
A exposição reúne fotos históricas, máquinas de escrever e impressoras braille antigas, além de destacar o acervo pessoal e a trajetória de sua fundadora, Dorina Nowill. A mostra contou com curadoria de pessoas com deficiência visual que fizeram parte da história da instituição, selecionadas por meio de um concurso cultural, e também reúne materiais produzidos em parceria com a Turma da Mônica, incluindo a personagem Dorinha, em um ambiente acessível com recursos táteis e sonoros, piso tátil, audiodescrição e objetos disponíveis ao toque.
"Estou vivendo um sonho. Me inscrevi [no concurso] aos 49 do segundo tempo. Me espelho muito na dona Dorina, fiz minha reabilitação aqui nos anos 2000 e mudei da água pro vinho", conta Eulália, uma das curadoras da exposição 8 ou 80.

Dorina e o mundo dos livros
Os dados de impressão do instituto são distintos. Apenas no último ano, a fundação foi responsável pela edição de 320.291 páginas em braille, superando a marca de 244 mil em 2024. Já a gráfica da Fundação Dorina Nowill para Cegos teve mais de 11 milhões de páginas impressas. Paralelamente ao avanço editorial, a instituição modernizou sua sede por meio da campanha Tijolinho. Ainda em reformas, previstas para terminar no final do primeiro semestre, a expectativa da Fundação é ampliar em 50% a capacidade de atendimento e abrir sua nova biblioteca, que homenageia Regina Caldeira, assessora institucional Braille da Fundação Dorina e profissional com trajetória dedicada à garantia da qualidade e precisão dos materiais acessíveis produzidos pela instituição. O novo espaço busca fornecer formatos acessíveis para leitura de públicos variados, em braille e em braille-tinta.
Paralelamente, durante o Abril Marrom, que representa um momento de cuidado e conscientização sobre a prevenção da cegueira e a saúde ocular, a Fundação Dorina realizará mais uma edição de uma ação na Avenida Paulista, promovendo atividades de sensibilização, orientação ao público e distribuição de informações sobre cuidados com a visão e a importância do diagnóstico precoce. A programação no dia 12 de abril inclui também teste de glicemia, alertando para a diabetes — uma das principais causas de cegueira no Brasil e no mundo. A mobilização amplia o alcance da campanha e reforça a relevância da prevenção para toda a sociedade.
“Chegar aos 80 anos é olhar para trás com orgulho do que construímos, mas, principalmente, assumir a responsabilidade de avançar ainda mais. Nosso compromisso é garantir que pessoas cegas e com baixa visão tenham acesso à educação, à informação, ao trabalho e à autonomia plena. Seguimos fortalecendo parcerias, inovando em acessibilidade e ampliando nosso impacto social para as próximas gerações”, afirma Eduardo de Oliveira, Presidente do Conselho Curador da Fundação Dorina Nowill para Cegos.
Crescimento de atendimento em 2025
A história da instituição se confunde com a de Dorina de Gouvêa Nowill, que perdeu a visão aos 17 anos e passou a defender a educação inclusiva e do acesso ao livro em braille como ferramenta de emancipação de pessoas. Ela morreu em 2010 e, em 2024, teve seu nome reconhecido no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria. Em 1946, ela fundou a então Fundação para o Livro do Cego no Brasil, embrião do que viria a se tornar a Fundação Dorina Nowill para Cegos.
A instituição conta com uma ampla frente de atendimento e de formações para público cego e de baixa visão — e que inclui também o apoio ao núcleo familiar desses participantes. Em 2025, foram 55.444 atendimentos, para diversas faixas etárias.
O último ano foi marcado pela expansão dos programas de habilitação e reabilitação, além de oficinas culturais e atividades focadas para crianças e adolescentes. Ao todo, 2.215 pessoas cegas ou com baixa visão e 2.585 familiares participaram dos eventos. A Fundação Dorina conta atualmente com mais 11,5 mil doadores ativos e 25 empresas parceiras.

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