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O editorial digital ou Diagramação e projeto gráfico
PublishNews, 26/10/2010
Na coluna de hoje, Cindy Leopoldo inicia mais uma série, agora com o tema diagramação/projeto gráfico e livros digitais e entrevista Camila Cabete, da Gato Sabido e Caki Books

Seguindo o processo editorial temos agora como tópico a diagramação/projeto gráfico. Ao mesmo tempo, aparece aqui finalmente opiniões sobre o tópico do momento: livros digitais.

Resolvi misturar os dois porque é nessa fase do processo que muitas editoras estão optando por trabalhar, ou não, com livros digitais. Já que, baseada exclusivamente em conversas informalíssimas com amigos do mercado editorial, na maior parte das vezes em que se fala em e-book ou livro digital no Brasil, fala-se na verdade sobre a conversão de um arquivo que ia ou será enviado para impressão em gráfica, e não em um projeto concebido para aproveitar todos os recursos que os leitores digitais proporcionam aos leitores humanos.

Entendo que ficar soltando opiniões pessoais não seja lá muito interessante para o mercado, mas considero que a “revolução digital” só será realmente revolucionária quando não somente os leitores humanos se adaptarem às novas possibilidades de leitura, mas principalmente quando os autores e editores buscarem novas possibilidades de produzir livros, experimentar linguagens e contar histórias. Como diz Camila Cabete da Gato Sabido, na entrevista abaixo, agora “o céu é o limite”, ou, mais especificamente, nossa criatividade é o limite. E, infelizmente, completo com outra frase feita parece cair muito bem: é hora de “pensar fora do quadrado”.

Esta coluna será uma daquelas que se espalha por vários dias. Inicialmente planejo apenas dois dias, hoje, com Camila Cabete falando do digital pelo ponto de vista editorial, e dia 11 de novembro com outras empresas falando da mudança específica que o livro digital está trazendo para o mundo da editoração e para o de desenvolvimento de sistemas. Porém, acredito que futuramente voltarei diversas vezes ao tópico e, além disso, deixo o espaço da minha coluna aberto para pesquisadores do tema. Quem quiser contribuir com a coluna entre em contato comigo pelo enquete@publishnews.com.br

Entrevista com a editora Camila Cabete da Gato Sabido e editora da Caki Books

(camila@gatosabido.com.br)

O digital está mudando ou vai mudar o trabalho do editorial?
O digital está mudando sim, pois o editor agora vê todos os produtos que um determinado livro pode gerar... A mudança mais significativa que vejo é que não se precisa mais de tantos "pudores" para editar. Por exemplo, a Caki Books que está nascendo, pode publicar tudo o que estiver dentro de sua linha editorial, sem se limitar a verba para impressão, logística, estoque etc.

Um livro infantil pode se transformar num app da Apple, num audiobook, num livro digital estático, num livro impresso... Essas são as alternativas mais usadas, mas o céu é o limite! Outra coisa muito boa que veio junto com estas mudanças é a coexistência de profissionais que antes não se comunicavam: engenheiros, programadores, desenvolvedores agora fazem parte do processo editorial.

Sobre essa coexistência de profissionais, acho maravilhoso, é praticamente um sonho meu que vejo realizado. Mas tem uma coisa que não me sai da cabeça: sendo generalista e muito direta, o pessoal de TI costuma ser muito bem remunerado e o pessoal da gráfica ou de editoras, não. Podendo chegar ao “não mesmo”... Entendo a Apple, a Sony etc., essas grandes marcas, entrarem no nosso mercado para apresentar leitores digitais, o que não entendo é editoras e livrarias se empolgarem com a venda de livros virtuais em um país que tem o histórico de ler pouco. A aposta é que o brasileiro vá ler mais? Porque a impressão que tenho é de que os custos aumentam e o produtor fica mais barato, afinal um e-book é muito mais barato que um livro impresso... Em que a Gato Sabido aposta para ter lucro?

