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Um seminário contra a distopia do presente
PublishNews, Redação, 10/06/2019
Direto de Madri, José Castilho Marques Neto fala sobre a importância de informar os leitores e convida à todos para um evento que discutirá o que se tem feito pela leitura nos últimos anos

Nestes dias 11 e 12 de junho acontecerá em Madrid o Seminário Leer Iberoamerica Lee, que co-organizo juntamente com o Laboratório Emília de Formação e a Feira do Livro de Madri.

Nada melhor para combater a distopia de um mundo que se apresenta negativando o horizonte da utopia e apresenta a apologia do indivíduo e do isolamento como chave para o sucesso, do que uma posição afirmativa que reflete a luta diária de milhões de educadores humanistas formais e informais dos territórios ibero-americanos: Ibero-América Lê!

Responder positivamente e com propostas que possam alimentar a resiliência contra exemplos assombrosos, como o daquelas pessoas que arrancaram recentemente a faixa em defesa da educação na fachada da Universidade Federal do Paraná, é um ato de cidadania e defesa do humanismo que ainda nos resta.

É com essa afirmação, que se identifica e promove o trabalho dos que fazem acontecer a formação de leitores ibero-americanos, que se reunirão na Biblioteca Nacional da Espanha, trinta e sete especialistas e profissionais de vários países voltados para refletir sobre uma pergunta que traspassará todas as mesas: Que significa hoje formar leitores?

Com a realidade marcada positivamente, Ibero-América Lê, o objetivo é fazer uma leitura crítica do que passamos nos últimos quinze anos, marcados pelo ciclo de criação dos Planos Nacionais de Leitura em dezenove países da região e, ao mesmo tempo, compartilhar espaços, experiências diversas, buscar prioridades nos investimentos na área, e ajudar a movimentar laboratórios de ideias em cooperação.

Tudo foi pensado para que esse período de debates ocorresse em ambiente de reflexão e autonomia. Desde o alojamento dos expositores na Residencia de Estudiantes até o local do encontro na Biblioteca Nacional de España, além do vínculo e co-organização da Feria del Libro de Madrid.

Nesse rol, a Residencia de Estudiantes, de onde escrevo este artigo, tem uma simbologia mais que apropriada para o espírito do Seminário. Uma das poucas instituições que receberam o Selo do Patrimônio Europeu, concedido pela União Europeia, a Residencia, desde sua fundação em 1910 até 1936, foi o primeiro centro cultural da Espanha e uma das experiências mais vivas e frutíferas de criação e intercâmbio científico e artístico da Europa entre as guerras mundiais no século XX. Com o objetivo de criar um ambiente intelectual e de convivência adequada aos estudantes, o espaço foi residência e convívio de inúmeros artistas e intelectuais espanhóis como Salvador Dalí, Federico Garcia Lorca, Luís Buñuel, Miguel de Unamuno, Alfonso Reyes, José Ortega y Gasset e Rafael Alberti. A Residencia teve um papel relevante também no debate europeu das ciências e artes e por ela passaram inúmeros cientistas, artistas e intelectuais como Albert Einstein, Paul Valéry, Marie Curie, Igor Stravinsky, John Keynes, Alexander Calder, Walter Gropius, Henri Bergson e Le Corbusier.

Como agora, o mundo naquele período em que se inaugurou este centro cultural europeu, e onde estão hospedados os palestrantes deste Seminário, efervescia em criação e inteligência inovadora e realizava uma confraternização única entre as ciências e as artes. Como agora, (e por óbvio, relativizando dentro de todas as devidas proporções históricas, sociológicas, econômicas dos tempos atuais), esse rico período também foi ameaçado pela obscuridade de ideias anti-humanidade e, à época, foi derrotado conjunturalmente na Espanha pela entrada do fascismo demolidor da ditadura de Francisco Franco após a extrema-direita vencer a Guerra Civil Espanhola e o mundo começar a sentir os horrores do nazismo de Adolf Hitler, ambos em 1939.

Ao lançarmos a pergunta “Que significa hoje formar leitores?” aos expositores deste Seminário estaremos debatendo tendo como pano de fundo permanente o direito à leitura para todos, conquista humanitária que ainda perseguimos e estamos longe de alcançar em um mundo com tantas desigualdades, desafios e perigos ao ser humano. Mas sabemos que perseguir este direito, chave de todos os outros direitos humanos, é ponto estratégico e crucial para a autonomia e emancipação dos povos ibero-americanos e preservação de um espaço político democrático e includente. E é dever de todos que aceitam essa premissa, lutar por ela.

Os temas tratados no Seminário serão diversos, como diverso é nosso universo da leitura, mas buscaremos pontuar e refletir sobre “Sociedade Civil, compromisso e leitura”, “Políticas públicas, objetivos e desafios”, “Formação de novos leitores”, “Leituras independentes”, “Literatura como revolução”, “Virtualidades e Leitores”, “Espaços coletivos”, “Encontros de Leitores”, “Leitores em situações de crises”, “Novos rumos”. A abertura não poderia ser mais emblemática para o tema e um orgulho especial para nós, brasileiros: “nossa” Bél Santos, do Literasampa e Coordenadora do Programa de Direitos Humanos do IBEAC, falará sobre o tema “Ler no cemitério”, uma das mais inovadoras e nucleares experiências em regiões de alta exclusão e resiliência da metrópole paulistana.

Nomes diversos e representativos do mundo ibero-americano atenderam o convite dos organizadores. Do Brasil estarão presentes, Bel Santos, Ângela Danemman, Danilo Miranda, Dolores Prades e José Castilho para o debate de experiências exitosas em projetos de sustentabilidade e intervenção efetiva no setor. Dos países de fala hispânica comparecerão Mempo Giardinelli, Roberto Igarza, María Emília Lopez, Maria Teresa Andruetto (Argentina); Antonio Basanta, Miguel Barrero, Olvido García Valdez, Alejandro Tiana, Cristina Novoa, Martín Gomez, Lucas Ramada, Lidia Teira, Manuel Gil, Andrea Aguilar, Marcos Garcia, Cristobal Sánchez Blesa e Inés Miret (Espanha); Clara Budnick, Gonzalo Oyarzún (Chile); Maria Beatriz Medina (Venezuela); Erika Burgos, Inés Dussel, José Miguel Tomasena, Marisol Schultz (México); Luís Bernardo Yepes e Maria Osorio (Colômbia); Emília Gallego (Cuba); Teresa Calçada (Portugal); Philippe Hunziker (Guatemala). A todos os nossos agradecimentos e a certeza que contribuirão fortemente para o debate e levantamento de novas questões e desafios do presente.

Informações de temas e conteúdo das mesas assim como o link para assistir on-line nos dias 11 e 12/6, diretamente da Biblioteca Nacional da Espanha, poderão ser acessados no site do Seminário.

Voltarei ao assunto para comentários posteriores. Agora é hora de receber nossos convidados e seguir para frente, como todos nós estamos fazendo! Vivaleitura!

José Castilho Marques Neto, Doutor em Filosofia e professor aposentado da FCL-Unesp, dirigiu a Editora Unesp por 27 anos, foi presidente da Abeu e da Eulac em três mandatos. Foi diretor geral da Biblioteca Mário de Andrade em São Paulo e Secretário Executivo do PNLL (MinC e MEC) de 2006-2011 e 2013-2016. É consultor do Cerlalc para políticas públicas de leitura e sócio proprietário da JCastilho – Gestão & Projetos – Livro-Leitura-Bibliotecas. Contato: jose.castilho@jcastilhoconsultoria.com.br

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