
Com roda de samba, encontro com os autores e tarde de autógrafos, Luiz Rufino e Camilo Martins lançam Terreirizar – Pensar com orixás e outras encanterias (Oficinar) neste sábado, 19 de setembro, a partir das 14h, no Alfa Bar (Rua do Mercado, 34, no Centro — Rio de Janeiro/RJ). A música fica por conta de Tomaz Miranda & Roda, e Rufino e Martins recebem os leitores a partir das 15h.
Com 140 páginas, o livro reúne textos de Rufino e ilustrações de Martins e se organiza em torno de 23 presenças e tradições, de Exu, Orunmilá, Ogum, Oxóssi, Iansã, Oxum e Iemanjá a Povo da Rua, Zé Pelintra, Pombagira, Benzedeira, Preta Velha e Tranca Rua. Mais do que apresentá-las, Rufino propõe pensar com os saberes cultivados nos terreiros.
O verbo que dá título à obra parte de três compreensões. Uma delas é a de que “o terreiro é o mundo”, entendido como uma obra inacabada, sustentada pelas relações entre diferentes formas de vida. Outra amplia o terreiro para além de um espaço físico: ele pode ser todo tempo e lugar em que determinadas sabedorias são praticadas. Terreirizar torna-se, assim, uma atitude de diálogo principalmente com textualidades negro-africanas em diáspora e indígenas e com outros modos de sentir, fazer e pensar.
A proposta chega também à linguagem. Inspirado por Antônio Bispo dos Santos (1959-2023), Rufino procura “oralizar a escrita”, fazendo referências e debates teóricos conviverem com odus de Ifá, pontos cantados, xirês, giras, comidas, danças, rezas, sonhos, mandingas e outras experiências dos terreiros.
“Terreirizar chama pra roda modos de pensar o mundo, brindar a vida, cantar seus mistérios, driblar seus assombros e festejar suas belezas. É um livro destinado a ser patuá, como a capa sugere. Suas cores, traços e palavras nos abraçam em muitos tempos e ritmos”, afirma Rufino, no release. O escritor diz ainda que renovar a parceria com Martins traz “a certeza de que seguimos tocando nossos tambores na literatura”.
Terreirizar é o 11º livro de Rufino e marca a sua estreia na Oficinar. Professor da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF/UERJ), ele desenvolve pesquisas sobre cultura, educação e pensamento brasileiro e é autor de títulos como Pedagogia das encruzilhadas (2019). Rufino e Martins trabalharam juntos recentemente em Tambor encantado dos Ibejis (Pallas, 2025).
Ilustrador e designer de estampas, Camilo Martins publica livros para crianças e jovens desde 2017 e tem uma relação pessoal com o universo que atravessa a obra: as religiões de terreiro são cultuadas por ele e por sua família, e as suas narrativas fazem parte das histórias que escuta desde criança.






