Dez livros escritos por mulheres para celebrar o Dia Internacional da Mulher
PublishNews, Beatriz Sardinha, 06/03/2026
O PublishNews preparou uma lista de 10 livros escritos por mulheres — ou dedicados a refletir suas experiências — que ajudam a compreender a diversidade de vozes femininas na literatura

Neste domingo, dia 8 de março, quando se celebra o Dia Internacional da Mulher, o PublishNews preparou uma lista de 10 livros escritos por mulheres — ou dedicados a refletir suas experiências — que ajudam a compreender a diversidade de vozes femininas na literatura. Entre poesia, romance, ensaio, biografia e quadrinhos, as obras selecionadas abordam temas como feminismo, memória, identidade, violência de gênero e autonomia do corpo, questões que seguem no centro do debate público.

Criado nas mobilizações feministas e trabalhistas do início do século XX e oficializado pela Organização das Nações Unidas em 1975, tornando-se uma data dedicada à reflexão sobre direitos, igualdade e participação das mulheres na sociedade, o 8M, sigla usada por movimentos feministas para se referir à data, se mostra como um momento para promover discussões de temas fundamentais dentro do movimento pelos direitos de pessoas alinhadas ao feminino, como violência física e psicológica contra as mulheres, igualdade jurídica e profissional, liberdade sexual, direitos LGBTQIA+, maior participação política, entre outras questões.

Leia a lista e escolha a sua próxima leitura:

  • Feminismo para não feministas: Como o machismo machuca todo mundo (Planeta), de Milly Lacombe e Paola Lins de Oliveira

Escrito por Milly Lacombe, autora e jornalista, e Paola Lins de Oliveira, doutora em Antropologia, o livro discorre sobre a urgência de tornar a luta feminista um movimento que não apenas para as mulheres mas que promova uma uma busca ativa para a emancipação de todas as pessoas. A partir do aumento da polarização política, o livro adota um posicionamento de construção de pontes, promoção de diálogos e do rompimento de regras impostas pelo machismo e pela opressão sobre corpos e sujeitos.

  • Transposição (Hedra), de Orides Fontela

A obra poética de Orides Fontela estará no centro dos debates do mundo literário nacional em 2026. Nascida em Boa Vista (SP), ela foi escolhida como a autora homenageada do ano pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e Transposição (1969) é sua obra de estreia. Seu terceiro livro, Alba (1983), conquistou o prêmio Jabuti de Poesia. O quarto,Teia (1996), foi contemplado com o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Orides morreu em 1998 relativamente jovem, aos 58 anos, vítima de tuberculose, em um sanatório de Campos do Jordão (SP). Entre março e abril deste ano, os cinco livros publicados em vida pela poeta — hoje raridades — ganharão novas edições pela Hedra.

  • Impedimento (Bebel Books), com roteiro de Gabi Juns, Jazmin Luzzi e Lucila Sandoval

Obra mais curta da nossa lista, com 24 páginas, o gibi escrito pelo trio Gabi Juns, Jazmin Luzzi e Lucila Sandoval é um título de ficção científica sobre um mundo em que uma epidemia global afeta exclusivamente homens cisgênero, agora capazes de engravidar. Na sinopse, o protagonista Santi "parece estar sentindo os sintomas: náuseas, cansaço extremo, inchaço e, de repente, uma estranha vontade de chorar... Ele se depara com uma situação completamente inesperada: uma gravidez indesejada que coloca sua vida em risco. Mas agora, a decisão sobre seu corpo não está em suas mãos: seu médico, sua família, seu treinador e até mesmo os legisladores têm suas próprias opiniões sobre o que deve acontecer e estão exercendo poder e influência sobre seu futuro". Impedimento usa de uma situação surreal para refletir sobre autonomia e controle corporal.

  • O livro das semelhanças (Companhia das Letras), de Ana Martins Marques

Lançado em 2015 e terceiro colocado no Prêmio Oceanos, O livro das semelhanças é dividido em quatro seções: Livro, Cartografias, Visitas ao lugar-comum e O livro das semelhanças; esta reunião dos poemas de Ana Martins Marques representa uma das obras mais celebradas da lírica brasileira de anos recentes, sendo considerada na Lista de Melhores livros brasileiros do século XXI. O conteúdo dos poemas que compõem a obra são destacados por sua força e, de acordo com a sinopse, são fruto de uma "autora sabe que vivemos tempos fraturados, em que experimentamos aquilo que poderia ser nomeado como uma certa falência da mimese, pois traduzir o real literariamente é deparar com o abismo que se interpõe entre o mundo sensível e a folha em branco".

