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Nada como água para a crise
PublishNews, Paulo Tedesco, 13/03/2019

Em tempos de descalabro da cultura brasileira, momento talvez ainda pior do que nos primeiros meses do malfadado Collor de Melo, quando foram extintos muitos órgãos promotores da cultura, vivemos, nesse exato momento, mais um desenfreado ataque neoliberal à promoção da cultura no país.

Por óbvio que os produtores de cultura original e positiva, ou seja, aqueles que não são acolhidos pelo mainstream nem vêm com selo de garantia do exterior, são os primeiros a serem atingidos.

Autores que preservam sua autonomia, editoras que antes buscavam inovação e muitas vezes contavam com importantes suportes no Estado e nas estatais, feiras e festivais literários, e no caso do sistema S, onde o SESC tem presença destacada, todos esses e outros tantos hoje estão reféns da nova insanidade pública que foi guindada ao poder.

E a resposta? Qual a melhor resposta? O Pedro Herz, comandante da Livraria Cultura, que se alinhou e defendeu o que aí está [ao defender, em entrevista ao Estadão, que a Cultura não precisava de um ministério] espero, esteja mordendo a língua, e é o exemplo do que não deve ser feito. Quem se alia a monstros é por eles devorado.

A melhor resposta, além de uma necessária mobilização, está na postura independente do autor e dos agentes da cultura. Uma visão empresarial mais profunda, com planos de longo prazo, onde a aliança com parceiros para promover e de fato pagar pelos seus trabalhos, parece um dos mais seguros caminhos.

Em outras e importantes palavras, se estão asfixiando a Lei Rouanet, se estão acabando com os incentivos da Petrobras (assim como a própria empresa com a privatização das refinarias e do pré-sal), se estão fazendo de tudo para acabar com o melhor da cultura nacional, nos cabe contrapor com inteligência e não ficar esperando as coisas mudarem, porque elas não irão.

Tem que lutar por novos caminhos, tem que buscar linhas de venda para outros centros, tem que não se limitar ao que até agora tínhamos, e principalmente, buscar parcerias porque os novos caminhos de leitura e produção editorial surgem a cada dia, a se ver pelo audiolivro e outras atualizações em formatos de livros e venda que são notícia a diário. E lembrando do clichê do Bruce Lee: “sejamos água”.

Paulo Tedesco é escritor e consultor em projetos editoriais. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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