Publicidade
Publicidade
Novos hábitos, novas questões
PublishNews, 16/11/2011
Novos hábitos, novas questões

O último artigo, sobre o mundo das nuvens, mostrou que a relação dos consumidores com os livros eletrônicos será a de locatários, permissionários, usuários distantes, perdendo o consumidor o caráter de proprietário do exemplar com autógrafo e rabiscos, o contato físico com o objeto, a possibilidade de sentir o cheiro do livro, amassar, dobrar, rabiscar etc.

Talvez seja mesmo uma nova característica, assim como a transferência de dinheiro on line (tão oportuna em período de greve bancária) em que não vemos as cédulas, nem assinamos o cheque, bastando tocar numa tela de vidro.

Mas faltou só um detalhe para fechar o círculo. Para termos o livro mais disponível e acessível, teremos que fazer uma cópia, um back up da obra no nosso computador, na nossa base de dados? Há alguma restrição legal?

Outro aspecto. O livro eletrônico é apenas uma forma diferente de transmissão de conteúdo, e não um software, certo? Essa questão tem gerado enormes discussões, com reflexos principalmente em aspectos tributários.

Não tenho dúvida de que o livro eletrônico constitui apenas nova forma de transmissão de conteúdo. Mas será que o armazenamento de uma cópia no computador equivaleria a ter uma cópia xerox do livro físico, para o caso de extravio?

E aí começa nova polêmica. Na era da reprodutibilidade, em que eu copio o conteúdo de seu site, mas você não deixa de possuir a informação nele contida; em que o “compartilhamento” é a palavra das redes sociais; como ficaria o empréstimo de livros eletrônicos nas bibliotecas?

Hoje uma biblioteca adquire 10 livros de determinado autor, ele recebe os direitos pela venda de 10 exemplares e 10 usuários poderão pegar o livro por empréstimo na biblioteca.

Com um livro eletrônico, no entanto, quantas pessoas poderão, simultaneamente, pegar emprestada aquela obra, que foi adquirida (um único exemplar) pela biblioteca. O autor então ganhará menos enquanto mais leitores terão acesso ao livro? Ou será cobrado por cada empréstimo valor mínimo, de modo a que o autor da obra ganhe no volume e no tempo?

Como disse, a nova relação consumidor/obra/editora vai exigindo novos modelos jurídicos de comercialização da obra, de modo a manter-se um equilíbrio mínimo entre os protagonistas desse eixo.

O desafio é encontrar, com rapidez, essas fórmulas, pois os sinais de Frankfurt mostram que o livro digital não pede licença, o futuro chegou.

Aliás, como serão, doravante, as noites de autógrafos de livros ... eletrônicos?

Gustavo Martins de Almeida é carioca, advogado e professor. Tem pós-doutorado pela USP. Atua na área cível e de direito autoral. É também advogado do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e conselheiro do MAM-RIO. Em sua coluna, Gustavo Martins de Almeida aborda os reflexos jurídicos das novas formas e hábitos de transmissão de informações e de conhecimento. De forma coloquial, pretende esclarecer o mercado editorial acerca dos direitos que o afetam e expor a repercussão decorrente das sucessivas e relevantes inovações tecnológicas e de comportamento. Seu e-mail é gmapublish@gmail.com.

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

Publicidade
Leia também
Em oito anos, as editoras brasileiras partiram da curiosidade cautelosa em relação ao audiolivro para uma prática bem disseminada
Enredo e comissão de frente da Salgueiro merecem todas as homenagens, não só pelo ótimo resultado, mas por ver o livro ser manuseado, usado e docemente explorado em plena Passarela do Samba
As consequências da falta de proteção da lei sobre a voz artificial, excluída pela Constituição Federal
Colunista vislumbra "no audiolivro uma oportunidade de desenvolvimento dos leitores no Brasil, que tanto precisa de educação e que representa o estímulo natural à criatividade do brasileiro". Artigo, na íntegra, aqui!
Seja qual for o suporte do livro, o exemplo doméstico é fundamental para desenvolver o costume
Publicidade

Mais de 13 mil pessoas recebem todos os dias a newsletter do PublishNews em suas caixas postais. Desta forma, elas estão sempre atualizadas com as últimas notícias do mercado editorial. Disparamos o informativo sempre antes do meio-dia e, graças ao nosso trabalho de edição e curadoria, você não precisa mais do que 10 minutos para ficar por dentro das novidades. E o melhor: É gratuito! Não perca tempo, clique aqui e assine agora mesmo a newsletter do PublishNews.

Outras colunas
Na obra de Luciane Mustafá, chorar, agradecer e ressignificar não aparecem apenas como verbos, mas como estágios emocionais inevitáveis da vida
Recém-empossado na Academia Brasileira de Letras, escritor fala sobre seus professores, reflete sobre a crítica literária e compartilha detalhes do seu método de trabalho
Todas as sextas-feiras, uma nova tirinha de Estevão Ribeiro
Indústria de audiolivros não está só aumentando em market share, receita e número de ouvintes, mas igualmente em nível de inovação, tipos de novos entrantes e em complexidade
Nessa semana, o destaque é a obra 'O prazer de dizer não' que mistura ciência, psicologia e espiritualidade com uma escrita leve e acolhedora
Um escritor deve acreditar que o que está a fazer é o mais importante do mundo. E deve apegar-se a esta ilusão, ainda que saiba que não é verdade.
John Steinbeck
Escritor norte-americano
(1902-1968)
Publicidade

Você está buscando um emprego no mercado editorial? O PublishNews oferece um banco de vagas abertas em diversas empresas da cadeia do livro. E se você quiser anunciar uma vaga em sua empresa, entre em contato.

Procurar

Precisando de um capista, de um diagramador ou de uma gráfica? Ou de um conversor de e-books? Seja o que for, você poderá encontrar no nosso Guia de Fornecedores. E para anunciar sua empresa, entre em contato.

Procurar

O PublishNews nasceu como uma newsletter. E esta continua sendo nossa principal ferramenta de comunicação. Quer receber diariamente todas as notícias do mundo do livro resumidas em um parágrafo?

Assinar