A Gato aposta nas mil e uma possibilidades que o mundo digital nos apresenta. Concordo sobre as diferenças de remuneração, mas a tendência é que se igualem, positivamente. As estruturas inchadas das editoras tradicionais tendem a desaparecer e o investimento em pessoas torna-se imprescindível. Acreditamos no aumento da leitura, até por vias estatísticas: os leitores de e-books compram duas vezes mais que os de capa dura. Lembrando novamente das possibilidades do livro digital, que não será mais somente um produto, e sim vários, para todos os gostos. Fora a velha discussão de distribuição, que, enfim, acabará.

Como estão sendo feitos os e-books hoje (do ponto de vista do conteúdo)?
Os e-books, até a fase de diagramação, têm respeitado a mesma ordem de produção dos livros impressos. Tudo igual, da seleção à revisão etc. Na hora de fechar os arquivos é que as coisas têm mudado. Primeiro, estão preferindo trabalhar com o InDesign CS5, que permite fechar de forma rápida e fácil o arquivo também em ePub. Então, na hora de fechar o arquivo, o trabalho dobrou, pois fecha-se para a gráfica (CMYK, 300 DPI no mínimo etc) e depois fecha-se o arquivo em ePub (RGB, 70 DPI no máximo). O ePub é o mais indicado para a boa navegabilidade nos e-readers, mas os livros infantis ainda ficam melhores em PDF.

E depois da diagramação, como são as revisões? Há empresas que fazem revisões tipográficas direto no arquivo PDF. Isso ainda será possível?
As revisões são feitas da mesma forma, só que em tela com relatórios, na maioria das vezes. As edições digitais podem ser sempre atualizadas com as correções e o papel do revisor continua bem vindo e necessário no processo. E, sim, as revisões no ePub, como no PDF, também são possíveis. Inclusive, a Xeriph está terminando uma ferramenta que ajudará o revisor a fazer essas correções diretamente no ePub.

Pode falar mais da ferramenta?

A ferramenta está em desenvolvimento, com algumas editoras parceiras testando. Acho melhor guardar mais informações para uma próxima coluna... ;o)

Voltando aos infantis, quando são interativos, eles não ficam melhores em ePub? Por que para e-readers seria o PDF o melhor formato pra eles?

Bom, para os infantis é uma encruzilhada... No bom sentido. Pois temos vários caminhos: o PDF estático para e-readers e os interativos em formato de applications da Apple ou para aplicativos móveis. São dois suportes diferentes, entendeu? No caso dos estáticos, o PDF ainda é melhor para visualização em e-readers e PC.

Como seria o processo de um livro que desde o início fosse feito em ePub?

O processo só muda na hora de fechar o arquivo de InDesign CS5, pois deve-se respeitar umas formatações... O simples, no ePub, é sempre melhor (sem serifas, sem grafismos etc.).

Por curiosidade, qual foi a ideia mais inovadora que você já viu em relação ao desenvolvimento de conteúdo digital?

O que vi de mais impressionante são os aplicativos de Ipad educacionais, como a tabela periódica em 3D, aplicativos infantis e os livros de animação da Penguin.

É impressão minha ou o que se chama "livro" está mesmo se transformando em “apenas” mais um tipo de conteúdo digital? Você considera que isso tira a "nobreza" dele?
O livro sempre foi o conteúdo e nunca o suporte, mas só nos demos conta agora, pois até então não tínhamos escolha. O livro, no real sentido da palavra, continuará, mas teremos mais liberdade para escolher como ler e aproveitar este conteúdo. A "nobreza" do livro é como a "nobreza" do vinil... O que vale mesmo é o que vem dentro. Tanto faz se eu prefiro ler no tablet, no celular ou no e-reader. Isso é só a multiplicação das escolhas para o consumidor. O livro atingirá um número incontável de opções de mídias e produtos.

Cindy Leopoldo é graduada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gerenciamento de Projetos pela UFF. Em 2015, cursou o Yale Publishing Course e, em 2020, iniciou o MBA Gestão de Negócios: Inovação e Empreendedorismo na FIA Online. Trabalha em editoras há uns 15 anos. Na Intrínseca, onde trabalhou por 7 anos, foi gerente de edições digitais e editora de livros nacionais. Atualmente, é editora de livros digitais da Globo Livros.

Escreve quinzenalmente, só que não, para o PublishNews. Sua coluna trata de mercado editorial, livros e leituras.

Acesse aqui o LinkedIn da Cindy.

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

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