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Empreender é aprender
PublishNews, Paulo Tedesco, 22/12/2017
Em seu último artigo do ano, Paulo Tedesco fala sobre a importância de saber empreender

É curioso que muito se fala e se propala sobre empreendedorismo, mas há quem não faça ideia do que significa. E não é sem razão, afinal empreender, por si, não tem sentido maior. Empreender o quê? Onde e para quem? Ou por quê? 

Se falarmos em empreender uma nova carreira profissional, de imediato pensa-se em diploma, emprego e conhecimento, ou estudos, treinos, preparos e estratégias, em especial para área da cultura e o profissional liberal, mas o consenso que se estabeleceu desde o início da onda neoliberal no Brasil, o que remonta a época pós-ditadura do Collor, é que empreender é somente arriscar-se no mundo dos negócios.

Ainda que seja uma leitura calhorda, que ventile o fim de direitos trabalhistas como uma grande coisa e que só reste o empreendedorismo privado e de negócios como uma saída para qualquer cidadão, a propaganda e o debate sobre ter seu próprio negócio tem pontos que não andam bem inexplorados e que poderiam transformar carreiras e empresas.

Vamos a alguns:

  1. Compromisso: quando se está por conta, só há uma forma de se conquistar a confiança do parceiro ou fornecedor: o compromisso. Assinou, cumpra, comprou, pague. Se a compra não foi feliz e a venda tampouco, não desapareça, converse, dialogue e negocie. Mas se você vendeu, tente fazer o melhor por sua venda, faça ao máximo pelo cliente e pelo produto ou serviço, vá até o fim, não abandone no meio do caminho o que você mesmo deu início ou dele fez parte substancial.

  2. Pontualidade: está dentro do conceito de compromisso, mas pede destaque. Certo, no Brasil sempre estamos sujeitos a problemas que podem nos atrasar ou atrasar a entrega, mas o esforço por não só chegar numa reunião na hora pactuada, como também antecipar problemas, caso ocorram dificuldades em se cumprir o acordo, dignifica qualquer empreendedor e honra quem o espera, ou está a espera da sua entrega.

  3. Formalidade: não faz mal a ninguém buscar um acordo que não seja somente o verbalizado. Busque, sempre, um acordo textual. Hoje, a lei garante acordos firmados por e-mails e os PROCONS, bem como os juizados de pequenas causas, têm índices elevados na solução de conflitos resolvidos graças a e-mails ou mensagens eletrônicas. Logo, basta um documento escrito por uma das partes que está estabelecido o compromisso.

  4. Atitude: parece-nos, como brasileiros, muitas vezes caro perguntar, tomar informação. Basta ver que nos grandes shopping centers e nas lojas há a ausência de sinalização mais básica, e o mesmo serve em bancos, repartições e autarquias. Ora, se a cultura é de desinformar, de confundir (pois só pode ser essa a explicação para essa atitude da maioria das instituições brasileiras) é preciso perguntar, informar-se, ser sagaz. Observe e tente fazer a leitura do lugar, depois fale com quem possa ajudar, mas não se fie, a maioria das boas informações depende geralmente de três ou mais conversas sobre o mesmo assunto.

A lista poderia ser muito maior, e talvez num outro momento dê prosseguimento, mas tomar para si a própria vida financeira e disso fazer seu modo de vida é uma atitude de muita, mas muita coragem e risco. O mundo, no entanto, não é feito nem conquistado somente por corajosos e de quem arrisca sem pensar. É preciso romper com atitudes, com comportamentos ruins, como o paternalismo e a passividade, com o agir impulsivamente porque assim parece o melhor. Temos, afinal, essa grave tendência de sonhar com uma solução divina ou “lotérica” (se acertar na mega sena estou salvo!) para que o nosso mundo ganhe jeito.

Empreender é puxar as rédeas para si e não ficar contando com um salário de trinta em trinta dias ou torcer para não ser demitido nos momentos de crise. Empreender é despertar demitido todo o dia para aprender que crise é sinônimo de oportunidade, e deve se estar preparado para ela, todo o dia e noite. 

Paulo Tedesco é escritor e consultor em projetos editoriais. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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