  • Audre Lorde: Sobreviver é uma promessa (Todavia)

Audre Lorde: Sobreviver é uma promessa se aventura em uma exploração profunda e poética da vida e do legado da lendária poeta e ativista que marcou os movimentos pelos direito de pessoas negras, lésbicas e mulheres, Audre Lorde. Em uma biografia que quer fugir de lugares comuns, a escritora e ativista queer e do movimento negro, Alexis Pauline Gumbs, propõe uma conversa íntima, permitindo que leitores mergulhem nos escritos de Lorde, nas crenças e na sua influência duradoura de Lorde — para oferecer possibilidades de resistência, resiliência e amor frente às opressões ainda presentes no cotidiano. A partir da internet, muitas pessoas passaram a ter contato com algumas frases e reflexões memoráveis da filósofa, como "quando me atrevo a ser poderosa, a usar minha força a serviço da minha visão, o medo que sinto se torna cada vez menos importante" ou "sem comunidade, não há libertação", frase que sintetiza um dos pensamentos centrais de sua obra, acerca da força na formação de comunidades.

  • Pachinko (Intrínseca), de Min Jin Lee

Atribuído como uma grande história de amor, Pachinko é também um tributo aos sacrifícios, à ambição e à lealdade de milhares de estrangeiros desterrados. Ainda muito jovem, a protagonista Sunja até então vivia de forma pacata em uma pequena ilha na Coreia. Após engravidar de um jovem de família influente, se decide que não aceitará ser comprada pelo partido e abandona seu lar, dando início a uma saga dramática que se desdobrará ao longo de gerações por quase cem anos. O nome do romance faz alusão aos salões de pachinko, jogo de caça-níqueis consagrado no Japão e traz como temais principais discussões e dilemas sobre identidade, pertencimento e pátria.

  • Um teto todo seu (Tordesilhas), de Virginia Woolf

Próxima de completar 145 anos desde seu nascimento e com sua obra já em domínio público, a personalidade e a produção literária de Virginia Woolf seguem bastante influentes nos debates e estudos da literatura inglesa. Um teto todo seu é uma reflexão acerca das condições sociais da mulher e a sua influência na produção literária feminina e é baseado em palestras proferidas por Virginia Woolf nas faculdades de Newham e Girton em 1928. No livro, a escritora pontua em que medida "a posição que a mulher ocupa na sociedade acarreta dificuldades para a expressão livre de seu pensamento, para que essa expressão seja transformada em uma escrita sem sujeição e, finalmente, para que essa escrita seja recebida com consideração, em vez da indiferença comumente reservada à escrita feminina na época".

  • Um defeito de cor (Record), de Ana Maria Gonçalves

Um verdadeiro clássico contemporâneo da literatura brasileira, Um defeito de cor narra a trajetória épica de Kehinde e de seus descendentes, o grande romance de Ana Maria Gonçalves mostra uma força narrativa e fôlego — em um livro com mais de 1000 páginas — raríssimo nos dias atuais. Vencedor do prestigioso Prêmio Casa de las Américas e incluído na lista da Folha de S.Paulo como o sétimo entre 200 livros mais importantes para entender o Brasil em seus 200 anos de independência, Um defeito de cor conta a saga de mulher negra que, aos oito anos, é sequestrada no Reino do Daomé, atual Benin, e trazida para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia. A personagem foi inspirada em Luísa Mahin, que teria sido mãe do poeta Luís Gama e participado da célebre Revolta dos Malês, movimento liderado por escravizados muçulmanos a favor da Abolição. Em 2024, o livro foi selecionado como o enredo da Portela, no carnaval do Rio de Janeiro e, no ano passado, Ana Maria Gonçalves foi a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL).

  • Olhos d'água (Pallas), de Conceição Evaristo

Obra amplamente reconhecida de Conceição Evaristo, Olhos d'água é uma boa porta de entrada para adentrar a obra de Evaristo. Olhos traz contos que abordam a pobreza e a violência urbana e, em 2015, foi vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas. A gama de personagens que encorpam o livro trazem seus vínculos e dilemas existenciais, que explicam a vulnerabilidade das interações humanas praticamente enquanto constituintes.

"Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida? Elas diferem em idade e em conjunturas de experiências, mas compartilham da mesma vida de ferro, equilibrando-se na “frágil vara” que, lemos no conto “O Cooper de Cida”, é a “corda bamba do tempo", explica a sinopse.

  • O que os cegos estão sonhando? (Editora 34), de Noemi Jaffe

Promovendo uma mistura de relato com um dos grandes acontecimentos da história da humanidade no século XX. Em O que os cegos estão sonhando?, Noemi Jaffe parte da entrada do diário de sua mãe em abril abril de 1945, quando Lili Jaffe acabara de ser presa pelos nazistas e enviada como prisioneira para Auschwitz. Lá, ela foi salva pela Cruz Vermelha e levada à Suécia, país no qual anotou num diário os principais acontecimentos por que havia passado. O livro promove o encontro de três gerações de mulheres da mesma família se debruçam sobre o horror de Auschwitz, no impulso de, como observa Jeanne Marie Gagnebin, tecer um agasalho "contra a brutalidade do real". Recentemente, a autora participou do podcast Isto não é uma sessão de análise, em que aborda detalhes de sua relação com Lili.


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