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É o digital, mané
PublishNews, Paulo Tedesco, 14/07/2017

Por mais que se comente sobre a tal crise da leitura, ou, para alguns, a do consumo de livros, parece que há mais do que situações pontuais de mercado do que querem nos fazer crer. Um algo para além dos números e das perspectivas e possibilidades do livro e da leitura.

No Brasil, em particular, temos esta instabilidade política fruto de um golpe de estado, à socapa da maioria da população que exerceu democraticamente seu voto e deu maioria ao governo deposto. A ausência de um ministro da Cultura, para ficarmos num humilde exemplo do descalabro, ainda não tem qualquer perspectiva de ser resolvida com um nome competente.

Nossa economia periférica, porém, é talvez o principal sintoma desse quadro de crise, aonde a cultura estrangeira, nem sempre de boa qualidade, é a da preferência das maiores empresas responsáveis pelo consumo – falo também do cinema e da música – e que domina majoritariamente os pontos de venda, bem como o volume de verbas de propaganda e “jabás”. O que explica afinal porque tanto jornal e revista privilegia obras importadas em seus elogios e indicações, quando temos coisa muita escrita e produzida de qualidade por brasileiros (a história contada pelo Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, em biografia recém lançada, é paradigmática nesse sentido).

O quadro, porém, é antigo, e o novo é que vem sendo o fiel na balança. O universo da leitura e da escrita digital, acompanhados dos gigantes como Amazon, Google, Microsoft e Facebook, para ficarmos com os mais conhecidos e ainda relevantes, adentrou com fúria na popularização da parafernália eletrônica.

E esse digital, elevado à última fronteira da dita revolução tecnológica, é que vem condicionando a leitura e a produção escrita no Brasil, e possivelmente ao redor do mundo.

E é na leitura e na escrita que encontramos as novas formas de consumo de livros, ou melhor, os formatos de leitura e da relação com o conteúdo escrito do cidadão contemporâneo. E aqui, visto as constantes inovações em aplicativos e jogos eletrônicos, fica mais do que nítida a disputa do olhar e a disputa pelo tempo de entretenimento e estudo.

Não é difícil perceber, como telespectador, por exemplo, como somos sugados para as ofertas de diversão televisionada. Além de sinais a cabo, e que não são poucos, temos os sinais pela internet e a própria internet a nos oferecer o impensável e a cada dia mais barato e fértil. E talvez esse impensável seja o verdadeiro responsável por erros cada vez maiores em concepções sociais e políticas – vide o fascismo que retoma sua força, e também pela perpetuação de inverdades sobre mundo fora de nossas casas. Uma mentira, hoje, nunca teve tanta facilidade de se ver ampliada, a destruir vidas, e pior, em justificar a eliminação de povos, como na Síria e Palestina, ou de permitir que eminentes mafiosos assumam o poder num país importante como o nosso. 

A boa nota, e é boa sim, é que o leitor, na sua maioria sempre aberto a experiências, não se tornou ainda nas tais massas amorfas e opacas como alguns pós-modernos dos anos 1980 tanto insistiram nos fazer crer. E enquanto persistir discordância, livros em papel e criança com livros na mão, o mundo ainda terá saídas – apesar dos golpes e das mentiras.

Paulo Tedesco é escritor e consultor em projetos editoriais. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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