um livro que já leu e trocar por um novo livro. Paralelamente ao intercâmbio das obras, ocorrem atividades de contação de histórias e leitura para as crianças.
Todo o acervo da BiciBiblioteca converge para uma gama diversificada de autores brasileiros e estrangeiros de todos os tempos, de todos os gêneros. A começar por Era uma vez, de Hans Christian Andersen e Irmãos Grimm, Narizinho e o príncipe Escamado, de Monteiro Lobato, O menino azul, de Cecília Meireles, O menino maluquinho, de Ziraldo, A luz como água, de Gabriel García Márquez, a coleção completa de Harry Potter, de J. K. Rowling, Meu crespo é de rainha, de Bell Books, e Caderno de rimas do João e Caderno sem rimas da Maria, ambos de Lázaro Ramos. Em braile, o acervo conta com O menino que via com as mãos, de Alexandre Azevedo, O que será que a bruxa está lavando, de Elizete Lisboa.
Já para os jovens, o acervo traz títulos como É assim que acaba: 1 e É assim que começa, de Colleen Hoover, que estão na lista dos mais vendidos em 2023, e Heartstopper: Dois Garotos, um encontro, de Alice Oseman, que virou série de sucesso na Netflix. Para os adultos, o acervo traz os bestsellers Coração de tinta, de Cornelis Funke, Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie, Pequeno manual antirracista, de Djamila Ribeiro, e diversas biografias de personagens importantes do Brasil e do mundo como Rita Lee, Nelson Mandela e Ingrid Silva.
Idealizada pela FGM Produções Culturais, a BiciBiblioteca busca democratizar o acesso à leitura de uma maneira divertida, diferente e totalmente gratuita, contando também com o estímulo que a presença de uma biblioteca em forma de bicicleta é capaz de mobilizar. Criado em 2017, antes de chegar às quatro cidades da atual edição, o projeto já passou por Canoinhas (SC), Três Barras (SC), Pacajus (CE), Cambé (PR) e Araçatuba (SP).
Para Fabiana Maugé, diretora da FGM, a BiciBiblioteca vai além de aproximar crianças e adolescentes dos livros. “A leitura é um dos principais meios para superarmos o déficit educacional no Brasil e formar novas gerações com maior capacidade de serem cidadãos conscientes de seus direitos e construírem um futuro melhor. Facilitar o acesso aos livros é um grande passo para atingirmos esse objetivo. O estímulo à leitura e o contato da criança e do jovem com o ‘objeto’ livro, saindo um pouco do universo do celular e computador, dá a eles uma ferramenta de diálogo e interação social”, explica a diretora.
A grande quantidade e a qualidade dos livros da BiciBiblioteca têm a capacidade de torná-la uma grande aliada de professores da rede pública, pois os livros são instrumentos para se trabalhar em sala de aula e alavancam ideias para ampliar o horizonte dos conteúdos formativos. A BiciBiblioteca é realizada com recursos do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), via Lei Rouanet, tem patrocínio do Itaú Unibanco, a realização da FGM Produções, Girassol Incentiva, Ministério da Cultura e Governo Federal. No Rio de Janeiro, o projeto é apoiado pelo Observatório de Favelas, por meio do Galpão Bela Maré.