Fundação Dorina Nowill comemora aniversário com novo centro de memória e biblioteca em braille
PublishNews, Beatriz Sardinha, 25/03/2026
Instituição completa 80 anos e realiza projetos que promovem a inclusão social das pessoas cegas e com baixa visão

Novo Centro de Memória com a exposição '8 ou 80' | © Fundação Dorina Nowill para Cegos
Novo Centro de Memória com a exposição '8 ou 80' | © Fundação Dorina Nowill para Cegos
As últimas semanas tem sido de celebrações na Fundação Dorina Nowill para Cegos, que comemora em 2026 seu aniversário de 80 anos. No início de março (10), convidados da imprensa puderam visitar as instalações de seu recém inaugurado Centro de Memória, que conta com uma exposição sobre a história da Fundação, mas também da trajetória do movimento e do ativismo de pessoas cegas e de baixa visão no país. A exposição foi oficialmente aberta ao público na última segunda (23), mediante agendamento gratuito. A data comemorativa as etapas finais de reforma na sede da instituição para a inauguração de sua nova biblioteca e gráfica. O lançamento de livro comemorativo dos 80 anos também integra o projeto.

A exposição reúne fotos históricas, máquinas de escrever e impressoras braille antigas, além de destacar o acervo pessoal e a trajetória de sua fundadora, Dorina Nowill. A mostra contou com curadoria de pessoas com deficiência visual que fizeram parte da história da instituição, selecionadas por meio de um concurso cultural, e também reúne materiais produzidos em parceria com a Turma da Mônica, incluindo a personagem Dorinha, em um ambiente acessível com recursos táteis e sonoros, piso tátil, audiodescrição e objetos disponíveis ao toque.

"Estou vivendo um sonho. Me inscrevi [no concurso] aos 49 do segundo tempo. Me espelho muito na dona Dorina, fiz minha reabilitação aqui nos anos 2000 e mudei da água pro vinho", conta Eulália, uma das curadoras da exposição 8 ou 80.

Mesa do escritório de Dorina na exposição '8 ou 80' | © Fundação Dorina Nowill para Cegos
Mesa do escritório de Dorina na exposição '8 ou 80' | © Fundação Dorina Nowill para Cegos

Dorina e o mundo dos livros

Os dados de impressão do instituto são distintos. Apenas no último ano, a fundação foi responsável pela edição de 320.291 páginas em braille, superando a marca de 244 mil em 2024. Já a gráfica da Fundação Dorina Nowill para Cegos teve mais de 11 milhões de páginas impressas. Paralelamente ao avanço editorial, a instituição modernizou sua sede por meio da campanha Tijolinho. Ainda em reformas, previstas para terminar no final do primeiro semestre, a expectativa da Fundação é ampliar em 50% a capacidade de atendimento e abrir sua nova biblioteca, que homenageia Regina Caldeira, assessora institucional Braille da Fundação Dorina e profissional com trajetória dedicada à garantia da qualidade e precisão dos materiais acessíveis produzidos pela instituição. O novo espaço busca fornecer formatos acessíveis para leitura de públicos variados, em braille e em braille-tinta.

Paralelamente, durante o Abril Marrom, que representa um momento de cuidado e conscientização sobre a prevenção da cegueira e a saúde ocular, a Fundação Dorina realizará mais uma edição de uma ação na Avenida Paulista, promovendo atividades de sensibilização, orientação ao público e distribuição de informações sobre cuidados com a visão e a importância do diagnóstico precoce. A programação no dia 12 de abril inclui também teste de glicemia, alertando para a diabetes — uma das principais causas de cegueira no Brasil e no mundo. A mobilização amplia o alcance da campanha e reforça a relevância da prevenção para toda a sociedade.

“Chegar aos 80 anos é olhar para trás com orgulho do que construímos, mas, principalmente, assumir a responsabilidade de avançar ainda mais. Nosso compromisso é garantir que pessoas cegas e com baixa visão tenham acesso à educação, à informação, ao trabalho e à autonomia plena. Seguimos fortalecendo parcerias, inovando em acessibilidade e ampliando nosso impacto social para as próximas gerações”, afirma Eduardo de Oliveira, Presidente do Conselho Curador da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Crescimento de atendimento em 2025

A história da instituição se confunde com a de Dorina de Gouvêa Nowill, que perdeu a visão aos 17 anos e passou a defender a educação inclusiva e do acesso ao livro em braille como ferramenta de emancipação de pessoas. Ela morreu em 2010 e, em 2024, teve seu nome reconhecido no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria. Em 1946, ela fundou a então Fundação para o Livro do Cego no Brasil, embrião do que viria a se tornar a Fundação Dorina Nowill para Cegos.

A instituição conta com uma ampla frente de atendimento e de formações para público cego e de baixa visão — e que inclui também o apoio ao núcleo familiar desses participantes. Em 2025, foram 55.444 atendimentos, para diversas faixas etárias.

O último ano foi marcado pela expansão dos programas de habilitação e reabilitação, além de oficinas culturais e atividades focadas para crianças e adolescentes. Ao todo, 2.215 pessoas cegas ou com baixa visão e 2.585 familiares participaram dos eventos. A Fundação Dorina conta atualmente com mais 11,5 mil doadores ativos e 25 empresas parceiras.



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[25/03/2026 09:57:33]