Jogo indie traz livraria como centro de experiência 'cozy'
PublishNews, Beatriz Sardinha, 17/04/2026
Tiny Bookshop explora dia a dia de livraria itinerante e customizável em jogo de simulação lançado recentemente pela produtora alemã neoludic games

Logo do jogo indie Tiny Bookshop | © Divulgação Tiny Bookshop
Logo do jogo indie Tiny Bookshop | © Divulgação Tiny Bookshop

Largar tudo para abrir uma livraria pode ser um sonho mais ou menos distante para os amantes dos livros, mas um jogo de simulação lançado recentemente pela produtora alemã neoludic games pode, pelo menos, dar um gostinho da empreitada. O jogo indie Tiny Bookshoop está disponível para computador, via Steam, e Nintendo Switch (ambos pelo preço de R$ 59,99), e também agora no Playstation 5, a R$114,90. A narrativa é simples: o jogador assume o papel de um livreiro que decide viver com a venda de livros em uma pequeno comércio itinerante, que se estabelece em diferentes locais, como à beira-mar, próximo a uma feira de antiguidades e em frente à universidade fictícia do universo de uma pequena cidade. Na plataforma Steam, o game conta com mais de cinco mil avaliações, com 95% delas sendo positivas.

Já em uma produção brasileira, chamada A investigação póstuma, lançada em março, o jogador é um detetive em um Rio de Janeiro noir de 1937, que precisa investigar o mistério por trás do assassinato de Brás Cubas, o icônico personagem de Machado. O jogo foi lançado pelo estúdio brasileiro Mother Gaia, tem o ator Rodrigo Lombardi no elenco, e pode ser adquirido na Steam, para computadores, por R$ 49,99. O estúdio já trabalha em uma versão para Nintendo Switch.

O mundo e as dinâmicas dos jogos têm se aproximado da literatura, seja por iniciativas editoriais no mercado tradicional, como livros-jogo, seja pela exploração de enredos de obras consagradas, como a produção de outros games temáticos no universo Agatha Christie, e Winged, outra produção nacional, que conta com histórias clássicas da literatura como pano de fundo — entre diversos outros exemplos.

Tiny BookShop

O jogo de simulação foi desenvolvido pela empresa alemã neoludic games e nele o jogador é um livreiro, responsável pela decoração e curadoria do pequeno estabelecimento. Influenciadores e jogadores ouvidos pelo PN comentam que a grande novidade do Tiny Bookshop está em concentrar sua jogabilidade no universo da livraria e dos enredos das obras, recompensando leitores atentos e conhecedores dos títulos presentes no jogo.

Produtor de conteúdo focado em literatura infantil no TikTok, Danilo Schwarz conta ao PublishNews que sua relação com livros começou ainda na infância. Um dos pontos que o surpreendeu positivamente no jogo foi a transmissão de algumas noções de empreendedorismo: "Você aprende que não adianta vender qualquer coisa em qualquer lugar, cada bairro tem o seu público, o livro infantil vende melhor em áreas familiares, livros clássicos tem mais saída em áreas estudantes ou de turistas. É uma aula de segmentação de mercado, de decoração, de cálculos de custo-benefício, sem parecer uma aula", comenta.

A narrativa do jogo é basicamente segmentada pelo calendário da semana, em que o jogador-livreiro deve selecionar o destino e livros de interesse para expor em sua livraria. Quando a jornada de trabalho da livraria começa, leitores de perfis variados podem visitar o comércio. Se um “cliente” diz que quer ler uma peça, que acha romances um pouco entediantes e que gosta de ler livros que “irão acabar com meu coração”, o jogador precisa encontrar entre as sinopses dos livros em seu estoque algo que irá atender essas demandas. Nesse caso, uma escolha bem-sucedida faz com que o cliente saia da livraria com este e outros livros em mãos. O jogo conta com uma história de aproximadamente 30 horas e, após finalizá-la, o jogador, enquanto livreiro, continua vendendo livros.

Jogador acaba aprendendo sobre diversos enredos literários ao longo da história | © Divulgação Tiny Bookshop
Jogador acaba aprendendo sobre diversos enredos literários ao longo da história | © Divulgação Tiny Bookshop

O jogo demanda atenção para as especificidades do público consumidor de cada localidade para qual a livraria se move, além da necessidade de acompanhar diariamente o jornal da cidade, que mostra eventos no calendário que indicam dias e locais com maior movimentação e possibilidade de vendas de livros.

A criadora de conteúdo Vitoria Evelyn, ou Viquis, lamenta que ainda não haja tradução para outros idiomas além do inglês, e comenta que este é possivelmente um dos motivos pelos quais o jogo ainda não 'explodiu' no Brasil.

O sucesso de obras no estilo 'cozy'

Tiny Bookshop explora intensamente a atmosfera cozy em torno do hábito da leitura, característica que marcou o boom dos livros de colorir, líderes de venda no mercado editorial brasileiro em 2025.

Danilo destaca ainda como jogos independentes geralmente apresentam preço mais acessível, além de narrativas e propostas criativas mais ousadas em comparação com outros jogos lançados no mercado.

Ele e Viquis apontam que o jogo contém uma proposta acolhedora, aconchegante e até mesmo poética, com uma trilha marcante ao longo de toda a gameplay. "Nós estamos muito acelerados, sempre rodeados de muitos estímulos dentro e fora dos videogames, e os cozy games entram na contramão disso. Além da proposta de trazer leitores para o mundo dos games", comenta Viquis.

A criadora de conteúdo explica que o jogo pode ser uma boa ferramenta de aproximar leitores que tenham preconceitos ou uma visão limitada sobre o que um jogo de videogame pode ser. Ela considera haver ainda uma percepção muito masculina sobre o mundo dos games e que, nesse sentido, a popularização dos cozy games — e o grande sucesso de títulos como Stardew Valley — funcionaram nos últimos anos como porta de entrada de pessoas com perfis mais diversos para desbravar jogos de videogame, que vão muito além de apenas "jogos de lutinha".

Veja o trailer dos jogos citados na reportagem:


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